Lembram-se da história que vos contei há umas semanas, acerca da minha experiência inicial no mundo dos humanos? Talvez vos tenha deixado em “suspense” relativamente ao que me esperava no fim do “almoço do cozido”. Não estão a ver de que é que estou a falar? Então é melhor darem uma vista de olhos ao meu reporte anterior, publicado aí mais abaixo no blogue (*)…
Bom, dizia eu então que nos dirigimos rumo à Pensão Montanha, não sem antes pararem todos à porta do café para tirarem uma “foto de grupo” sob a orientação de um tipo bonacheirão, cheiinho, a quem chamavam Miguel. Infelizmente, aconchegada na carteira do Joaquim, passei completamente despercebida na fotografia, ninguém ficou a saber que eu também lá estava – e a foto do tal Miguel não registou a minha passagem por aquele convívio.
Finalmente sentado o pessoal à mesa, com algum alvoroço dado o número de presentes, retomaram-se as conversas iniciadas no Café. Percebi que eu tinha ficado num local central da mesa e compreendi que ali quem orientava tudo era o Joaquim, o “Régulo da Tabanca” - como alguém lhe chamou.
Dos cheirinhos à mesa já eu tinha falado na história anterior. Bom, eles lá estavam outra vez, a rodear-nos e a abrir o apetite ao pessoal, segundo alguém disse. O facto é que os cheiros se aproximaram mais do local em que eu estava. O cozido começou a ser servido e rapidamente se abateu sobre a mesa um silêncio inesperado, enquanto o pessoal atacava o petisco…
Passado o impacto inicial, retomaram-se as conversas interrompidas. Fiquei a saber que o grupo não é só da zona de Monte Real; vem gente de longe – do Porto, Lisboa, Cascais, Fátima, Alcobaça, Cadaval, Aveiro, Figueira da Foz, etc. E pelo que me foi dado perceber, o distanciamento geográfico não tem impedido o estreitamento dos laços de amizade que têm resultado destes convívios.
Bom, parece que naquele último caso não é bem a Figueira da Foz mas sim Buarcos, mesmo ali ao lado… Na verdade não sei qual é a diferença mas que se prestou a um grande granel, lá isso foi… O tal de Buarcos, a quem umas vezes chamavam Vasco e outras Almirante Vermelho (não sei qual a distinção, nem sabia que havia pessoal da Marinha nestes convívios), mandou-se ao ar quando alguém lhe chamou figueirense – penso que seja um insulto grave, pela maneira como reagiu. Claro que acabou por passar-lhe, não sem entretanto alguns apertarem com ele por causa da camisola que usava – uma peça de cor indefinida que, segundo alguns, não faz jus ao tal título de “Almirante Vermelho” que gosta de usar. Parece ser um tipo de mil disfarces, pois alguém também lhe chamou “D’A” e outro referiu que ele era dirigente da FRELIBU, seja lá o que isso for… Essas ainda me deixaram mais baralhada, mas deduzo que sejam pseudónimos literários…
O tal Miguel parece que é tipo importante, editor de uma revista qualquer de fofocas. Talvez por isso disparava a máquina fotográfica em todas as direcções; pela velocidade com que disparava duvido que tenha saído alguma coisa de jeito…
Surge agora na conversa outro sujeito ligado a um jornal de Alcobaça, o Jero - parece que se chama assim, embora na minha curta experiência nunca tivesse ouvido esse nome noutra pessoa. Bom, estou a ver que estou rodeada de gente fina!
O pessoal começa a afastar-se da mesa para se ir abastecer das sobremesas, colocadas noutra mesa. Novamente reunidos, chegam os cafés, os digestivos… e mais conversa! Parece que todos estão satisfeitos com o modo como decorreu o almoço e alguns até mostram pena por terem que se retirar; por isso começam a fazer-se as contas para cada um pagar a sua parte.
Cada um pega na sua carteira e… o Joaquim tira-me do cantinho em que estava guardada e põe-me em cima da mesa! Portanto uma das hipóteses está posta de parte – não vou ficar com o Joaquim.
Penso que estou a caminho da gaveta da D. Preciosa. Pelas conversas à volta da mesa parece-me que precisam de troco para o pagamento e alguém pega então em mim (Lá se vai outra hipótese – também não vou ficar com a D. Preciosa!). Vejo-me levada pelos ares e entregue ao tal Almirante!
Pelos vistos vou debandar de vez de Monte Real. Tenho curiosidade sobre o que vai ser a minha vida com este novo dono, mas as conversas que lhe ouvi no decorrer do almoço deixaram-me na expectativa do que vou encontrar no tal Buarcos que ele tanto gabou. Mas receio que esteja próxima a minha despedida definitiva a este grupo que tanto apreciei e com quem tanto aprendi.
MP