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terça-feira, 16 de março de 2021

P1283: PARA RECORDAR - PARTE 3

                    A CIDADE DE BAFATÁ NOS ANOS 60/70

Embora tendo perdido actualmente terreno em relação a Gabu (antiga Nova Lamego), a cidade de Bafatá era nos anos 60 um local interessante - e importante, como podemos imaginar através da vista aérea que apresentamos.

As imagens que se seguem têm uma fraca definição pois foram retiradas de um único bilhete postal (!), como podem ver na última  imagem deste Post. É mais um bilhete postal da colecção do nosso camarigo Agostinho Gaspar, em que podemos ver alguns dos edifícios mais relevantes de Bafatá naquela época.

O bilhete postal pertence à edição “Foto Serra” da Colecção “Guiné Portuguesa”, que aqui publicamos com a devida vénia. Mais uma vez gratos ao Agostinho Gaspar pela sua disponibilidade.

Edifício da Administração de Bafatá
Edifício da Administração de Bafatá - outra perspectiva
Mercado de Bafatá
Mesquita de Bafatá (Muçulmana)
Catedral de Bafatá (Católica)
Vista aérea de Bafatá
O bilhete postal de onde foram retiradas todas as fotografias anteriores...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

P1271: PARA RECORDAR... (PARTE 2)

BISSAU, CIDADE COLONIAL DOS ANOS 60/70

Completamos hoje a reprodução de uma série de bilhetes postais sobre a cidade de Bissau dos anos 60/70, iniciada no nosso Post 1254. Estes bilhetes postais foram seleccionados de entre a extensa colecção de fotos disponibilizadas pelo nosso camarigo Agostinho Gaspar.

Como do anterior, os bilhetes postais pertencem à edição “Foto Serra” da Colecção “Guiné Portuguesa”, que aqui publicamos com a devida vénia, renovando os agradecimentos ao Agostinho Gaspar pela sua disponibilidade.

O Palácio do Governador, na Praça do Império
O Museu em Bissau
A Catedral de Bissau
O Aeroporto Craveiro Lopes - uma foto já antiga, em que 
os Super Constelation ainda eram os senhores dos ares...
Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Bissau
Monumento a Teixeira Pinto
Monumento a Diogo Gomes e Edifício da Alfândega
Mesquita Muçulmana em Bissau
Monumento ao Esforço da Raça

Estamos abertos a comentários sobre as imagens agora editadas...


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

P1254: PARA RECORDAR... (PARTE 1)

BISSAU, CIDADE COLONIAL DOS ANOS 60/70

Uma publicação surgida há já dez anos no Blogue “Luís Graça & Camaradas da Guiné”, que agora reeditamos com algumas adaptações e que tem por base a extensa colecção de fotos disponibilizadas pelo nosso camarigo Agostinho Gaspar, em que podemos ver algumas zonas mais relevantes da cidade de Bissau nos já distantes anos 60/70 do século passado. Para os mais saudosistas recordarem…

Os bilhetes postais pertencem à edição “Foto Serra” da Colecção “Guiné Portuguesa”, que aqui publicamos com a devida vénia e um agradecimento especial ao Agostinho Gaspar, pela sua disponibilidade.

Vista aérea de Bissau, tendo em primeiro plano o Palácio do Governador 
e a Praça do Império.
Monumento ao Esforço da Raça, na Praça do Império.
Avenida Carvalho Viegas, local de grande comércio.
Praça Honório Barreto e Hotel Portugal.
Palácio do Governador e Câmara Municipal.
Vista parcial da cidade, vendo-se ao longe o Ilhéu do Rei.
Ponte-cais de Bissau, com o monumento a Diogo Cão em primeiro plano.
Avenida da República, vendo-se ao fundo o Palácio do Governador 
à direita a Catedral de Bissau.

Com a devida vénia à "Foto Serra" (autora das fotos), Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (que reproduziu as fotos em Post há 10 anos) e ao Agostinho Gaspar (que as comprou... e disponibilizou).
Os editores


quarta-feira, 1 de julho de 2020

P1239: INÍCIO DA COMISSÃO


VIAGEM PARA O DESCONHECIDO


Agostinho Gaspar
Depois de um  último jantar no R.I. 16, em  Évora, do dia 4 para 5 de Outubro de 1972, o Tenente João Manuel de Matos e Silva Mendonça chamou os aspirantes, os cabos milicianos e alguns soldados para a entrega dos galões, das divisas, das promoções a capitão, alferes, furriéis e 1ºs cabos. Foram horas de azáfama.

Depois de se ter entregue e feito o espólio pertencente ao quartel, já com as malas feitas e as últimas recomendações, chegou a hora da partida para um destino desconhecido, de que só nos bancos da escola primária, dez anos antes de embarcar, tinha ouvido falar: era a Guiné.

Depois de receber uns certos papéis, guias de embarque e boletins de vacina, para que na hora não faltasse nada, o 1º sargento chama o capitão e avisa que há um militar que também era cabo e ia ser acompanhado sob escolta até a entrada do embarque. Eu era o último dos cabos; o 1º sarg. Miguel (já falecido há uns anos) vira-se para mim e diz:

- “Ó nosso cabo, tu e outro vão acompanhar e fazer segurança a um preso, é preciso que levantem armamento; quando o preso estiver em lugar seguro as armas serão entregues aos condutores dos nossos transportes”.

Depois de ouvir o sermão e de ele ter acabado de falar, chegou a minha vez de lhe responder. Recordo ainda as palavras como se fosse hoje: - “Ó meu primeiro-sargento Miguel,  eu nem pertenço a esta guerra e muito menos sei mexer em armas e fazer segurança!”.

O capitão, que estava ao lado, vira-se para mim e pergunta-me quem eu era: - “Sou o cabo mecânico da companhia”, respondi.

A resposta dele foi bem clara: - “Tens razão, é melhor ser um atirador...”

Palavras e ordem tão sensatas! E que alívio… Tinha chegado á Companhia semanas antes e não conhecia ninguém e já o sargento me estava a meter medo… e em sarilhos se corresse alguma coisa mal!

Tudo preparado, as bagagens carregadas nas viaturas, dia 5 de Outubro de 1972, era uma noite de chuva e bastante fria,  pela uma da manhã, eu já com vinte e dois anos feitos em Abril, lá entrámos para as viaturas com destino a Figo Maduro, onde um Boeing 707 da Força Aérea estava á nossa espera. Apenas uma pequena paragem pelo caminho para esvaziar a bexiga, para o avião ficar mais leve…

Chegámos pelas seis da manhã; alguns familiares já lá se encontravam para as últimas despedidas. Da minha parte não tinha ninguém, já as tinha feito em casa. Pelas sete o altifalante começou a chamar um a um pela ordem de embarque para fazer o check-in, entregar as bagagens e receber o número do lugar. 

Fui um dos primeiros, a minha cadeira o nº 13C, do lado esquerdo. No 13A ao lado da janela ia o cabo Silva Ribeiro (o Padeiro), no13B, ao meio, o furriel mecânico, no 13C a minha pessoa, cabo mecânico.


Mais uns tempos de espera e os últimos abraços e beijos aos familiares: pais, esposas namoradas, filhos e amigos. Por volta das nove horas novamente os altifalantes anunciavam o embarque. Silêncio total, iam chamando, o pessoal ia entrando, ocupando os lugares que lhes estavam destinados. Depois de estarem todos sentados, porta fechada. 

Era um dia de Outono chuvoso e frio. Íamos bem agasalhados, mal sabíamos que nós que passado algumas horas estaríamos a sufocar no destino com as altas temperaturas…

Com o silvo dos reactores, o avião começou a movimentar-se para a pista, era o meu baptismo de voo... Ao longo de toda a viagem foi um silêncio total. A meio caminho foi-nos servida uma refeição. Quatro horas depois da descolagem chegámos a Bissau.

Quando o avião parou só passados mais de quarenta minutos é que abriram a porta - e nós a olhar pelas janelas,  tudo parecia diferente e estranho de ver, as pessoas em mangas de camisa e calções, e a nós só nos faltava o sobretudo...

Quando saímos da porta para fora, ao descer as escadas do avião parecia que íamos para o inferno, não sei se existe… 
(o verão quente de 73 passei-o no inferno de Gadamael, mas essa história fica para outra altura…).

Ao sair do avião fomos recebidos por um graduado, não tenho memória de quem era. Formados em parada na pista, veio  dar-nos as boas vindas ao nosso calvário. Na maior força do calor o oficial falava, nós sem perceber o que ele dizia e a tropa a destilar e a assar ao calor, alguns até desmaiaram…

Acabadas as cerimónias militares, as viaturas rumaram ao Cumeré para uma estadia de algumas semanas. Dentro do quartel, ainda em cima das viaturas, fomos recebidos pela praxadela habitual nestas ocasiões: "Pius… pius… pius"... Eram os da 2ª CCAÇ do nosso BCAÇ 4612/72, tinham chegado dias antes e já se consideravam velhinhos!

Começava a nossa provação…
Agostinho Gaspar