terça-feira, 25 de setembro de 2018
sábado, 22 de setembro de 2018
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
terça-feira, 18 de setembro de 2018
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
P1055: MEMÓRIAS DAS GUERRAS COLONIAIS
A
GUERRA COLONIAL"
O investigador Miguel Cardina, que recebeu no ano passado uma bolsa de 1,4
milhões de euros do Conselho Europeu para a Investigação para coordenar o
projeto CROME, que aborda as memórias das guerras coloniais, esteve há dias na
Nazaré para apresentar um livro e explicou ao REGIÃO DE CISTER o que o atrai no
estudo da Guerra Colonial.
Colaboro neste semanário há já alguns anos e tive acesso ao texto da entrevista
que reproduzo seguidamente, começando com alguns elementos biográficos do
entrevistado.
Miguel Cardina
Historiador e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de
Coimbra. Recebeu em 2016 a bolsa Starting Grant do European Research Council
(ERC - Conselho Europeu para a Investigação) na qualidade de coordenador do
projeto de investigação «CROME - Crossed Memories, Politics of Silence. The
Colonial-Liberation Wars in Postcolonial Times».
É autor ou co-autor de vários
livros, capítulos e artigos sobre colonialismo, anticolonialismo e guerra
colonial; história das ideologias políticas nas décadas de 1960 e 1970; e
dinâmicas entre história e memória.
REGIÃO DE CISTER
(RC) > Como é que surgiu o interesse pelo tema do colonialismo?
Miguel Cardina (MC) > Surge na sequência do trabalho que desenvolvi
anteriormente. Fiz a formação superior em Filosofia e depois em História, tendo
começado desde logo a estudar o século XX português, nomeadamente nas décadas
de 1960 e 1970. E a Guerra Colonial é o grande acontecimento da segunda metade
do século XX português, embora muitas vezes silenciado.
Esse interesse acabou por dar origem a um projeto, que foi financiado pela
União Europeia e que me confere as condições para desenvolver um trabalho sobre
a memória da Guerra Colonial e das lutas de libertação em perspetiva comparada,
entre Portugal e as antigas colónias.
RC > Ainda há,
digamos, muitos recalcamentos na sociedade portuguesa sobre a Guerra?
MC > Não diria tanto. Para percebermos o modo como a sociedade
portuguesa lida com este tema é interessante fazermos uma retrospetiva
histórica. A seguir ao 25 de Abril, que foi feito por militares e para terminar
com a Guerra, os portugueses passaram a cuidar do seu presente e tenderam a
esquecer um conflito que tinha tido um desfecho negativo e que deixara sequelas
físicas e psicológicas naqueles que a combateram. Isto já para não falar do
retorno dos cerca de 500 mil portugueses que voltam à metrópole.
Há duas vagas importantes: aos 120 mil soldados que combateram em 1974, sem
falar nos 800 mil que combateram nas diferentes frentes desde 1961, há as cerca
de 500 mil pessoas que retornam a Portugal. E há todo um processo de mudança
política que torna o Estado Novo e a Guerra Colonial algo de um passado indesejável.
Isso faz com que Guerra seja um evento difícil de recordar nos primeiros anos
após a revolução. E nos anos seguintes também, porque se queria esquecer a
ditadura e o colonialismo.
Por outro lado, mexer com a Guerra era mexer com a violência colonial, os
massacres, com toda a dimensão disruptiva que as guerras têm e que as
sociedades tendem a querer esquecer. Portanto, só na década de 1990 é que a
Guerra Colonial volta a surgir no espaço público. Dá-se uma monumentalização do
conflito, começam a surgir diversas publicações de ex-combatentes e também uma
certa ideia do soldado como vítima. E isso aparece muito associado ao
reconhecimento do stress pós-traumático como uma realidade.
Hoje vivemos noutro paradigma. Muitos ex-combatentes querem recordar os acontecimentos
e começam a contar as suas histórias. A Guerra do Ultramar tem vindo a ser
falada no espaço público, mas de uma maneira que nós, no projecto,
classificamos como permanências do lusotropicalismo, que foi uma teoria
adoptada pelo Estado Novo, sobretudo a partir da década de 1950, descrevendo o
colonialismo português como menos violento e mais ‘miscigenador” relativamente
aos outros colonialismos.
O que queremos dizer com isto é que o conflito é visto de uma forma que dá
a entender que Portugal foi mais brando na guerra. Além disso, todos os
testemunhos vão no sentido de uma certa estranheza. O País foi levado para uma
guerra não se sabe muito bem porquê e quem regressa sabe que perdemos a guerra,
mas também não se sabe muito bem por que a perdemos.
RC > O
surgimento de tantos blogues e referências digitais com referências à Guerra
torna mais difícil ou mais fácil o trabalho dos historiadores?
MC > Para nós, no projecto, é uma vantagem, porque não estamos a fazer
história da Guerra. Não estamos a retratar o que aconteceu. Estamos a fazer uma
história da memória, de como é que as representações da guerra mudaram no
pós-guerra. Tudo aquilo que venha somar informação de como a sociedade e os
indivíduos viveram a guerra tem interesse, pois é uma fonte. Inclusive, uma
parte do projeto visa aquilo a que chamamos de memórias digitais, que aborda os
blogues e os grupos no Facebook.
Também isso tem vindo a mudar. A lógica de autopublicação fomentou a
memorialização da guerra e hoje o universo dos blogues perdeu expressão, mas há
alguns que mantêm grande dinâmica.
RC > Num estudo
que fez identificou 8 mil desertores da Guerra do Ultramar. De que maneira
essas pessoas foram julgadas pela sociedade?
MC > Cheguei a esse número num projeto que tive anteriormente com a
Susana Martins, e que foi um trabalho muito difícil, pois tivemos de cruzar
informação de muitas fontes de diferente proveniência. Chegámos a um número que
superava os 8 mil, mas que ainda assim peca por defeito. Faltam muitos dados
oficiais. Ao mesmo tempo, esse é um número que tem em conta várias realidades:
há militares que desertavam antes de ir para a Guerra e esse grupo é o mais
expressivo; depois há quem deserte já em África, o que era mais difícil de
fazer; e há um terceiro grupo, os africanos que estão incorporados nas tropas
portugueses.
São universos e tipos de pessoas muito diferentes. A instituição militar
sempre entendeu o acto de desertar como um acto desonroso e houve vários
militares julgados, mas hoje percebemos que a figura do desertor é muito
complexa.
RC > Saber que
se vai liderar um projeto desta dimensão não acontece todos os dias na vida de
um investigador. Como foi o dia em que recebeu a notícia de que a bolsa tinha
sido aprovada?
MC > Estava à espera de uma notícia, porque o projeto tinha passado à
2.ª fase, já tinha feito a entrevista em Bruxelas que consta do concurso e esta
era a segunda vez que concorria. Na primeira candidatura, ano e meio antes,
tinha recebido uma resposta negativa, pelo que quando recebi a aprovação li
várias vezes o documento (risos). É uma bolsa com muito dinheiro, que nos
permite construir uma equipa, o que é muito difícil conseguir na investigação
em Portugal. Somos nove pessoas e vamos ter um filme associado.
Um projecto desta dimensão, que pretende comparar a memória da guerra com
os outros países africanos, só faz sentido com uma equipa destas. A equipa está
dividida em contextos regionais e temos tido grande receptividade nesses
países.
O livro “As Voltas do Passado: a guerra colonial e as lutas de
libertação” [apresentado recentemente na Feira do Livro da Nazaré, que
coordenou com Bruno Sena Martins e que resulta do projeto CROME] foi muito bem
recebido, porque é uma obra com textos de autores portugueses, angolanos,
guineenses, cabo-verdianos, moçambicanos, etc. E isso não é comum. Estamos
sempre a querer trabalhar de forma articulada.
A entrevista que reproduzo foi feita pelo Diretor do “Região de Cister” Joaquim Paulo e foi publicada nesse periódico em 18 de Agosto de 2018.
JERO
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
P1053: EM LEIRIA - HOMENAGEM AOS COMBATENTES
Da Direcção do Núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes recebemos a seguinte informação:
7º ENCONTRO DOS COMBATENTES
- A Cerimónia de Homenagem aos Combatentes do Concelho de Leiria realiza-se no dia 16/09/2018. (Domingo)
- Inscreva-se na sua Junta de Freguesia ou na Liga dos Combatentes-Núcleo de Leiria.
O programa é o seguinte:
14:45 - Celebração da Eucaristia (Sé de Leiria)
15:30 - Concerto pelo Coro AdesbaChorus (Sé de Leiria)
16:30 - Cerimónia de Homenagem aos Combatentes (Largo 5 de Outubro)
17:30 - Lanche Convívio (Mercado de Sant'Ana)
domingo, 2 de setembro de 2018
P1052: UMA TRISTE NOTÍCIA
.
Chega uma pessoa de um almoço
domingueiro em família e abre estas
novas tecnologias de comunicação e depara-se com uma notícia: Morreu o
Joaquim Carlos Rocha Peixoto!
.
UMA PORÇÃO DE GUINÉ!
![]() |
| Joaquim Peixoto |
De repente, do meio do calor
da Marinha Grande, chega o calor da Guiné e sinto-me transportado para aquelas
terras ou sei lá eu bem para onde!
Pergunto-me se o conhecia
assim tão bem e chego à conclusão de que não, mas a sua bonomia, a sua
simpatia, o seu olhar sereno, confiante, camarigo, ligado ao da sua mulher, Margarida,
transporta-me para uma realidade que queria longe de mim e que é o saber que
nós, os camarigos, vamos partindo, e que não sei se deixamos história, se
deixamos sentimentos, se deixamos alma lusa, para motivar os vindouros, que já
cá vão estando!
O Joaquim Peixoto era a
serenidade em pessoa, pelos menos para mim, e na sua partida, chora-me o
coração de camarigo, mas anima-se a minha alma de cristão: Ao homem bom Deus
recebe sempre no seu amor!
Sirvo-me da expressão popular
e desejo que a “terra lhe seja leve”, porque aos homens bons Deus toma-os nos
seus braços e leva-os para a eternidade!
A ti, meu amigo, camarigo,
Joaquim, como eu, junto-me em oração à tua Margarida, à tua família, e espero
que lá no “assento etéreo a que subiste”, nos relembres sempre junto daqu’Ele
que é a vida, para que também nós a ti nos juntemos um dia, fazendo de um
bocadinho do Céu, uma porção de Guiné!
Marinha Grande, 2 de Setembro
de 2018
Joaquim Mexia Alves
sábado, 1 de setembro de 2018
P1051: OS MEUS CARROS DE SOLTEIRO – 3
UM
CLÁSSICO… QUE AINDA MEXE?
| Miguel Pessoa |
Nos
textos anteriores referi-vos a aquisição dos meus dois primeiros carros, o
Hillman Imp e o NSU TT 1200. Vou hoje falar-vos da terceira e última aquisição que
fiz nesta minha fase de solteiro. E, acreditem ou não, a escolha foi feita
através de uma fotografia, como se faz nos casamentos por correspondência!
Estávamos
em Junho de 1970 e já tinha garantida uma estadia prolongada no Hospital
Militar, na Estrela, na sequência do acidente em que tinha destruído o meu
segundo carro, o malogrado NSU TT. A recuperação da fractura do colo do fémur
ir-me-ia manter acamado por um período de dois meses, com a perna direita em
tracção com 4,5 kgs de pesos para permitir a calcificação da zona da fractura.
Para
me entreter ia pensando na possibilidade de adquirir um novo carro e, vendo o
meu entusiasmo, o meu Pai não quis deixar de me apoiar e movimentou-se junto de
conhecidos numa primeira prospecção do mercado. Liso como estava, e ainda a
pagar as prestações dos dois carros (…), não era muito esquisito com o que
podia arranjar, embora preferisse um carro “com pinta”, mesmo já com alguns
anos de uso. E assim posicionaram-se dois candidatos, um Mercedes 190 SL descapotável
e um Alfa-Romeo Giulietta Sprint Veloce, de que o meu Pai teve o cuidado de
obter umas fotos, para eu analisar… e decidir.
Finalmente,
já a caminho da recuperação, decidi-me pelo Alfa-Romeo, um modelo com 9 anos de
idade mas com razoável aspecto. Contei para isso com o apoio do meu Pai, que me
emprestou os 35 contos necessários para a transacção. E no dia da minha saída
do Hospital, ainda armado de canadianas, lá tinha o Alfa à porta para me levar
para casa!
E
falo das canadianas porque tinha havido um cuidado muito especial do meu médico
alertando-me para a necessidade de uma cuidadosa recuperação para evitar
sequelas. Por isso durante um período razoável, embora guiando o carro,
transportava sempre as canadianas comigo para os percursos a pé. E mesmo quando
ia para as discotecas só as largava para dançar…
O
carro era um modelo 2+2, com lugares apertados atrás, mas cheguei a levar 5 ou
6 ocupantes no carro… Tinha alguns requintes de carro fino, com estofos em
cabedal e uma posição de condução espectacular, a que se juntavam algumas
mazelas do uso, tal como a 2ª velocidade que por vezes arranhava quando entrava;
o travão de mão posicionado por baixo do tablier, à esquerda do volante, também
não era muito prático. O escape era ruidoso, como era hábito ter naquele tempo,
e o depósito de gasolina, enorme (80 litros), tinha já em suspensão muita
porcaria, o que originava que acima dos 150 km/hora o carro podia engasgar-se por
entupimento dos carburadores… E os dois carburadores Weber duplos também não
eram muito poupados, o que me levava a fazer médias de 10 litros aos cem…
Lembro-me
da cara dos funcionários das bombas ao atestarem o carro e da sua preocupação,
depois de metidos os primeiros 50 litros, de olharem para baixo do carro a ver
se havia alguma fuga pois não acreditavam que pudesse levar tanta gasolina!
Foram
mais as coisas boas que as más e devo dizer que este carro me deixou muitas
saudades, tendo-me acompanhado durante dois anos nas viagens que fazia de e
para a Ota e posteriormente de e para Monte Real, e em todas as passeatas que
fui fazendo ao longo desse período.
O
carro acabou por ter um fim prematuro nas minhas mãos quando na viagem final de
Monte Real para Lisboa, a poucos dias do embarque para a Guiné, o motor se
finou quando percorria as rectas de Rio Maior a 130 Kms/hora. Trazido por
reboque para Lisboa e dispondo eu de pouco tempo para grandes decisões, acabei
por vender o carro como salvado ao meu mecânico, por 6 contos…
A
história poderia acabar aqui, pois entrei então numa fase da minha vida em que
optei por não ter carro nenhum… até casar. Mas, curiosamente, no ano de 2010,
tendo visitado na FIL a Feira de Carros Clássicos, no meio de todas as máquinas
em exposição deparei com uma foto bastante ampliada de um Alfa-Romeo em tudo
semelhante ao que eu tinha tido… e mais espantado fiquei ao ver a matrícula
(GF-83-27), precisamente a matrícula do meu antigo carro!
Só
posso imaginar que algum apreciador da marca tenha resolvido investir na
recuperação total do carro – e por aquilo que se pode apreciar nas fotos fê-lo
com algum cuidado, devolvendo-lhe a cor vermelha original (no meu tempo o carro
era côr de laranja), colocando-lhe os retrovisores do modelo original e
certamente tendo considerado muitos outros pormenores que a foto não deixa perceber.
Presumo
aqui que o carro rodava ainda 50 anos depois do seu fabrico (!) e que uma
recuperação destas não é posta de parte de ânimo leve por um apaixonado pelos
carros clássicos, pelo que tenho a certeza que ele andará ainda por aí, embora
de mansinho, devido à idade…
Ah!
E tenho a ideia de que quando embarquei para a Guiné já tinha acabado de pagar
os três carros!
Miguel Pessoa
Subscrever:
Mensagens (Atom)















