segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

P437: UM DEPOIMENTO ALINHADO, OU NÃO FOSSE DE CASCAIS...



O 4º ANIVERSÁRIO DA TABANCA DO CENTRO
NA BURILADA PERSPECTIVA DO ZÉ MANEL DINIS

Esta mania de sortear automóveis que deu à ministra das Finanças, está a constituir uma muito agradável surpresa. Esta afirmação tem sustentabilidade no encontro ocorrido em Monte Real no passado dia 31. Celebrou-se ali a passagem do 4º.aniversário da Tabanca do Centro, e se o fluxo foi numeroso, não se viram peregrinos ao longo das estradas e magnificas auto-estradas que para ali se dirigem. Mas as vias de comunicação mostraram movimentos inusitados de magníficos automóveis, onde os garbosos antigos combatentes se faziam transportar para a confraternização em torno do célebre cozido. Com a crise profunda que esmaga pensões e dilata os impostos, temos que reconhecer a óptima ideia de S.Exa. Que os deuses a protejam!

Entre os convivas destacava-se a armada de S.Exa. o Almirante de Buarcos, que fez deslocar grande parte da tripulação, com fanfarra e estandartes (estes artigos não chegaram e chegar, porque não tinham fome), todos numa comitiva de grande expressão e gáudio. S.Exa., ora pisando os perigosos caminhos da frente, ora no meio ou na retaguarda em consonância com a irrequietude e alegria que irradia. Viva o Gama (vasco da), saudavam-no dos passeios antes do encontro no café, onde se disfrutava de ondas de aperitivos.

Com uma aterragem perfeita, sem esforçar os travões, nem fazer chiar as rodas no pavimento, o também magnífico Pessoa nunca se desembaraçou do pára-quedas que passou a usar em posição frontal, sobre a região do abdómen. Acompanhava-o a delicada pára-quedista Giselda, que há muito se lhe afeiçoou e vem dedicando, mostrando à saciedade que lá do alto podem aterrar amores insuspeitos. Outro concorrente chegou acompanhado da sua Mercedes, sempre esbelta e magnífica. Simpático e sequioso, o aviador Matos logo providenciou por se integrar no grupo dos amigos que aquecem copos nas mãos.

Atarefado, e em permanente preocupação com o bom andamento do protocolo, o grande régulo Mexia em todas as direcções, distribuindo apertos-de-mão, sorrisos, e palavras encorajantes para o assalto que se avizinhava. Até aqui a reportagem baseou-se em revelações de fontes fidedignas, pelo que me desligo de responsabilidades.

Acompanhei o Marques e a Gina na viagem desde a Costa do Sol. Pelo caminho a coluna ainda englobou outros quatro valorosos comandados pelo Moreira. Passámos pelas hostes em adiantado estado de preparação para o ataque, sem que lhes despertássemos a mínima curiosidade, pois já se apresentavam numa formação de rebaldaria que caracteriza as acções destes homens bem treinados. Por entre a multidão ululante, ainda distingui o Sr. Abreu, que distribuía exemplares de um manifesto pessoal de aproximação à grande China.

Ao toque de apresentação, toda a gente desalinhou convenientemente no passeio, deixando os técnicos das fotografias em palpitações aflitivas, quando se deram conta de que não dispunham de grandessíssimas angulares onde coubesse toda a gente. Destaquei entretanto algumas figuras de renome mundial (o resto do universo não interessa para este relato), o Sousa, o Belarmino, o Reis, o JERO, e outros que entraram em turbilhão no meu espaço visual, mas formavam um conjunto de gabarito irrenunciável, com expressões de competência e determinação.

Após aquele acto solene da apresentação para a posteridade, começou a deslocação na direcção do objectivo. Alegravam-se mais as hostes que rapidamente venceram o estrangulamento da entrada e ocuparam estrategicamente as suas posições. Trocaram-se sinais secretos e estímulos para o bom apetite. A ala feminina, ainda antes dos toques para início da refrega, foram presenteadas com o sorteio de três pratos em cerâmica genuína local, de fino recorte e decorações pictóricas. Dois elementos aproveitaram a confusão para, no aproveitamento do conjunto legislativo que veio consignar a legitimidade dos casamentos entre pessoas do mesmo género, declaram que tinham decidido juntar os seus destinos, mas que ainda não tinham decidido se iriam adoptar por ser fufas ou panascas, apenas por uma indecisão estética. Estavam nisto, quando foi anunciado o número que atribuiu o primeiro prato: foi o dois, e logo um dos membros do casal gritou, DUAS! SOMOS NÓS! Só não ganharam o prémio em sorteio, depois de lexicamente vencidas pela verdade irrevogável de que o Dois nunca se pronuncia Duas.

Comeram-se chispes, chouriços de sangue, morcelas e farinheiras, entrecosto e saborosas carnes de vaca e de porco, sempre acolitados por fartura de couves, batatas, nabos e cenouras genuínas, algumas ainda traziam pedaços da raiz, que comprovavam a autenticidade. Não houve nem desastres, nem vinho entornado, estava tudo a correr bem. Até que começaram os mais lestos a inundar a área das sobremesas, e de tal forma o fizeram com êxito espectacular, que foi necessária um segundo e um terceiro reabastecimentos, sem que fosse necessário qualquer toque para retirar. A tremenda vitória foi celebrada com vinhos finos e mistelas da Escócia que são muito apreciadas por esta juventude guerreira, depois do serviço de cafés que teve a função de garantir a espevitadela do regresso aos bravos heróis desta confraternização. Aos oitenta mastigantes, número que incluiu alguns periquitos e deixou na enfermaria alguns veteranos vítimas da velocidade na afirmação, envio os meus votos para que da próxima possam caber mais alguns no campo de batalha.    

José Manuel Matos Dinis

6 comentários:

Hélder Valério disse...

Caros amigos

Aqui está uma reportagem na linha das que o Zé Dinis costuma fazer sobre a "Linha".

No essencial 'cobre' tudo, com aquele seu jeito observador.
E mesmo ligeiramente 'lesionado' (reparem no efeito da lâmina nova no seu queixo, conforme se vê na foto) manteve a boa disposição para se tentar 'infiltrar' a fim de ganhar um dos pratos sorteados, o n.º 2, conforme ele recorda sem que, modestamente, refira o seu nome como sendo um dos pretendentes falhados.

Abraço
Hélder S.

JD disse...

A reportagem saíu com várias falhas de conjugação verbal, do que peço desculpa, entre outras mazelas próprias de um texto tão politicamente comprometido.
Deve ter resultado da falta de energia, pois calhou-me em sorte (ou azar?) ficar sentado à mesa com dois ábituês das almoçaradas, o Bélar e o Sousa, individuos que palmilham km para dar ao dente, e alinharam a travessa conforme as suas conveniências.
Para a próxima vou comer na cozinha.
JD

Anónimo disse...

Obrigado pelo teu contributo, Zé Dinis.Gostei de ler o teu texto que me fez rir.

Será que para a próxima tu e o teu amiguinho vão ganhar algum prato?

Não te preocupes com eventuais dislates de conjugação verbal pois cá por casa não há a prática da recensão feroz, mas antes o são convívio "mastigante" alicerçado numa sã e verdadeira Camaradagem, onde cabem todos os Combatentes.

Pena que não possas aparecer mais vezes e não tenhas trazido contigo o nosso Amigo Jorge Rosales.

Um abraço amigo do

Vasco A. R. da Gama

MANUEL OLIVEIRAMAIA disse...

OLÁ ZÉ DINIS,

FOI UM REGABOFE DE RISO ESTE TEU BEM HUMORADO ESCRITO SOBRE UM DOS ACONTECIMENTOS NACIONAIS DE MAIOR RELEVO... " O ATAQUE À VITUALHA" EM MONTE REAL,NESSA TABANCA DO CENTRO CONHECIDA ALÉM FRONTEIRAS...
COMO SEMPRE,A AVALIAR PELOS TEUS RASGADOS ELOGIOS QUE SE JUNTARAM A OUTROS TESTEMUNHOS,FOI UM GOLPE DE MÃO BEM CONSEGUIDO NESSE ESPAÇO DE AMIZADE QUE A MALTA DO CENTRO CRIOU. ABRAÇO PARA TI E PARA TODO O "MUNDO COMEDOR"...

joaquim disse...

Caro José Dinis

Foi um prazer rever-te aqui pela Tabanca do Centro.

Tens sempre um modo de escrever que me abre um sorriso, por "ver" como "vês" o que eu "vejo".

Obrigado.

Um abraço amigo e ... volta sempre
Joaquim Mexia Alves

Anónimo disse...

Boa noite JD
Mais vale tarde que nunca...Gostei muito de te ver e...de te ler. Continuas em alta. Bora viver.
Grande abraço de Alcobaça.
JERO