sexta-feira, 19 de setembro de 2014

P541: É NO PRÓXIMO DIA 28 DE SETEMBRO

CERIMÓNIA DE HOMENAGEM AOS COMBATENTES

DO CONCELHO DE LEIRIA


Organizada pela Câmara Municipal de Leiria e pelo Núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, esta cerimónia decorrerá no próximo dia 28 de Setembro, de acordo com o programa em anexo.
As inscrições deverão ser feitas na respectiva Junta de Freguesia até 24 de Setembro.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

P540: APRENDENDO COM A ASNEIRA...



VENTOS E CATA-VENTOS
O pára-quedas de cauda do Fiat G-91 era um componente importante na utilização do avião em pistas mais curtas ou naquelas em que, devido às altas temperaturas existentes, a corrida de aterragem (*) era agravada.

Lembro-me, depois de uma aterragem em Nova Lamego (em que naturalmente tive que usar o pára-quedas de cauda), não havendo ali material de substituição, tive que prosseguir para Bissalanca sem poder recorrer a ele. E, dadas as altas temperaturas verificadas àquela hora na pista da BA12, recordo-me bem que, sem o pára-quedas, o avião "comeu" praticamente a pista toda até se imobilizar. E os travões ficaram bem quentes nessa ocasião...

Naturalmente, havia algumas restrições ao uso do pára-quedas do avião, nomeadamente no que diz respeito às condições e velocidades máximas de utilização. Assim, ele deveria ser extraído apenas depois de o avião tocar no solo e com uma velocidade inferior a 150 nós (**).

Compreendem-se essas restrições pois o pára-quedas, aberto, comportava-se como um verdadeiro cata-vento e, se nos lembrarmos que na outra ponta estava o avião, imagine-se a rotação a que este podia estar sujeito no caso de ventos fortes laterais. E esses efeitos sentiam-se ainda mais no ar. Por outro lado, havia um limite físico à abertura do pára-quedas - o cabo que ligava o pára-quedas ao avião tinha uma rotura prevista aos 3000 kg de força, o que acontecia quando a abertura era efectuada acima dos tais 150 nós (***). Corria-se nesse caso o risco de a calote se desprender, deixando o pára-quedas de ter qualquer utilidade.


Existia no entanto uma gama de velocidades (pequena) entre a velocidade de tocar no chão e a velocidade máxima de abertura do pára-quedas que permitia abrir o pára-quedas ainda no ar, sem ultrapassar essa velocidade limite. Tinha que se ter um cuidado extra, pois ao abrir o pára-quedas o nariz do avião tinha tendência para baixar. Na verdade não se ganhava nada com isso mas era um exibicionismo que um piloto mais atrevidote gostava de experimentar. Bem, foi precisamente o meu caso...
Dei-me bem com o método (que, na verdade, usei apenas esporadicamente), até ao dia em que fiz uma aproximação a Bissalanca e resolvi abrir o pára-quedas de cauda imediatamente antes de tocar, sem ter tido em muita consideração os ventos que a Torre de Controlo me reportava.

O facto é que rapidamente me arrependi do feito, pois o avião iniciou um par de rotações para um lado e outro do eixo da pista (20º ou mais para cada lado). Tendo finalmente conseguido dominar o animal (os animais, se incluirmos o que ia a pilotar...) lá consegui pôr o estojo no chão e fazer uma corrida de aterragem mais ou menos normal. E o facto é que nunca mais, desde então, deixei de cumprir rigorosamente o que estava estabelecido no referente às condições e velocidades de utilização do pára-quedas de cauda do Fiat G-91...

Miguel Pessoa
 

(*)  Em termos simples, a distância percorrida desde o "tocar no chão" até à paragem completa do avião

(**) 150 nós (ou 150 milhas náuticas por hora) correspondem a quase 280 km/hora (150x1,853=277,9 km/h)

(***) Um agradecimento ao Cristiano Valdemar, ex-mecânico de Fiat G-91 na BA12, que me relembrou estes dois valores, já desaparecidos do meu "disco rígido"...

Cartoon do Fiat G-91 da autoria do Paulo Moreno
Foto da aterragem do Fiat G-91 da autoria do então Sarg. Coelho, da Secção Fotográfica da BA12

sábado, 13 de setembro de 2014

P539: REFLEXÕES...



VELHOS SOLDADOS

Depois de ler algumas reflexões dos Camaradas e Amigos no Blogue de Luís Graça e Camaradas da Guiné, verifico continuarem alguns com mais dificuldades que outros em...  "regressarem".

Não sei se, mesmo com a fantástica terapia de grupo que aquele blogue a todos tem proporcionado, as difíceis experiências de uma guerra como a da Guiné algum dia permitirão um "regresso" completo.

O que poderíamos ter sido SE...

E as décadas vão passando.
Lutas de vida e morte apodrecem
em páginas amarelecidas de velhos jornais guardados...
Memórias sem sentido por já não se" intercalarem"...
Gerações novas ignorando raízes de tanta dor...
Os ideais morrem em círculos cada vez mais rápidos...
São outros os tempos.
Tempos de aceitação.


Para ti? Para ti é tarde...
E poderá um velho soldado como tu algum dia regressar a casa?


José Belo

Setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

P538: Já fechou!

39º ENCONTRO DA TABANCA DO CENTRO
PREENCHIDAS AS 70 VAGAS DISPONÍVEIS
ENCERRADAS AS INSCRIÇÕES

Camarigos, atingimos as setenta inscrições para o nosso 39º encontro em 26 de Setembro! Não podemos aceitar mais inscrições a partir de agora. Como referimos anteriormente, sem compromisso da nossa parte poderemos ainda receber algumas inscrições a incluir numa lista de reserva, para eventualmente vir a substituir algum camarada que venha ainda a desistir por impossibilidade de estar presente em 26SET.

Nesse sentido apelamos a que, em caso de impossibilidade em comparecerem, nos avisem desse facto o mais cedo possível, de modo a dar lugar a outros interessados que não conseguiram inscrever-se a tempo e que gostariam de estar presentes.

Para os que vão estar presentes, relembramos ainda que, para assegurar um melhor serviço para o nosso grupo, foi-nos solicitado que ocupássemos os nossos lugares apenas a partir das 13H30, a fim de permitir um melhor escoamento dos clientes anteriores.

A Tabanca do Centro

P537: Última oportunidade

O NOSSO 39º ENCONTRO, EM 26 DE OUTUBRO
"RENEGOCIADO" PARA 70 O NÚMERO DE VAGAS
PARA ESTE CONVÍVIO
HÁ AINDA ALGUNS LUGARES DISPONÍVEIS

Já depois de encerradas as inscrições para o nosso 39º encontro chegaram às nossas mãos novos pedidos de alguns camaradas. Tentando satisfazer esses pedidos contactámos a D. Preciosa no sentido de "renegociar" o número de vagas disponíveis para 26 de Outubro.

Ficou finalmente (e definitivamente) acordado o número de 70 vagas para este nosso convívio, o que significa que ainda dispomos de alguns lugares. 

As inscrições estão assim reabertas e serão definitivamente encerradas quando atingirmos os 70 inscritos, ou na data limite de inscrição (24SET), o que ocorrer primeiro.

Aos retardatários: Aproveitem esta última oportunidade e façam a vossa inscrição pelos meios habituais - aqui na caixa de comentários ou por mail para tabanca.centro @gmail.com

Estejam atentos às informações que vão sendo afixadas na coluna da direita desta página, onde se inclui a lista de inscritos para o convívio, permanentemente actualizada.

A Tabanca do Centro 

PS - Foi-nos solicitado que ocupássemos os nossos lugares na sala apenas a partir das 13H30, para permitir um melhor escoamento dos clientes anteriores e dar ao nosso grupo uma maior privacidade.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

P536: Não há mais!

39º ENCONTRO, EM 26 DE SETEMBRO

INSCRIÇÕES ENCERRADAS!

Menos de 48 horas depois de abertas as inscrições para o nosso próximo convívio, a realizar em 26 de Setembro, somos forçados a encerrá-las por já termos atingido o número de vagas disponíveis para este encontro.

Tal facto deve-se à enorme afluência de inscrições por parte dos nossos camarigos, associada à permanência de um número considerável de clientes da Pensão Montanha nesta altura do ano, o que levou a que apenas tivessem sido disponibilizados sessenta lugares para o nosso grupo, número que já foi atingido.

Considerámos no entanto uma inscrição extra por estar incluída num lote de pessoal cujas inscrições nos chegaram em simultâneo.

Sem compromisso da nossa parte poderemos receber algumas inscrições a incluir numa lista de reserva, para eventualmente vir a substituir algum camarada que venha ainda a desistir
por impossibilidade de estar presente em 26SET.

Nesse sentido apelamos a que, em caso de impossibilidade em comparecerem, nos avisem desse facto o mais cedo possível, de modo a dar lugar a outros interessados que não conseguiram inscrever-se a tempo e que gostariam de estar presentes.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

P535: QUASE TRÊS MESES DEPOIS DO ÚLTIMO CONVÍVIO...


UM AVISO:

Os menores que eventualmente acompanhem os participantes devem ser igualmente inscritos para o almoço - é necessário contar com lugar para eles na mesa. E, dada a lotação limitada da sala, é importante que a D. Preciosa tenha conhecimento do número total de lugares a reservar para o nosso grupo.
Na altura da inscrição deverá ser ainda referida a idade dos menores. As crianças com menos de quatro anos não estão sujeitas a qualquer pagamento; entre os 4 e os 10 anos pagam metade do valor; acima dos 10 anos pagam o valor normal da refeição.

domingo, 7 de setembro de 2014

P534: DO MANUEL "KAMBUTA" LOPES



DEPOIS DE TANTOS ANOS,
UMA RECORDAÇÃO

Estava eu num almoço convívio anual da minha Companhia CCS/ BART/6222/73, com a minha esposa e alguns colegas e familiares, quando chegou um casal próximo de nós. Começámos a ouvir uns berros - “Está ali, mulher, está ali o meu amigo que me salvou a vida” - reparámos todos, era o nosso amigo Cipriano, o “Bairro Alto”. Era a primeira vez que participava num almoço convívio - nunca antes tinha sido contactado por ter trocado de endereço quando regressou de Angola.

O homem parecia louco, todos nós ficámos a olhar uns para os outros sem palavras; eu pensei logo, era mais um que se tinha passado dos carretos… Ao aproximar-se do grupo onde eu estava, o rapaz abraça-me, levanta-me ao ar, gritando em voz alta, “Amigo, fostes tu que me salvaste a vida, foi este amigo, mulher, foi este, devo-lhe a vida”. 

Perguntei à esposa o que lhe tinha acontecido para estar naquele estado. “Ele sempre falou e continua a falar no mesmo, todos os dias, no amigo e colega enfermeiro que o salvou da morte em Angola”. E contou-me então a história que o marido lhe contara. Respondi, “Minha senhora, acontecimentos daqueles eram todos os dias a passarem pelas nossas mãos, o que aconteceu ao seu marido foi o mínimo dos mínimos,  encontrámos casos muito piores, casos de morte”.

A senhora respondeu, “Amigo Manuel, todos estes anos, ele tem procurado tudo para o encontrar, por esse motivo ele está neste estado de choque por o encontrar”.

Vou então contar-vos a história deste meu amigo. 

No principio do ano de 1974 fomos carregar pedra numa Berliet para umas obras no Quartel, às matas junto da Pedra Verde. No regresso eu Enfermeiro e o meu amigo transmissões, vínhamos no último Burrinho de Mato, com o amigo “Bairro Alto” entre nós os dois, todos em plena cavaqueira. Ao passarmos junto à Sanzala do Quesso reparei que o nosso amigo não ia bem, com uma cor baça; fiz-lhe algumas perguntas, a que não respondeu. Reparei logo o que se estava a passar com ele, um forte ataque de paludismo; apertei-o logo contra mim, o meu amigo desmaiou. Mandei parar a viatura, vi a febre, vi logo que corria perigo de vida. 

O alferes prontificou-se a pedir uma ambulância ou um heli; eu respondi de imediato que não era preciso, eu responsabilizava-me  por tudo o que viesse a acontecer. Com rapidez, apliquei-lhe uma injecção, não me lembro ao certo o nome,  mas penso que fosse “Lagartil”; com a ajuda dos colegas fiz uma maca com ramos de árvores onde deitei o doente, em cima do  Burrinho de Mato, amarrado e seguro com os nossos cinturões.

Ao chegar à localidade do Piri o meu amigo acordou, perguntando logo o que tinha acontecido. Coloquei-o ao corrente do acontecimento. A partir desse momento e até ao final da nossa comissão o meu amigo nunca mais se calou com tal coisa, para ele com muito significado e sentido, para mim um caso natural como tantos outros na minha especialidade, assim como outros casos em todas as outra especialidades… 

Este acontecimento passou-se comigo,  mas nunca mais me passou pela cabeça, foi preciso este meu amigo depois de tantos anos vir recordar-mo...

Manuel Lopes Kambuta Dos Dembos
Maqueiro Enfermeiro
BART/6222/73
Quibaxe, Dembos
Norte de Angola.