sexta-feira, 18 de setembro de 2015

P696: VASCO DA GAMA - UMA DE FARMÁCIAS

HISTÓRIAS FARMACÊUTICAS VERDADEIRAS

A errática Tabanca do Centro publicou há uns meses a esta parte um conjunto de historietas acontecidas em farmácias, da autoria do nosso ilustre camarigo JERO, jornalista de Alcobaça e Homem com obra publicada. Eu, pobre aprendiz da “escrevinhação”, vou atrever-me também a contar uma história, verdadeira, que me foi relatada há umas semanas por um amigo de há muitos anos, amizade que reciprocamente dedicamos desde os tempos do Jardim Escola.

O que vos conto aconteceu em inícios da década de cinquenta, alguns de nós ainda não nascidos, outros muito crianças, mas com memória capaz de saber como funcionavam as farmácias que, para além de cumprirem a sua função de venda de medicamentos, eram também locais de tertúlia e de “consultório médico”, pois médico era uma profissão que rareava nas cidades e vilas da província.

Até no meu imponente Buarcos lindo sempre à frente da extinta freguesia vizinha de São Julião, existia apenas um médico, por sinal primo direito do meu pai, o Dr. Fernando Traqueia, autêntico João Semana, hoje perpetuado num busto que o povo de Buarcos em justa homenagem lhe dedicou.

A farmácia, que ainda hoje existe com o mesmo nome, e onde se passou o que vos relato, situada na Figueira da Foz, não fugia à regra no auxílio aos fregueses mais assíduos e próximos, com “consultas” de carácter mais intimista e de desenrascanço, a melhor arma do português.

O ajudante de farmácia, Monito de sua alcunha, desenrascava tudo e todos, sempre com ar dominador de dentro do balcão, capaz de atender duas ou três pessoas ao mesmo tempo e é um dos personagens principais, a par do “cliente” J.A., empregado, na altura, na Hidráulica da Figueira da Foz.

O senhor J.A. era um homem atarracado, a puxar para o forte e por demais conhecido pelas suas aventuras amorosas. Muito pouco praticante da castidade, da abstinência sexual e da fidelidade conjugal, era cliente habitual, que se apresentava ao Monito sempre com queixas de doenças venéreas, referência a Vénus, deusa etrusca do Amor!

Falavam em código, e um belo dia, após tratamento aturado do Monito, o senhor J.A. entra na farmácia com um sorriso rasgado e logo o Monito lhe pergunta de dentro do balcão, com a farmácia cheia de gente:

- Então, Senhor J.A., o “braço” está melhor?

- Muito melhor! Já mijo bem!

Dr. Seringa, historiador da FRELIBU

4 comentários:

Joaquim Mexia Alves disse...

Desculpa, não percebi???

Ele mijava pelo braço???? eheheh

E se bem me lembro nesses tempos quem vendia as "camisinhas" eram os barbeiros nas aldeias!!!

Grande abraço Vasco
Joaquim

José Eduardo Oliveira disse...

Excelente estória, Camarigo Vasco da Gama. Grato pela referência ao velhote de Alcobaça que muito te estima e aprecia.
Grande abraço,
JERO

Anónimo disse...

Engraçada a história. Pois foi coitado do Sr., fugiu-lhe a boca para a verdade. Um abraço amigo Vasco.
Mª Arminda

joao costa disse...

Melhoras para o companheiro e Sr Vasco grande abraço