quarta-feira, 24 de junho de 2015

P671: À CAUTELA...

NÃO COMPREM DESTE MATERIAL!

Recentemente estive envolvido em duas situações que resultaram em parte do meu gosto por usar acessórios perfeitamente vulgares, que passam completamente despercebidos no meio de outros semelhantes do pessoal que me rodeia. É o caso, por exemplo, da bolsa que no tempo mais quente uso a tiracolo (para compensar a falta de bolsos), onde guardo os meus documentos, cartões, agenda, chaves (do carro de da casa), comando da garagem e, para os meus almoços da Tabanca do Centro, a máquina fotográfica.

Este apetrecho, que alguns apelidam depreciativamente de mariconera (passe a expressão rasca…) faz parte dos meus hábitos há já bastantes anos e, como dizia atrás, é perfeitamente anónimo, de cor preta e formato e tamanho standard, passando completamente despercebido no meio de tanto outro idêntico à minha volta. Aliás, tenho 3 (!) bolsas destas, iguaizinhas, resultantes de ofertas de uma conhecida marca de perfume que em determinada época incluía essa bolsa como presente na compra do frasquinho de maior capacidade.

Asneira minha! Se por um lado não tentamos o “amigo do alheio” usando acessórios que não vale a pena desviar, por serem de marca desconhecida ou de qualidade mediana, também se presta a desvios (sem qualquer má intenção) por parte de um conhecido um pouco mais distraído, que até tem um material parecido…

O facto é que no nosso último convívio em Monte Real lá levei a minha bolsa (máquina fotográfica incluída). Tudo correu normalmente durante a concentração no Café Central, com bolsa a tiracolo e máquina fotográfica em punho para a reportagem habitual. Chegado ao local do almoço, bolsa pendurada na cadeira e máquina fotográfica em cima da mesa, para continuar a sessão fotográfica…

Tudo a correr normalmente. O convívio aproximava-se do fim, com alguns amigos já de partida devido a outros compromissos. Chega-se então o nosso camarigo Joaquim Mexia Alves com o seu telefone dizendo-me que alguém me queria falar. Confesso que da cena que se seguiu apenas fui apanhando alguns pormenores da situação completamente imprevista: “…Que por lapso tinha levado a minha bolsa… que só se apercebeu quando quis levantar dinheiro (vá lá que não sabia os códigos, digo eu…)… que podíamos combinar um encontro numa área de serviço para ele me devolver a bolsa… que depois me telefonava a confirmar a chegada…”

Argumentei que isso iria demorar algum tempo pois eu tinha que empurrar o carro até lá (o malandro tinha-me levado as chaves…) e que teria que ser ele a atender os telefonemas que me fizesse (o meu telefone também tinha ido na bolsa…)…

Enfim, este nosso amigo lá percebeu que tinha mesmo que voltar a Monte Real para me devolver a bolsa… o que aliás fez com alguma celeridade. E o caso ficou por aqui.

Dois dias depois, na minha casa, contava eu esta história algo caricata a um familiar que tinha ido almoçar comigo. E, durante a tarde, já esse familiar tinha partido, resolvi pôr em dia a conversa com um amigo. Procurei o meu telemóvel… e não havia sinal dele no local em que normalmente o deixo pousado. 

Devo referir que esse telemóvel é de uma marca finlandesa bem conhecida, de modelo perfeitamente vulgar, já com uns anos de tarimba, que recebe e faz chamadas e envia e recebe SMS – precisamente aquilo que preciso – e mais nada…

Resolvi pelo telefone fixo chamar o meu telemóvel para tentar descobrir a sua localização na casa… e fiquei baralhado quando, em vez de tocar em algum ponto da casa, o telemóvel atendeu a chamada…

Seguiu-se uma conversa surreal: “Quem fala? – perguntavam-me... É o dono do telemóvel, quem é que o tem?...”. Enfim, abreviando, tinha sido esse meu familiar que, com o seu telemóvel no bolso, tinha resolvido adesivar o meu, que era em tudo semelhante… “Mas já estou a caminho para to devolver…”.

Vêm estas duas histórias a propósito de um conselho que vos quero dar: Não comprem deste material! Se querem evitar usar material caro, por ser objecto de cobiça de algum malandro, então usem material vulgar mas peculiar, que facilmente seja distinguido dos outros – evitando assim um desvio por parte de um amigo mais aluado…

Deixo-vos algumas sugestões. Usem bolsas com formatos invulgares ou de cores garridas, facilmente referenciadas. Aqui ficam alguns modelos possíveis.



Quanto aos telemóveis, se querem continuar a usar o vosso velhinho, em que confiam, ao menos vistam-lhe uma capa que o torne perfeitamente identificável – alusiva ao Homem Aranha, Hello Kitty (evitem estas se tiverem netinhos com telemóveis – eles podem ter capas iguais…), ou de equipas de futebol como o SCP, FCP e o SLB (evitem também esta última se ficarem ao pé do Vasco da Gama – ele também pode ter uma capa igual…).



Enfim, com algumas destas medidas talvez consigam evitar o desaparecimento das vossas coisas quando estão num ambiente ilusoriamente seguro. E sempre podem recorrer às velhas correntes normalmente usadas para segurar as bicicletas e motocicletas… Que mais não seja, para prender os bracinhos desse pessoal mais buliçoso…


Miguel Pessoa

6 comentários:

Hélder Valério disse...

Caríssimo Miguel

Conselhos prudentes e avisados.....
São de seguir! Muito mais aceitáveis que os que dei conforme indico a seguir.

Há já algum tempo, aquando da terceira vez que recebi um mail angustiado dum certo camarada nosso, cujo nome me escuso a referir, embora possa dizer que é 'descapotável' e tem a mania que é 'secretário' duma Tabanca qualquer lá p'rós lados da "Linha", e que dizia ter perdido o télélé e queria que lhe enviasse os números do pessoal, sempre o aconselhei a prender o aparelho com uma ponta de fio cuja outra ponta seria amarrada às bolsinhas do aparelho genital, pois assim talvez, mas só talvez, pudesse dar conta do tal aparelho.

Já devem ter percebido porque é que o nosso amigo tem a mania de, sempre que pode, tentar dar-me um chuto mas, a verdade, embora não sabendo se voltou, ou não, a perder o telemóvel, já não se falou mais nisso, tudo indicando que deve ter seguido o conselho.

Abraços
Hélder S.

Anónimo disse...

Boa tarde Miguel
A tua história é-me, em parte, familiar. E como tiveste a simpatia que não referir a identidade do "fulano" que em Monte Real te levou tudo, menos o carro, transcrevo em seguida um artigo de opinião que "saiu" num semanário da região de Alcobaça.
Segue-se a dita:
«Entre os 70 e os 80…acontece!
Aconteceu já há uns dias mas merece registo. Para assistir ao 45º Encontro da Tabanca do Centro , que teve lugar em 29 de Maio último desloquei-me a Monte Real, que fica a 40 kms de Alcobaça. Levei a minha maleta a tiracolo com os documentos do carro, cartões do multibanco e umas notas de dez e de vinte "aéreos". Mais uma vez com algum stress à mistura, terminado o almoço na Pensão Montanha, fiz uma despedida meio "à francesa" e pus-me a caminho de casa, onde teria que estar por volta das 16 horas para receber uma estante, que tinha entretanto encomendado. Antes de subir para casa lembrei-me que tinha de levantar dinheiro no multibanco. Peguei na maleta que tinha a meu lado, no banco do carro, e percebi rapidamente que não estava lá a minha carteira. Não estava nem podia estar porque "aquela" maleta não era a minha! Era parecida mas não era a minha. Consultando o seu conteúdo encontrei de imediato uma agenda e percebi que o proprietário era o Coronel Miguel Pessoa, que tinha ficado a meu lado no almoço de Monte Real. E continha o seu telemóvel e, "melhor ainda", as chaves do seu carro!!! Telefonei para o Chefe da Tabanca, que deveria estar a seu lado e acertei. O Joaquim Mexia Alves chamou o Miguel em pessoa e eu contei-lhe do meu engano "do dia"! Meia hora depois estava de novo em Monte Real e devolvi o que não era meu.Com as devidas desculpas, está claro. Entretanto já tinha encontrado a minha maleta que sempre estivera na mala do meu carro. Retorno a Alcobaça com mais 40 kms de A-8 e um total 12,80 euros de portagens…Toma e embrulha.
.

Podia continuar os relatos - e aumentar o "score" em meu desfavor de "golos" na própria baliza - mas resolvi não acrescentar os óculos perdidos (e achados) nem as quedas e cabeçadas em locais onde não se deve cair nem bater, e que já me valeram duas passagens pelo Hospital.
Apesar de tudo o primeiro "espalhanço", quando tirava uma foto de ângulo esquisito no Sítio da Nazaré valeu-me algumas elogios:- tinha "queda para a fotografia".
Resumindo e concluindo :- «Entre os 70 e os 80…acontece» … se não evitar situações de stress. Rima e é verdade .
JERO.

Anónimo disse...

E ainda dizem que as mulheres é que são cabeças no ar. Se a Giselda tivesse estado nesse almoço, nada disto tinha acontecido. Contudo achei graça ao acontecimento e vou tomar os conselhos que o Miguel nos dá, "não vá o diabo tece-las!..". Para o amigo Jero, foi mesmo um azar!.. e que pode acontecer a qualquer um.
Abraço para todos.
Mª Arminda

joseph disse...

Näo querendo entrar em acalorado debate quanto a MARICONERAS,e muito menos com os meus vizinhos finlandeses quanto à NOKIA, em total falência por há muito ultrapassada nos mercados...vou procurar ser positivo nas sugestöes.

Haverá certamente (também) por aí modelos de telemóveis adaptados, nas cores vivas, tamanhos enormes,teclado minimamente essencial,dotados de auxiliares auditivos e visuais,apropriados para umas "certas" idades em que QUASE tudo se confunde...menos estes modelos!

Na Florida dos Reformados, existem muito convenientes "bolsinhas" a serem colocadas frente ao peito (para näo incomodarem o movimento da cadeira de rodas)dispondo de uma pequena luz em cores vivas que funciona intermitentemente quando näo está colocada no seu lugar...ao peito!

Muitos inconvenientes,gasolina e tempo se teriam poupado em Monte Real.


Um muito solidário,e näo menos, compassivo abraco do José Belo.

Joaquim Mexia Alves disse...

Pois, eu sou testemunha involuntária da coisa!!!

Mas teve alguma graça, eu a explicar ao Miguel onde ficava a área de serviço e ele muito atento para depois dizer: mas ele levou-me também a chave do carro!!!

A única coisa que o Jero não levou, foi o próprio Miguel!!!

Abraços
Joaquim

JD disse...

Camaradas,
Confirmo que desde então, não voltei a perder o aparelho... nem o aparelhómetro.
Saudações leoninas