NO MINNESOTA, UMA
ESPÉCIE DE SUÉCIA?...
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Na Suécia usam frequentemente o termo
"Lappsjuk" para, com alguma ironia, descrever o que acontece no
espírito dos que vivem muitos anos mergulhados literalmente nesta natureza
esmagadora e total isolamento.
Costuma dizer-se que o problema surge,
não quando se "fala com as árvores", mas sim quando as árvores...
respondem! De qualquer modo, por aqui já a neve
está alta, e há que ultimar toda uma vasta logística para enfrentar o Inverno
com conforto.
Quanto á sugestão que me foi feita de
escrever um artigo sobre os Suecos em Minnesota (nos Estados Unidos da América)
aqui estão algumas linhas sobre um assunto por aí totalmente desconhecido mas
muito importante na Suécia e com bastante protagonismo no "folclore
histórico" dos States, sempre muito impressionados com os seus Vikings.
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Os habitantes desta Província (Småland), então dependentes de uma agricultura pouco variada nos seus produtos, sofreram profundamente com esta crise.
Na Escandinávia da época tinha começado a generalizar-se o conhecimento
quanto às oportunidades oferecidas pela América, nos seus espaços ilimitados, para
quem soubesse trabalhar a terra. Uns largos milhares de suecos partiram então
para a aventura pela sobrevivência.
Em mais um "detalhe" importante nas diferenciações entre os europeus
do norte e do sul, surgem dois tipos de emigração para a América do Norte.
Enquanto muitos dos emigrantes do sul partiam individualmente (na maioria homens) ou, em alguns casos, em grupos familiares restritos, a emigração norte-europeia, escandinava e alemã (esta em números vastíssimos), caracterizou-se durante longo período pela deslocação de aldeias completas, ou grupos de aldeias geograficamente vizinhas, desde pequenas comunidades a vilas de tamanhos e populações muito razoáveis.
Todo o tecido social envolvente transplantava-se intacto (!) para a nova
terra e a "aldeia" fixava-se no novo mundo com todas as suas
diferentes classes sociais de habitantes e profissões próprias de uma sociedade
rural.
Do Pastor Protestante, à professora, ao ferreiro, boticário, etc, etc, etc.
Este tipo de ocupação das novas áreas cria condições ideais (muito ao
contrário do outro tipo de emigração, de assimilação mais fácil), para
continuidades rácicas, de tradições e costumes e, não menos, de linguagem e
dialectos originais.
Foi o que acabou por acontecer em vastas áreas do actual Estado Norte
Americano do Minnesota.
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Lago Itasca, onde começa o Mississipi |
A natureza do Minnesota mais não é, nas suas montanhas, milhares de lagos,
e infindáveis florestas, que uma fotocópia da natureza sueca, muito
particularmente da Província da Småland de onde a maioria dos emigrantes era
originária.
A influência sueca continua hoje bem viva, tanto nas Universidades como nas
diferentes instituições culturais, sociais e económicas, muitas delas
generosamente apoiadas pela Suécia.
Para mais quando, em muitas das vezes, se ouve em alguns dos locais
dialecto sueco da zona da Småland vindo de séculos passados.
Aos lusitanos apreciadores de boa cerveja recomenda-se uma visita ao
Estado. Produzida com receitas locais e em umas muito largas centenas de centrais,
isto numa população que não atinge os seis milhões de habitantes…
Tendo também uma grande produção e variedade de boas maçãs, a cidra do
Minnesota (de diferentes teores alcoólicos) também é um produto famoso em todos
os States.
O vinho também é produzido e, com um bocado de "boa vontade”, faz
lembrar o vinho verde tinto…
MAS… para este lusitano-lapão (único!!!)... faltam as renas!
Deve-se chamar atenção para o facto de dentro
de um país, na sua vastidão geográfica e diferenciações culturais, como os
Estados Unidos, existirem mais "distâncias" culturais e tradicionais
entre a Flórida e o Minnesota, do que, por exemplo, entre a actual Albufeira
(ou mesmo Lagos) e... o Key West (Flórida) onde passo parte do ano.
Um
abraço do
José Belo
1 comentário:
Gostei de ler a descrição que nos ofereceu o amigo José Belo, sobre a implantação dos Suecos nos USA.
Envio um abraço.
M. Arminda
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