quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

P181: 16º Encontro da Tabanca do Centro - 2º Aniversário

O tempo voa e estes Encontros da Tabanca do Centro festejam hoje o seu 2º aniversário.

Quem diria que, de uma ideia nascida a bordo do carro do Juvenal Amado, com o Vasco da Gama e o Manuel Reis, rumando à Tabanca de Matosinhos, uma ideia para juntar camaradas de armas da Guiné à volta de um óptimo cozido à Portuguesa em Monte Real, haveríamos de, passados 2 anos, reunir aqui 52 pessoas unidas pelos mesmos sentimentos e recordações.

Não tenham medo que o discurso é curto, e apenas foi escrito para ver se de algum modo é mais coerente do que aqueles que tenho feito noutros encontros.

Passaram 2 anos, e o que nos continua a unir é esta camaradagem, esta amizade, enfim, esta camarigagem, que é feita de memórias, de linguagem comum, (por vezes incompreensível aos de fora), de vivências próprias, mas que tocam a todos, encontros sempre animados de muita discussão, mas sempre de sorriso franco e braços abertos ao abraço da concórdia.

Ao longo destas dezenas de anos, desde que saímos da Guiné, ouvimos falar de nós, a maior parte das vezes na terceira pessoa, (os eles, os combatentes, para não utilizar outros mimos com que nos trataram), e fomos sofrendo em silêncio a incompreensão, o abandono, mesmo o desprezo, e até as “verdades”, entre aspas, que quiseram ir dizendo sobre nós, sem minimamente terem conhecimento de causa do que foi, do que se passou, do que verdadeiramente fizemos.

Quiseram “ensinar-nos”, entre aspas outra vez, os porquês, as razões, as causas, as consequências, os culpados, os inocentes, mas estiveram-se sempre de um modo geral borrifando para nós!

Mas a verdade é que todas essas análises, estudos, teorias, etc., etc., não nos fizeram mais felizes, mais tranquilos, mas infelizmente a maior parte das vezes, reacenderam dores, reavivaram memórias tristes, retiraram-nos a pouca paz que o passar do tempo, e do esquecimento, nos ia dando.

Aqui na Tabanca do Centro quisemos fazer um espaço onde pudéssemos conversar e discutir tudo, mas sempre tendo como sentir mais alto a camarigagem, que nos leva, a perante uma discussão mais acesa, fazer uso do humor, da alegria, e assim fazer que a amizade prevaleça sobre a diferença dos pensares e dos sentires.

Penso que o temos conseguido!

Quisemos também angariar fundos para ajudar aqueles de nós, que pelas mais diversas razões, estão abandonados da vida, desprezados que foram por aqueles que tão bem nos querem explicar as razões e as consequências da “nossa”, entre aspas, guerra, embora o mesmo proceder não seja tido para com aqueles que, sob a capa da ajuda internacional, vão demandando os Iraques, Afeganistões, e outras coisa terminadas em ões que me escuso de dizer.
Certo que ainda não encontrámos aqueles que queremos ajudar, mas a verdade é que há já algumas hipóteses que estão a ser analisadas, e continuamos a pedir que nos façam chegar casos em que possamos intervir, ajudando.
Não se pense no entanto que os valores em caixa são altos, (falamos de 500/600€), mas podem, sem dúvida, ajudar a quem nada tem e como nós viveu a guerra em África.
Gostaríamos que pudesse ser uma ajuda continuada no tempo, mas a falta de receitas fixas mensalmente não nos permite assumir tais compromissos.

Mas temos que tomar rapidamente decisões, por isso, mãos á obra para que até à Páscoa possamos ter destinatários para os valores em caixa.

Peço agora que os camarigos me perdoem, mas tenho que salientar aqui dois de vós, por iguais e diferentes razões.

Um é o nosso Almirante Vasco da Gama que ontem me telefonou repassado de tristeza, porque afinal a saúde lhe pregou a partida de uma febre ocasional, que o impede de estar connosco.
Febre providencial, direi eu, porque apesar de muito triste por o Vasco não estar aqui, fico muito mais descansado quanto à sua recuperação que eu temia sinceramente fosse afectada pela sua vinda agora a Monte Real.
O Vasco é um atabancado do centro desde a primeira hora, e a sua falta sente-se, porque ele é um daqueles que por si só, enche uma sala.
Daqui lhe mandamos o nosso abraço muito camarigo e lhe desejamos a recuperação total, para em Fevereiro lhe darmos então os nossos abraços de muita amizade.

Outro, que vai ficar zangado comigo por causa disto, é o Miguel Pessoa.
Incansável na criatividade, no humor e no trabalho, (a esmagadora maioria dos textos no blogue são dele e por ele colocados), é um camarigo de mão cheia que enriquece a nossa Tabanca do Centro.
Foi dele a ideia da surpresa que dentro em pouco revelaremos e foi também ele que teve todo o trabalho em a realizar.
Obrigado Miguel.

Uma palavra agora para as nossas camarigas, Enfermeiras Paraquedistas, hoje aqui representadas pela Giselda e a Antonieta, para lhes dizer da alegria que é tê-las connosco aqui, como já foi uma alegria e um bem tê-las connosco na Guiné.

Outra palavra para as senhoras dos camarigos que aqui nos vêm fazer companhia.
Sempre e de alguma forma acabaram e acabam por viver as nossas memórias, as nossas alegrias, as nossas tristezas, e as nossas vivências desta nossa condição de combatentes.
Obrigado, por isso e por tudo.

Uma palavra ainda de agradecimento à Preciosa e a todas e todos aqueles que a ajudam a prestar-nos um óptimo serviço, não só na qualidade da refeição, mas também e mais ainda na simpatia e amizade com que nos envolvem.

Aos que demandaram a Tabanca do Centro hoje pela primeira vez, sejam bem-vindos e voltem sempre.

E não digo mais nada, mas apenas, que o meu maior desejo é que a alegria permaneça, a amizade se fortaleça e a camarigagem se viva cada vez mais entre nós.

Um abraço para todos.



Palavras ditas aos que hoje "atabancaram" na Tabanca do Centro.
.
.

6 comentários:

Anónimo disse...

Acabei de receber, entregue por mão amiga, o meu Certificado de Presença relativo ao segundo aniversário da nossa Tabanca do Centro!

Merece moldura a condizer com o magnífico trabalho do Miguel Pessoa, um dos expoentes máximos da nossa Tabanca, seja no trabalho que desenvolve e aqui publica, seja na simpatia e na bondade natural aliada à simplicidade de maneiras, seja ainda na amizade que dedica a todo o pessoal.

Um abraço também especial para o nosso Amado Chefe que tem dirigido com a sua camarigagem habitual os nossos encontros e me tem dedicado atenção especial, que muito me honra!

Um último abraço para todos os nossos Camarigos de todas as Tabancas, agradecendo em especial a presença dos que visitam, sempre que podem, a nossa TABANCA do CENTRO!

Um abraço amigo do

Vasco Augusto Rodrigues da Gama

J.Belo disse...

Do atanbacado do Centro mais geograficamente afastado (e só geograficamente!)um grande abraco por este 2 Aniversário.Parabéns aos "4 Magníficos" que tiveram a feliz ideia inicial do Ponto de Encontro Monte Real.Desde os 34 graus negativos(!) que por aqui estäo um grande e quente Skål para todos.(Ao meu Almirante e Senhoria D'A,um Skål com vodka bebido por colher de chá...para parecer mais medicinal!)

Carlos Pinheiro disse...

Depois de um dia mais virado,forçadamente, para ouvir falar das perspectivas futuras do Fundo de Pensões que os bancários tinham e que agora desapareceu nas contas do Estado, de certo modo preocupado com esse tal futuro que ainda não sabemos o que nos está reservado acabo de abrir o computador e procuro noticias da Tabanca do Centro. E assim, depois deste relato do Chefe da Tabanca, o camarigo Joaquim Alves, nada melhor para animar o espirito e dizer mais uma vez que foi uma pena esta coincidêndia de datas que me levou a estar ausente deste convivio do 2º aniversário da Tabanca. De qualquer forma, mesmo ausente, quero manifestar o meu regozijo pelo êxito do encontro e desejar que não arrefeça o ânimo para que tudo continue com a mesma força.
Para o almirante, um abraço com votos de que a recuperação seja rápida.
A todos um grande abraço
Carlos Pinheiro

Hélder Valério disse...

Caros camarigos

Dois anos é muito tempo... é uma comissão, lembram-se?
É portanto uma data para comemorar e foi isso que foi feito. Com muita gente, muitos amigos, visitantes, estreantes, 'habitués' e também com algumas ausências notáveis (no fundo todos são notáveis...) e notadas, casos do Senhor D'A, o grande Vasco, o Juvenal, o Carlos Pinheiro e outros.....

Correu tudo muito bem e até os lamentos pela ausência do Vasco, que todos pretendíamos ver depois dos trabalhos em que se viu envolvido, foram compensados pelo entendimento que se generalizou de que talvez fosse melhor assim pois todos sabemos que o Vasco tem um coração enorme, ao pé da boca, mas está agora debilitado e podia sofrer com as emoções, mais que previsíveis, com toda aquela multidão a querer felicitar.

Quanto ao discurso do 'Amado Chefe', o "Querido Líder" da Tabanca (de quem tive a felicidade de receber a bênção), é um pedaço de prosa bem interessante... pelo que contém de descritivo, de explicativo, nas homenagens, etc. e também em outros considerandos que não cabe agora 'interpretar' neste memorando do Encontro/Almoço.

No fim pode-se dizer que tudo correu de modo 'justo e perfeito'.

Abraços
Hélder Sousa

Anónimo disse...

Camarigos
Foi sem dúvida um grande "segundo" aniversário de uma Tabanca que entrou na vida de muitos atabancados do Centro e não só.
Falando por mim tenho em Monte Real, depois de Alcobaça, a "minha "terra. Onde me sinto jovem, onde tenho amigos que são irmãos e onde tenho soltado as gargalhadas mais felizes depois dos 65! Para ser tudo perfeito terá faltado o "nosso" Vasco, que é de facto só por si uma "casa cheia".
Mas todos esperamos que já esteja no nosso convivio de Fevereiro, com "cabedal" para receber todos os abraços que desta vez ficaram adiados...
Quanto ao discurso do 'Amado Chefe', o "Querido Líder" da Tabanca subscrevo o que já referiu o Helder. É de facto um pedaço de prosa bem interessante... pelo que contém de descritivo, de explicativo, nas homenagens, e também em outros considerandos.
VIVA A TABANCA DO CENTRO.
JERO

Anónimo disse...

Caros camarigos. Gostei de ler o discurso do camarigo Mexia Alves e os respectivos comentários, qu são demonstrativos da grande amizade e camaradagem de um grupo, que passou por idênticas dificuldades, nessa terra que jamais se esquece, a Guiné.Envio um abraço. Mª Arminda