sexta-feira, 13 de junho de 2014

P508: BAVAROISE DE ANANÁS?!...


           ENCONTROS DE UM IMPÉRIO… DESENCONTRADO

Naquele ano de 69/70,dentro do espírito da Campanha "Por Uma Guiné Melhor", o Comando Chefe convidava alguns muçulmanos mais representativos para viagens de peregrinação a Meca. Por razões várias eu tinha contribuído para que 3 "Homens Grandes" de Tabancas ao redor de Aldeia Formosa tivessem sido incluídos (com toda a justiça) numa das listas das viagens.
 

Foi em cortês gesto de agradecimento que, no regresso de Meca, e aproveitando o estarem em Lisboa, decidiram ir "partir mantenhas" a casa dos meus pais. Envergando os seus grandiosos trajes de "ronco" bateram à porta precisamente no dia da semana em que a minha mãe se reunia com amigas à volta de uma chávena de chá.

Recebo na Guiné carta do Estoril...

"Meu querido filho"... que roupagens fantásticas! Que português tão exótico o que falavam! Que bem educados nas suas tradições, e à sua maneira!
Que acontecimentos incríveis que tão bem souberam descrever!
A esposa do Presidente da Câmara de Cascais convidou-os de imediato para o visitarem!
Sabes, gostaram muito do meu chá, e principalmente da... bavaroise de ananás!”

Sentado contra uma árvore na mata Sul da Guiné, se não me urinei a gargalhar pouco terá faltado.
Conhecia bem aquelas "eternas meninas" da Parada de Cascais do Portugal de então.
Sentadas, segurando nas suas mãos delicadas por tantos ócios, as minúsculas chávenas de chá, e discutindo as delícias da bavaroise de ananás com aqueles heróicos combatentes Fulas.

Encontros de um Império... desencontrado.
Quem sabe se regressaram às matas do Forreá carregando nos "R" e dizendo "pecébe" no dialecto "bem" de uma certa capital do... tal Império...

José Belo

Foto de Fulas em traje festivo - De "Luís Graça & Camaradas da Guiné", com a devida vénia

8 comentários:

joaquim disse...

Agora percebo!

Se calhar foi por causa dessa visita a Cascais que eu tratava o Jamil Nasser do Xitole, meu particular amigo, por tio Jamil!!!

Tá a ver, Zé? Super curioso, e super divertido, o menino não acha?

Grande abraço
Joaquim

Juvenal Amado disse...

Joaquim era o teu Supetiiiiiiooo com montes de caturreira.

Até amanhã

Hélder Valério disse...

Diz o Zé Belo que "se não me urinei a gargalhar pouco terá faltado"! E não era para menos.

Conhecedor da situação, era só dar asas à imaginação e adivinhar o que todo aquele exotismo produzia nas "tias".

Já agora, qual foi o efeito que a "bavaróóóise" produziu nos visitantes? Referiram-se a isso?

Abraço
Hélder Sousa

Joseph disse...

Meu Caro Helder.
Felizmente que,quando regressaram,já eu näo estava em Mampatá e....nunca mais os encontrei.
Deviam entäo estar um..."Máximo de Queridos!"
Aquele abraco.

manuel maia disse...

Tal como diz o Hélder,também me mijei( gosto do vernáculo) de tanto rir.
As tias de Cascais provavelmente ainda não teriam o tal "accent"...
Um grande abraço e obrigado por este momento de boa disposição originada pelos Fulas...

manuel maia disse...


Camarigos

Tal como diz o Hélder,também me mijei( gosto do vernáculo) de tanto rir ao ler este texto do Zé Belo lá da distante Lapónia.

As tias de Cascais provavelmente ainda não teriam o tal "accent"...
Um grande abraço e obrigado por este momento de boa disposição originada pelos Fulas...

Anónimo disse...

Achei muita graça a esta descrição. Uma visita fora do comum na hora do chá, das " tias de Cascais", como as de tantas outras, nessa época. Para elas, deve ter sido uma visita algo fascinante e divertida!.. Para os "Homens Grandes", não sei!.. talvez ficassem a pensar que sempre seria melhor, lancharem na mata. Um abraço ao José Belo. Mª Arminda

Anónimo disse...

Achei muita graça a esta descrição. Uma visita fora do comum na hora do chá, das " tias de Cascais", como as de tantas outras, nessa época. Para elas, deve ter sido uma visita algo fascinante e divertida!.. Para os "Homens Grandes", não sei!.. talvez ficassem a pensar que sempre seria melhor, lancharem na mata. Um abraço ao José Belo. Mª Arminda