quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

P985: NO LANÇAMENTO DE MAIS UM LIVRO

Artigo sobre o nosso camarigo Lúcio Vieira  reproduzido, com a devida vénia, de


TORRES NOVAS

UM PRÉMIO PARA O “POETA MAIOR”
QUE O PAÍS NUNCA RECONHECEU

Reportagem de  Cláudia Gameiro


 Poeta de Torres Novas venceu o seu primeiro prémio 
depois de uma vida dedicada à poesia
Foto: mediotejo.net

Figura reconhecida no circulo literário e do teatro torrejano, foi uma surpresa “sem surpresa” a notícia de que António Lúcio Vieira fora escolhido como o vencedor do Prémio Literário Médio Tejo Edições, na categoria de poesia. Disso deram conta os seus amigos aquando a apresentação da obra vencedora “25 poemas de dores e amores”, no sábado, 16 de dezembro, lançada a nível nacional através da nova chancela da Médio Tejo Edições, a Origami.

“longa e insana noite dos desassossegos
que cruz esta minha porquê estes pregos
que silêncio é este que me cava a sorte
porque me és eterna bem mais do que a morte”

in 25 Poemas de dores e amores, pp.41
  

 O cravo é a imagem de marca do livro de António Lúcio Vieira. É um símbolo de liberdade 
mas também do amor,  em alguns países. Na foto, o poeta com a editora Patrícia Fonseca. 
Foto: mediotejo.net

“Isto é da melhor poesia que já li”, afirmaria António Matias Coelho, presidente da Associação Casa-Memória de Camões e membro do júri, ao ler o poema da página 41, o que mais o marcou, e ditaria a sua predilecção pela obra, então anónima, que venceria o Prémio Literário Médio Tejo Edições, uma iniciativa com o apoio do TorreShopping que visa revelar talentos regionais. “Eu não conhecia o António Lúcio Vieira, nunca tinha lido nada dele”, reconheceu, frisando que o que conheceu dele durante todo o processo de análise das obras de poesia a concurso foram apenas as suas palavras. “Havia outros trabalhos igualmente merecedores” da vitória, mas a obra de António Lúcio Vieira alcançaria a unanimidade.

Na apresentação do livro, António Matias Coelho descreveu o vencedor como “um poeta maior”, um “mestre da palavra”. “Não é um poeta regional, é um poeta nacional”, salientou, mas que nunca teve o devido reconhecimento.

A mesma opinião foi partilhada pelo músico Pedro Barroso, presente na apresentação e autor do prefácio da obra, que o consideraria “um caso enorme de injustiça no tecido cultural” literário. “Fiz tertúlia com muitos poetas famosos que não têm a profundidade deste homem”, afirmou. “O António Lúcio Vieira é uma figura maior, é um poeta maior da poesia portuguesa”, com um “domínio da língua que não é vulgar”.

“O António Lúcio Vieira não precisava de ser descoberto. Mas precisava de ser acarinhado e precisa, com toda a certeza, de ser mais promovido, para que o seu talento possa ser reconhecido a nível nacional”, salientou Patrícia Fonseca, editora da Médio Tejo Edições, admitindo que o nome do poeta era desconhecido de três de quatro membros do júri.

Também presente na ocasião, o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, recordaria um amigo que é “como um irmão” e que possui um “dom” há muito reconhecido pelos que o rodeiam.

António Lúcio Vieira descreveria o livro como a sua “melhor poesia” e “a mais madura”, sendo que os poemas desta obra foram todos escritos nos últimos dois anos. Na sua intervenção lembrou que esteve às portas da morte, não tendo ido receber o prémio no Torreshoping quando este foi anunciado, em setembro passado, e que chegou a pensar que esta acabaria por ser uma obra póstuma. Não foi e encontrou um auditório composto no sábado, na Biblioteca Municipal de Torres Novas, onde vários amigos declamaram alguns dos seus poemas.

O poeta é conhecido em Torres Novas sobretudo pelo seu trabalho como dramaturgo, tendo ainda trabalhado como jornalista no jornal local “O Almonda”. O seu primeiro livro de poesia data de 1974, publicando várias outras obras ao longo da vida. Natural de Alcanena, vive em Torres Novas desde a juventude. E é nesta cidade que, promete, continuará a escrever, fintando a solidão das noites e as agruras dos dias.


4 comentários:

joaquim disse...

Muitos parabéns e longo e frutuoso sucesso para o autor e as suas obras.

Abraço do
Joaquim

Carlos Pinheiro disse...

Reconhecimento merecido. Finalmente.
Um abraço

Carlos Pinheiro

Antonio Sousa disse...

Parabéns amigo Lúcio Vieira que tenhas muita sorte de António Sousa

Manuel Lopes disse...

Parabens Lucio.
Sera um prazer comprar o teu livro assim que chegar a Portugal, la para fins de Maio.
Um abraco e continua, porque parar e morrer e nos nao queremos que morras.