quarta-feira, 12 de julho de 2017

P930: AH, CÃEZINHOS LINDOS!

QUASE UM LUSITANO… A MENOS!


Um texto recentíssimo que nos foi enviado pelo nosso camarigo e exigrado José Belo, que relata as vicissitudes a que está sujeito quem escolhe viver para lá do sol posto, onde encontros inopinados com a fauna local são o pão nosso de cada dia. Para os que estão menos familiarizados com as histórias do Zé Belo, gostaríamos de acrescentar alguma informação. Este nosso camarada mudou-se com armas e bagagens para a Suécia há mais de quarenta anos. Bom, com armas não, só foram as bagagens…
Mas, dizíamos, na Suécia tem passado longos períodos na Lapónia Sueca, em Kiruna, próximo das fronteiras da Suécia com a Noruega e com a Finlândia, local remoto, isolado  e frio, em comunhão com a natureza e com a fauna que ela resolveu lá pôr…
Como aspectos positivos temos o facto de não ter maus vizinhos; como aspectos negativos, a circunstância de não ter mesmo vizinhos nenhuns num raio de 200 quilómetros… para além de uma série de animais com mau feitio que convém manter à distância… como é o caso da história abaixo publicada.
Os editores

José Belo
Escrevi várias vezes sobre os meus cães mas, se estou a escrever agora, a eles o devo!

A menos de quatrocentos metros da minha casa um rio caudaloso é local ideal para, cedo pela manhã, pescar salmão.

Acompanhado por 3 dos meus cães lá estava a pescar calmamente quando surge da floresta uma ursa acompanhada de duas crias, certamente também com ideia de apanhar alguns salmões.

Carregando com todo o equipamento de pesca, e com a urgência de sair de casa o mais cedo possível, faltava-me SÓ a carabina.

Com muitas décadas de experiência local deveria saber que há coisas que por aqui se não devem... esquecer!

Se o animal estivesse só, normalmente afastava-se. Com as crias costumam atacar de imediato.

Com o rio pelas costas, o urso pela frente a menos de cinquenta metros, estava o lusitano com uma cana de pesca na mão!

A  tão típica pega de caras iria certamente surgir (só que... seria "levado a ombros" pela ursa!) 

Os cães, em jogada de tal modo inteligente(!) que ainda me custa a acreditar ter sido instintiva, atacam de imediato uma das crias, que se pôs em fuga com enorme gritaria sempre seguida pelos cães. A ursa esqueceu-me completamente de mim e partiu em grande velocidade em defesa da cria.

Algum recorde olímpico terei batido na corrida de 400 metros para casa para buscar a carabina!...

De regresso ao local encontro os cães a meio caminho, quando calmamente se dirigiam para casa.

Tenho bastante carne de alce guardada nas arcas frigoríficas e garanto que os 3 cães vão ter um banquete de rebentar as "costuras"...

E, mais uma vez me pergunto: “Instinto"?
Ou uma decisão estratégica?
Para mais, efectuada com rapidez, em total silêncio e em conjunto.

Estaria mais sossegado num fim de tarde de Verão lisboeta sentado numa esplanada do Rossio, atacando um gin tónico...

Um abraço do
José Belo


4 comentários:

joaquim disse...

Quase que apetece dizer: Ah "ganda" urso!!! Então esqueceste-te da carabina????

Uma história para contar e recontar!!!

Grande abraço
Joaquim

Tabanca Grande disse...

Infelizmente em Candoz os ursos foram extintos há mais de um século, pelo que eu nunca poderia sentir as emoções fortes do Zé Belo quando, lá na Lapónia, foi à pesca do salmão e deu de caras com uma ursa e duas crias... Valerem-lhe os seus nobres cães polares!...

Fico feliz por saber que a notícia da sua morte, comido por uma úrsula menor, foi um bocado exagerada... Mas fica o aviso e a lição: é preciso ter cuidados redobrados com os ursos e com o que se lê na blogosfera...



Na ártica tundra do círculo polar
Vejo um temerário lusolapão
Que, lesto, vai à pesca do salmão,
Não livre de um urso encontrar.


Não é urso, é ursa com seus filhotes,
Mas são os cães quem, com nobre coragem,
Salvam o dono de uma iminente carnagem,
O nosso Zé Belo, o último dos dom Quixotes.


Sem pinga de sangue azul, instintivo,
Corre a casa, saca lá da G3,
E diz aos seus cães em tom efusivo:


"Amigos, hoje há rancho melhorado,
Falo com o meu coração português,
Que pulsa sob este corpo assuecado."


Luís Graça

Anónimo disse...

Nós os Lusitanos.... sempre POETAS!

Bonito poema Caro Luís.
Bonito poema.

De inteiro acordo com o cuidado a ter com "alimárias" menos "dadas".
Principalmentete com os "G'anda urssos" de alguns dos comentários na blogosfera.

Aquele abraco do J.Belo

Anónimo disse...


Uma história assustadora para quem a viveu, mas que teve um final feliz e com a oferta de um lindo poema a condizer, por parte do nosso amigo, Luis Graça.
Afinal o José Belo sempre se mudou de "armas e bagagens" para a Lapónia. Porém desta vez esqueceu-se da arma... Já não volta a acontecer...
Desejo-lhe melhores encontros e boas pescarias, nessa terra tão distante.
Um abraço.
Mª Arminda