segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

P1575: ALGO MUITO NOSSO

                                               A SAUDADE

A saudade é coisa boa, mas que ao mesmo tempo faz doer o coração. 

Acho que só nós Portugueses sabemos bem o que é a saudade.

Claro que outros povos sentem talvez a mesma coisa, só não conseguiram foi dar-lhe um nome onde tudo coubesse, como a nossa saudade.

Na nossa saudade cabe tudo.

Cabe o sentimento de ausência, a força do amor, a ternura do momento, o carinho experimentado, a alegria do conhecimento, a intimidade da amizade, a força da entrega, a presença invisível, a lágrima que é chorada, o sorriso do reencontro, a delicadeza da memória, a tristeza do não estar, o silêncio da recordação, a vida que foi vivida, a partida, a chegada, o abraço interminável, o não saber, o existir, o viver, o tudo e o nada, o ter presente quem está ausente.

Realmente a saudade é um sentimento muito Português, porque só os Portugueses partem e chegam sem nunca saírem de Portugal.

Joaquim Mexia Alves   

sábado, 24 de janeiro de 2026

P1572: COM INTERESSE PARA OS COMBATENTES

            NOVA LEGISLAÇÃO DE COMPARTICIPAÇÃO

                               NAS FARMÁCIAS

Para aqueles/as que tenham o estatuto de pensionista e de Antigo Combatente, informamos que entrou em vigor a nova legislação de comparticipação nas farmácias, que poderão conhecer no ficheiro que juntamos.

sábado, 17 de janeiro de 2026

P1570: LEMBRANDO OS PRIMÓRDIOS

        16º ANIVERSÁRIO DA TABANCA DO CENTRO

 Caros Camarigos

O 110º Encontro da Tabanca do Centro, a realizar em 30 de Janeiro, é também a comemoração do 16º aniversário dos nossos encontros, pois o primeiro teve lugar no dia 27 de Janeiro de 2010.

Assim sendo esperamos que todos se disponibilizem para estarmos juntos nesse dia, comemorando este aniversário.

O tempo vai passando e os anos vão aumentando a passos largos, por isso, mais do que nunca, devemos juntar-nos para fazermos festa recordando o que passámos, o que vivemos e, sobretudo, aqueles que connosco estiveram e já nos deixaram, guardando-os assim nas nossa memórias e nos nossos corações.

Sabemos bem que só nós Combatentes conseguimos perceber as nossas histórias, os nossos medos, as nossas bravatas, enfim, tudo aquilo que vivemos e ainda de quando em vez se trona presente em noites mal dormidas.

Cá vos esperamos pois, no dia 30 de Janeiro, para fazermos a festa juntos.

Abraços dos

Miguel Pessoa e Joaquim Mexia Alves

domingo, 21 de dezembro de 2025

P1566: UM CONTO DE NATAL

                                         ENCONTRO  DE  NATAL

Que porcaria de vida, pensou ele com os seus botões.

Afinal era tão bom a dar conselhos e não os conseguia aplicar na sua vida.

Tinha tentado controlar tudo tanto e tão bem, que acabou por fazer o vazio à sua volta e nada mais lhe restava a não ser um pouco do seu orgulho e teimosia em viver assim.

Nada lhe faltava financeiramente e até tinha muitos amigos.

Quando pensou nos amigos sorriu interiormente porque tinha bem a noção de que os amigos que tinha, nada tinham a ver consigo, pois eram fruto apenas da vida dispersa que levava e, verdadeiramente, se precisasse deles nenhum apareceria.

Nem a família lhe restava, porque ao tentar controlar tudo e todos, a mulher e os filhos tinham acabado por se afastar de si.

Afinal tinha tudo e… não tinha nada.

Era dia vinte e quatro de Dezembro, e a véspera de Natal fazia-o sentir-se ainda mais sozinho e desamparado.

Longe iam os tempos em que em família celebravam o Natal com paz e alegria, mas agora tudo isso era apenas recordação.

Já que assim é, pensou ele, vou jantar a um bom restaurante, comer e beber do bom e do melhor e depois… depois volto para casa sozinho, claro.

Telefonou para o restaurante a marcar mesa para jantar e ficou um pouco incomodado quando lhe perguntaram se a mesa era só para uma pessoa, mas não pensou mais nisso.

Vestiu-se a preceito e saiu para o frio da rua, rumo ao restaurante.

Entrou no restaurante e indicaram-lhe a sua mesa

Sentou-se e reparou que na mesa ao lado estava outro homem sozinho também.

Apetecia-lhe muito meter conversa com ele, mas não encontrava motivo para tal

A certa altura um papel qualquer caiu da mesa do seu “vizinho” e ele aproveitou para chamar a atenção do outro para isso.

O “vizinho” agradeceu e isso deu azo a conversarem um pouco sobre várias coisas, até à constatação de que afinal estavam os dois sozinhos na noite de Natal

Convidou o outro para a sua mesa e ele de pronto aceitou.

A conversa foi fluindo e o seu colega de mesa disse-lhe que estava sozinho na vida, sem família, e inevitavelmente acabaram por falar do Natal, referindo o outro, no entanto, que estava com uma certa pressa pois queria ir à Missa do Galo, que era uma tradição sua desde menino a que não queria faltar.

Ele respondeu de imediato que dantes também ia sempre a essa Missa e então o outro convidou-o para irem juntos nessa noite.

Sem perceber muito bem porquê acedeu ao convite, e depois de jantarem saíram para a rua em direção a uma igreja que ficava ali perto.

Entraram e deixaram-se ficar pelos bancos logo à entrada da igreja.

Vários sentimentos tomaram conta dele à medida que a Missa avançava, e deu por ele a pensar que se sentia ali muito bem e com umas saudades imensas da sua família.

Fez um esforço para reter as lágrimas e deixou-se envolver por aquele momento.

De tal modo estava enlevado pelo momento que não se apercebeu que a Missa tinha acabado e o seu novo amigo olhava para ele à espera de uma qualquer resposta da sua parte.

Sentiu então uma mão no seu ombro e ao voltar-se para ver quem era, deu com a cara da sua mulher que, acompanhada dos seus filhos, saíam da Missa naquele momento.

Os filhos abraçaram-no com força e ele, desta vez, não conseguiu reter as lágrimas que lhe correram pela cara abaixo.

A sua mulher perguntou-lhe então se estava sozinho e, perante a sua resposta afirmativa, disse-lhe que ela e os seus filhos gostariam muito que ele fosse lá a casa cear nesse dia.

Surpreendido disse logo que sim, mas referiu que tinha aquele recente amigo que também estava que estava sozinho naquela noite.

Claro que o convite de imediato se estendeu ao amigo recente, que de pronto aceitou, sem se fazer rogado.

Já em casa, sentados à mesa, antes de começar a ceia a sua mulher pediu-lhe para ele fazer uma pequena oração.

Envergonhado e tímido disse então: Obrigado, Jesus, que hoje me trouxeste para o presépio da minha família e me deste mais um amigo, rompendo assim a minha solidão.

Numa certa gruta em Belém, dois mil anos antes, que agora se faziam presente, Jesus, Maria e José sorriam felizes com o Natal daquela família.

Joaquim Mexia Alves