
Mas já nos tínhamos cruzado há
quarenta anos, em 1971/72, sendo eu um jovem tenente colocado na BA5 para ganhar
a minha qualificação nos aviões F-86 e Fiat G-91 e assim poder avançar para a
minha comissão em África. O amigo Óscar era um dos funcionários que nos
“tratava da saúde” na messe de oficiais da Base, pois era um dos empregados de
mesa que ali trabalhava.
Sendo solteiro e longe do meu
habitat aproveitava o tempo para entabular conversas mais ou menos prolongadas com o
pessoal que nos apoiava, e rapidamente descobri que o Sr. Óscar (vamos só
chamar-lhe Óscar, que não lhe sei o apelido e não gosto de associar o “Sr.” ao
primeiro nome…), bom, o Óscar era um bom relojoeiro e tinha um razoável stock de material para fornecer ao
pessoal.

Saímos aliás os dois um bocado
maltratados desse episódio, pois se eu tive que recuperar da coluna e da perna,
o relógio depois de levar com 18 Gs de aceleração perdeu o botão que accionava
o cronómetro e dobrou o ponteiro do cronómetro, que encalhava na marca dos 25
segundos…
Quando regressei da Guiné fiz
chegar o relógio ao Óscar, para uma revisão/reparação completa que o tem
mantido a funcionar até aos dias de hoje.
Regressei à BA5 para comandar o
Grupo Operacional e voltei a encontrar o Óscar, que por lá se mantinha. Achei
então que estava na hora de arranjar material mais avançado e decidi
comprar-lhe um novo relógio, de quartzo. Estávamos então em Outubro de 1985.
Fiquei desconfiado quando ele me disse que a pilha duraria cinco anos e
verifiquei que não era bem verdade, pois tive que mudar a pilha em Outubro de
1995, portanto… dez anos depois…
Mas, tenho pensado eu – o Óscar
está reformado, eu estou reformado; não será altura de reformar também os dois
relógios e deixá-los descansar calmamente na gaveta, com os achaques próprios
da sua idade?
Miguel Pessoa
5 comentários:
Este artigo sobre relógios fez-me recordar também uma história com o meu 1º relógio. Era um ZINAL, fabricado na òmega segndo dizia o relojoeiro. Ainda é "vivo" e ainda o guardo e de vez em quando ponho-o a funcionar, foi-me dado pelos meus pais quando eu fiz a 4ª classe e a admissão à Escola Industrial em 1956. Custou na altura 502$50. Não era uma fortuna mas era muito dinheiro para quem tinha pouco.
O Zinal acompanhou-me sempre. Na Escola, no 1º emprego, na tropa e lá foi comigo para a Guiné. Mas deu-se mal com o clima. Parou ao fim de dois ou três meses. Não se aguentou. Foi evacuado e foi cá arranjado, bem limpo e bem seco, porque estava cheio de humidade.
Lá tive que comprar um SEIKO 5, na loja do meu parente, o Costa Pinheiro, que era Agente da SONY, da SUZUKI, da NIVICO, da TOYOTA, para além da SEIKO.Ainda hoje o guardo e que também funciona mesmo como um relógio.
Carlos Pinheiroceernar odelaam
Caro Miguel
Sempre foste um homem sensato (assim acho) e portanto a decisão final, o do repouso dos relógios que, a avaliar pela foto, fazem companhia um ao outro, foi uma decisão sábia.
Quanto a relógios... lá pelos meus lados não havia dinheiro para esses luxos... um "Cauny prima" de contrabando e vivó velho! Lá na Guiné, em Bissau, comprei um Tissot (ainda o tenho) na casa "Salgado e Tomé" sendo que este "Tomé" era um familiar do Capitão e depois Major Mário Tomé.
Agora não uso! Guio-me pelas estrelas e pela noção do tempo... sendo também verdade que às vezes consulto o relógio do carro, o do telemóvel e o do computador.
Abraço
Hélder S.
Tive um relógio que me acompanhou sempre na Guiné.
Passados uns anos esquecido numa gaveta, quando o reencontrei dei-lhe corda e ... voltou a trabalhar sem problemas!!!
É um Kienzle acho que é assim que se escreve.
Miguel
manda arranjar o relógio e guarda-o porque é uma óptima recordação.
Um abraço
Joaquim Mexia Alves
Os relógios são algo de estranho e transcendente, nunca somos os seus verdadeiros donos, apenas os guardamos para os nossos descendentes.
Amigo, o relógio é uma peça de que todos nos lembramos quando pela primeira vez o usamos. O meu primeiro com o registo dos segundos, foi quando entrei no curso de enfermagem para registar os batimentos cardíacos,(as pulsações). Ficou em 1962 esquecido num hotel em Madrd, mas os "nuestros irmanos", devolveram-me pelo correio após o meu alerta.Outros tive, pela vida, avariados, mas mesmo assim guardo-os de recordação, como o meu amigo fez aos seus. Estão no cofre das recordações. Um abraço Mª Arminda
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