quarta-feira, 5 de agosto de 2015

P684: CRÓNICAS DO JOSÉ BELO / FLORIDA KEYS

                   AS FLORIDA KEYS E KEY WEST

Antes de entrar a escandalizar as gentes sérias do Centro, já em idades inapropriadas (?) para tais Sodomas e Gomorras, aqui vão alguns dados por aí desconhecidos quanto a algumas das realidades das Keys.


Não sei mesmo se haverá muitos interessados no assunto, mas de qualquer modo, a parte mais SÉRIA destes escritos floridianos aqui segue.

Key West é sem dúvida o local a ser visitado quando se viaja até às Keys da Florida.

Um ambiente muito especial de "viver e deixar viver" atrai uma grande quantidade de escritores (Hemingway entre os mais célebres), pintores e escultores e toda uma restante "fauna" muito peculiar - mas extremamente interessante - que vem até aqui desde todos os Estados da União.

Quase poderia ser no seu "passar do tempo" uma pequena cidade turística da costa Algarvia com os respectivos pequenos bares, restaurantes e lojas turísticas.

É aqui que tudo acontece e, curiosamente, assim tem sido nos últimos 500 anos de uma história rica em piratas e todo um modo de vida ligada à exploração dos inúmeros naufrágios que durante séculos foram uma fonte de receita para os locais.

A ilha de Key West está ligada à zona continental da Florida por 42 pontes sucessivas. 
A terceira maior barreira de coral do mundo está situada ao largo de Key West. 
Não existindo localmente areia suficiente, toda a fina areia das praias locais é anualmente importada desde as Caraíbas. 
Key West é a cidade situada mais ao sul de todos os Estados Unidos, estando bem mais próxima de Cuba do que de Miami.

O clima das Keys é tropical, com temperaturas, chuvas e níveis de humidade muito semelhantes aos da Guiné. Key West tem a temperatura média mais elevada dos Estados Unidos e é a única cidade do país onde nunca surgem geadas.
(Recomenda-se o mês de Maio/Junho para visitas, tanto quanto ao clima como ao menor número de turistas)

Os tornados, frequentes entre o Atlântico e o Golfo do México, tornam-se um problema muito sério para as Keys.

Não tendo as ilhas elevações acentuadas acima do nível do mar as inundações são por vezes extremas e muito perigosas.

Os planos de evacuações são detalhados e estão sempre a ser experimentados em exercícios vários.

A área total das Keys é de 356 quilómetros quadrados.
O arquipélago é constituído por 1700 ilhas, mas poucas destas são habitadas por serem demasiado pequenas.
Só 43 destas ilhas estão ligadas por pontes.


Duval Street é a rua principal de Key West, onde todos passeiam e se encontram, e onde tudo acontece.
É referida pelos locais, com humor, como a rua mais longa do mundo. 
Ao deslocarmo-nos ao longo das centenas de metros da mesma, estamos a efectuar a ligação entre o Oceano Atlântico, onde começa, e o Golfo do México, onde termina.
Nesta rua estão situados alguns dos bares e restaurantes mais conhecidos, entre outros o mundialmente famoso, depois de ser o favorito de Hemingway, o Sloppy Joe's Bar.


(Ao visitarem a ilha poderão certamente encontrar o único Lusitano-Lapão existente, sentado em mesa estrategicamente bem colocada ao lado direito da entrada, sob enorme espadarte empalhado colocado na parede, frente a ***um***daiquiri gelado, perdido em melancólicas recordações de um outro bar amigo, este o saudoso João Sebastião Bar das noites lisboetas de 1974/1975).

A primeira ligação aérea internacional Norte Americana partiu de Key West para Cuba no ano de 1927. A companhia aérea Pan American Airlines, fundada em Key West, foi quem efectuou esta viagem histórica com um Fairchild FC-2W.

Hoje, cerca de 1/2 da ilha é ocupada por uma base da Força Aérea.

Na sua história moderna as Keys da Florida têm sido uma importante base de contrabando de charutos cubanos, drogas e emigrantes ilegais vindos das Caraíbas.

Tendo em conta estes problemas, o Serviço Nacional de Fronteiras iniciou nos anos oitenta uma vasta operação com bloqueios nas pontes que ligam as ilhas ao continente.




Buscas contínuas nos carros, e as demoradas paragens inerentes, começaram a afectar seriamente a economia local muito dependente do livre movimento dos inúmeros turistas.

A situação agravou-se e levou  o Mayor de Key West, Dennis Wardlow, a declarar a... INDEPENDÊNCIA DE KEY WEST DO RESTO DA UNIÄO em Abril de 1982,com o nome de Conch Republic. Esta independência foi no entanto de pouca duração: Key West e o seu Mayor rebelde acabaram por decidir, pacificamente, regressar à União.

As antigas ligações ferroviárias entre as ilhas, efectuadas pelas pontes, foram destruídas por enorme tempestade em 1935, com ventos da ordem dos 320 quilómetros por hora  provocando ondas superiores a seis metros que inundaram rapidamente todas (!) as ilhas.

Três anos depois a auto-estrada "Overseas Highway" passou a fazer as ligações, com novas pontes, entre as ilhas.

Nos fins de 1970 iniciou-se a construção de enorme ponte, quase ao nível do mar, a qual é hoje conhecida como a Seven Mile Bridge.



Com vistas fantásticas, recomenda-se como algo de inolvidável (!) a viagem de carro desde Miami a Key West.

Um grande abraço.
José Belo

7 comentários:

Anónimo disse...

José Belo

Afinal, afinal as Key não são mais que o que resta das vértebras da coluna vertebral de um grande dinossauro e o mais o que ainda ficou da cauda do mesmo, quando há milhões de anos tentou abocanhar a Florida e puxá-la lá mais para baixo. (Seria já um dinossauro cubano a tentar puxar os States)?

O Hemingway nunca pensou deixar tantos bares a fazer negócio à sua conta, depois da sua morte.
Abraço
Alberto Branquinho

Joseph disse...

"Todos os meus Amigos näo säo demais"


Obrigado A.Branquinho por finalmente ter conseguido compreender qual é a "alimária" que atravessa todas as noites a sala de estar da minha casa em Key West"depois dos cinco "daiquiris" tradicionais.......o dinossauro floriano!

Para os decadentes interessados nos aspectos "Sodoma e Gomorra" das noites alegres de Key West (por totalmente irreconciliáveis num blogue sério como é o da nossa Tabanca do Centro),sugere-se a visita ao lapplandnearkeywest.blogspot.com onde está colocado vídeo sobre o tema.

A criancas,Senhoras,e ás almas mais sensíveis de alguns elementos reformados das nossa Tropas Especiais (tipo Comandos),näo se recomenda tal vídeo.

Um grande abraco do José Belo.

Anónimo disse...

HOM'ESSA!!

Daiquiris tradicionais (de Key West?)?!
Os "tradicionais" do Hemingway, também ele os bebia (dizem) na BODEGUITA DEL MEDIO, de Havana.
O problema é que o desenho do copo(inho) ajuda a bebida a escorregar (mais facilmente).
Abraço do 3A.B.

Joseph disse...

HOM'ESSA!! (II)

Haverá daiquiris mais tradicionais do que aqueles que eu(!!!) preparo para os Amigos que me visitam em Key WesT,independentemente das tradicöes de Hemingways e outros que tal?
(E a propósito...é uma casa portuguesa...quando à porta bate alguém senta-se á mesa..."C'gente")...Bem Vindos!

Quanto à Bodeguita del Medio escreveu Hemingway:"My mojito in la Bodeguita,my daiquiri in el Floridita".

Näo vamos subestimar uma profunda cultura BAR-rista (barra de tribunal e bar têm mais em comum do que muitos julgam) deste Lusitano-Lapäo-Único.

Em Madrid Hemingway terá bebido na Casa Botin e na Cerveceria Alemana ;Em Barcelona no bar O Marselha ;Em Pamplona no Café Iruna ;Em Paris no Ritz e em La Rotunda ;Em Veneza no Harry's Bar; No bar do parque de Serengueti ;Em Cuba na Floridita e na Bodeguita del Medio ;Em Key West no Sloppy Joe's,e isto para näo referir a Indochina.

(Depois de ter bebido diariamente quantidades incríveis de Dry martinis, no Sloppy Joe's Bar,resolveu um dia levar para casa o urinol local com a justificacäo de a isso ter direito depois de ali ter urinado uma fortuna em dólares durante vários anos)

Para terminar esta täo importante,e profunda, divagacäo sobre uma certa cultura clássica ,existe um bar em Madrid (nos arcos da Plaza Maior) com uma placa com os seguintes dizeres:"Aqui Hemingway NUNCA bebeu".

HÄLSNINGAR do José Belo

Anónimo disse...

HOMEM!!

'ssas! todas e assim, fiquei "bar...ado"!
Mojito, mojito... es esso que dicen los guias a los "turistas".
Foi por isso que ele escreveu "O velho e o bar" (...)

SKAL (não tenho trema no teclado)
3A.B.

P.S.- (Troco um trema por uma cedilha)

Hélder Valério disse...

Gostei bastante de conhecer o que aqui é dito.
Muita e boa informação.

Fiquei apenas com uma dúvida:
em certa parte o José Belo diz-nos que o podemos encontrar à direita de quem entra, numa mesa por debaixo dum espadarte (merlin?) embalsamado a beber 1 daiquiri, mas depois diz-nos que quando o dinossauro resolve atravessar a sala já são 5.
Como é? ao 5º já faz esse efeito?

Abraço
Hélder S.

Joseph disse...

Meus Caros

Sem grande vontade de continuar a "fazer a festa e a apanhar os foguetes" tenho que reconhecer-me quase(!) surpreendido pela rapazida reformada do Centro.

Comecei o "paleio" salientando as minhas reticëncias morais quanto a entrar em detalhes sobre a Sodoma e Gomorra que säo as noites de Key West em certos períodos do ano.

Posteriormente,nestes ingénuos comentários,fiz uma ligeira referëncia a um video sobre o assunto colocado na lapplandnearkeywest.blogspot.com,com o cuidado de lembrar o facto de este ser...menos recomendável a todas as almas sensíveis "nestas coisas".

Mas näo é que, depois de cedo pela manhä mugir (como habitualmente) as minhas renas e dar uma saltada ao referido blogue verifico (apoplético!) nas estatísticas do mesmo um aumento de *54* visitantes lusitanos em relacäo ás médias normais de visitas desde Portugal?

A näo ter sido o nosso AMIGO VASCO que repetidamente lá voltou 54 vezes,as "coisas" andam mal ao Centro....ou será talvez....demasiado bem?!?

Dá-lhes c'a pedra pá! Dá-lhes c'a pedra!

Respeitosos abracos do José Belo