Inserido na sua Série Especial "A minha Guerra", o Correio da Manhã publicou na sua edição de sábado 26 de Março um pequeno texto sobre a nossa camarada Giselda Pessoa, texto que aqui reproduzimos com a devida vénia ao Correio da Manhã e à sua autora, Manuela Guerreiro.
domingo, 27 de março de 2022
segunda-feira, 21 de março de 2022
P1335: RELATIVIZANDO...
AS VIRTUDES (OU O CONFORTO) DA “RELATIVIZAÇÃO”
Relativizar, será sempre, talvez, uma forma de nos sentirmos confortáveis com situações que normalmente podiam ser incómodas.
E isto, sendo certo, vem a
propósito de quê?
Bem, às vezes, pequenos
apontamentos, pequenas coisas trazem-nos à memória factos já tão afastados no
tempo que acabamos por os recordar com saudade, por um lado e com a bonomia,
com um sorriso, por outro.
Há dias, a propósito duma troca
de impressões e/ou comentários com o Joaquim Costa, autor de um livro
intitulado “Memórias de guerra de um tigre azul”, em que o “azul” é uma
referência iniludível à preferência clubista do autor, desenvolveu-se a teoria
de que certos jornais desportivos eram órgãos oficiosos de outros certos Clubes.
Isto é uma verdade
conveniente, preconcebida e desenvolvida para alimentar as animosidades que, a
pretexto das questões desportivas, leia-se questões do “pontapé-na-bola”,
alguns sectores vêm propalando para defesa dos seus pontos de vista e das práticas
das suas ações.
Hoje por hoje diz-se que os
jornais de Lisboa promovem o Benfica e às vezes o Sporting e por isso foi
necessário arranjar um outro jornal desportivo diário que promovesse o F.C. do
Porto. Teríamos assim consumada, também em termos jornalísticos, uma (falsa) divisão
norte/sul (mais uma) que tanto tem sido prejudicial ao desenvolvimento
harmonioso e progressista do País.
E falsa porque, por um lado,
nem sequer é o “Norte”, é mais algumas elites do Porto que, a pretexto das
questões futebolísticas, procuram congregar o Norte à sua volta para obterem
vantagens e, por outro, também não é o “Sul”, porque na realidade o que se está
“contra” é o propalado centralismo do eixo Lisboa-Cascais e assim, duma penada,
ostracizam mais de metade do País.
Tudo isto é triste, mas como
se diz na canção, tudo isto existe, embora nem tudo seja Fado.
Temos então o jornal “O Jogo”
como porta-voz oficioso do F. C. do Porto, dos seus interesses e pontos de
vista, desportivos e outros menos claros, o jornal “A Bola” veiculando a “boa
imprensa” do Benfica e o jornal “Record” como órgão do Sporting. Será assim? Não
sei responder, pois deixei de ligar a esse “fenómeno desportivo”, tanto em jornais
como nos inenarráveis “debates” televisivos. Por isso, façam o favor de escolher
e tomar e formar as vossas opiniões.
Do que me lembro bem, quando tinha aí 15/16 anos é que havia ali bem perto da casa onde vivia, em Vila Franca de Xira, a cerca de 30 metros da porta, uma leitaria (naquela época havia “leitarias”), na esquina do quarteirão, a “Leitaria Popular” que era propriedade dum casal, o Heitor e a Irene. O Heitor era um homem afável, pacato, muito calmo, que tinha feito o serviço militar com o meu pai nas Caldas da Rainha e creio que também em Cabo Verde. A Irene era uma mulher trabalhadora, mas muito impulsiva e isso era pretexto para alguns clientes da Leitaria a provocarem quando as situações desportivas não eram favoráveis às suas, dela, simpatias. Além da leitaria tinham também uma espécie de banca de venda de jornais e coisas assim, tabaco, por exemplo, no átrio da Estação dos Caminhos de Ferro em Vila Franca e por isso as presenças de ambos eram alternadas sendo que às vezes o filho Carlos (um ou dois anos mais velho que eu) ajudava num desses locais.
À tarde e noite, tendo uma televisão,
coisa que ainda não era corriqueira na maioria das casas (estas recordações
reportam-se aos anos 1963/64), era essa “caixinha mágica” que prendia as atenções
e eu era cliente das séries do “Ivanhoe”, do “Bonanza”, do “Mister Ed”, do “Homem
Invisível”, etc. mas durante as manhãs, quando calhava, ia lá ler os jornais,
principalmente os desportivos. E havia o “Record”, o “Mundo Desportivo” e “A
Bola”. Neste último gostava de ler, não só as novidades desportivas e futebolísticas
mas, principalmente, as reportagens e outros artigos sobre coisas e lugares do
Mundo. Havia quem dissesse que esse jornal era mais que um mero órgão desportivo,
era também formativo….
A relativização que referi no
princípio advém das situações da época em que após anos de hegemonia futebolística
do Sporting, emergiu o Benfica após as passagens de treinadores como o
Valdevielso, o Otto Glória e o Béla Gutmann, que assim guindaram esse Clube a
uma época de grande protagonismo.
A Irene era sportinguista,
ferrenha, como se dizia, e o “desporto favorito” de alguns clientes da leitaria
era “picarem-na” com os desaires do Sporting (uma espécie de coisa parecida com
o que se passa hoje nas chamadas redes sociais, nomeadamente o “Facebook”,
embora com menos violência verbal) e recordo então, num determinado dia de
grande provocação, a Irene, no meio do seu desespero ter dito “tá bem, tá bem,
o Benfica é campeão, mas quem é o vice-campeão, quem é, quem é?”.
Portanto, como se vê, é sempre
possível relativizar. Aprendam!
Hélder
Sousa
Fur. Mil. Transmissões
TSF
segunda-feira, 7 de março de 2022
P1334: AOS PREÇOS DA ÉPOCA...
UM ALMOÇO EM BAFATÁ
Ao remexer em coisas do passado descubro de repente uma fatura do restaurante “A Pinguin”, em Bafatá, de Outubro de 1972.
Vêm-me imediatamente à memória as “asneiras” que de vez em quando fazíamos e que, colocando as nossas vidas em risco, acabaram todas bem e sem problemas.
Naquele tempo comandava eu o Pel. Caç. Nat. 52 e estava, salvo o erro, no Destacamento da Ponte de Udunduma, (coisa de muito “luxo”), na estrada que liga o Xime a Bambadinca.
Ia por isso várias vezes a Bambadinca onde estava sediada a C. Caç. 12, comandada então pelo meu grande amigo Cap. Bordalo e os seus quatro Alferes, e onde, à volta de umas cervejas e uns whiskies, íamos rindo, galhofando, e acabando a guerra com ideias “brilhantes”.
Algumas vezes, (não foram muitas), entediados com a monotonia dos “procedimentos”, íamos buscar as G3 e outro armamento leve, e conduzidos pelo Cap Bordalo num jeep ou unimog, lá íamos os cinco até Bafatá, sozinhos, almoçar à Pinguin, comer o célebre “rancho”, ou os camarões do Geba, ou o que houvesse para comer.
Eram umas viagens um pouco loucas mas que, graças a Deus, sempre acabaram bem, embora o Comandante do Batalhão “desse por paus e pedras” com essas nossas aventuras; mas como já estávamos nas “africanas”, nada mais havia a fazer, e que raio, a gente fazia falta ao comando do Batalhão, que logo a seguir me enviou com o 52 para outro resort de luxo situado no Mato Cão.
Julgo que este almoço deve ter sido numa dessas saídas malucas, pois verifiquei tratar-se de um Domingo, e que um dos Alferes da 12 deveria estar de férias, porque pela fatura se percebe que eramos apenas quatro.
Enfim, histórias que não prejudicaram ninguém, mas nos davam um pouco mais de vida para suportar tudo aquilo.
É de reparar no valor total da refeição, 133 escudos, o que em moeda actual diz que gastámos a enorme quantia de quase 60 cêntimos (do euro…) num almoço para quatro!!!!
Lembro ainda que havia uma sobremesa na Pinguin, (curioso nome para um restaurante na Guiné, devia ser por ter gelados), que tinha o belo nome de “minete” e que julgo ser um gelado.
Aqui fica para a posteridade, certamente com algumas falhas de memória, mas no fundo retrata o que se passou.
Curiosamente tenho saudades!!!
Joaquim
Mexia Alves
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
P1333: FACILITANDO O PASTOREIO DOS GRANDES REBANHOS
A SUÉCIA CONSTRUIRÁ PONTES PARA
AS RENAS ATRAVESSAREM ESTRADAS E FERROVIAS
'Renoducts' ajudará animais que precisam ir mais longe por comida devido ao aquecimento global
Pastoreio de renas no reservatório hidroelétrico de Parki, Jokkmokk, Suécia.
Fotografia: IBL/REX/Shutterstock Jon Henley
A Suécia vai construir até uma dúzia de pontes para que as renas possam cruzar com segurança as linhas ferroviárias e as principais estradas do norte do país, à medida que o aquecimento global as obriga a ir mais longe em busca de comida.
A emissora pública Sveriges Radio disse que a autoridade de transporte pretende começar a
trabalhar na primeira das novas pontes, denominadas “renoducts”, uma junção
de ren (renas) e viaduto, ainda em 2021 perto da cidade
oriental de Umea.
“Em um clima em mudança com condições difíceis de
neve, será extremamente importante encontrar e ter acesso a pastagens
alternativas”, disse à emissora Per Sandström, ecologista paisagista da
universidade sueca de ciências agrícolas.
O aquecimento global está tendo um impacto
devastador nas 250.000 renas da Suécia e
nos 4.500 proprietários indígenas Sami que estão autorizados a pastoreá-las,
com algumas pastagens de inverno ainda a recuperar de secas e
incêndios florestais sem precedentes .
Os animais também estão tendo dificuldades no inverno
para alcançar o líquen, que é uma parte fundamental de sua dieta. Enquanto
os verões mais quentes ajudam o líquen a crescer, os invernos mais quentes e húmidos
estão levando ao aparecimento de chuvas em vez de neve nos meses mais frios do
Ártico.
Isso significa que quando as temperaturas caem abaixo
de zero, camadas impenetráveis de gelo se formam no solo - que normalmente
seria coberto por uma crosta de neve muito mais macia - deixando as renas
incapazes de sentir o cheiro da comida ou cavar para chegar até ela.
Cada vez mais os animais, criados pela sua carne,
peles e chifres, têm de se deslocar mais longe em busca de comida, sendo
obrigados a atravessar linhas ferroviárias ou estradas principais que muitas
vezes são vedadas, ou onde correm o risco de serem atropelados e mortos.
As doze pontes planeadas nos condados do norte
de Norrbotten e Västerbotten devem aliviar a situação – e também significa que
as autoridades não são mais obrigadas a fechar a principal rodovia norte-sul E4
quando um rebanho está em movimento.
“Estou ansioso para que possamos atravessar sem
perturbações”, disse um pastor de renas, Tobias Jonsson, à emissora,
acrescentando que ele e seus colegas pastores foram consultados sobre a
localização das pontes e seu projecto.
“Conseguimos garantir, por exemplo, que as pontes
estivessem abertas no topo”, disse ele. “Há cercas de 2 metros de altura
nas laterais, para que as renas não possam pular. Mas era importante para
eles que não parecesse que estavam entrando em um túnel. Eles não querem
ficar presos.”
Informação
enviada pelo nosso camarada
José Belo
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
P1332: OS QUE POR LÁ FICARAM...
Um texto escrito já há uns anos pelo nosso camarada Juvenal Amado e publicado então no blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné", que aqui reproduzimos com a devida vénia à Tabanca Grande e ao seu autor.
FILHOS DO VENTO… OU DA VENTANIA
Os jornais todos os dias mostram situações de pais que abandonam os filhos ou os matam. Há mesmo uns jornais especializados nessas notícias e que as desencantam em todo o lado. Chama-se a isso jornalismo do terror, desgraças e dos maus costumes.
Estamos num país dito civilizado com
obrigatoriedade escolar bem longe da média escolar de há 40/50 anos atrás. No
entanto estes casos continuam.
Naquele tempo, fizeram o que era mais fácil, que
foi abandonar à sua sorte filhos que seriam mal olhados numa sociedade onde o preconceito
social condenava os responsáveis por estas situações a algum estigma,
especialmente no Portugal profundo das pequenas vilas e aldeias, dominadas por
conceitos morais, raciais e éticos a roçar em muitos casos tempos bem
anteriores ao Século XX. E lá diz o ditado que pena que não se vê, não
se sente!
O que era perfeitamente aceitável lá,
mergulhados que estávamos numa guerra em que se vivia grande parte da comissão,
numa lógica de um dia de cada vez, tornava-se intolerável junto das namoradas
ou esposas após o regresso e na moral de então.
As preocupações começavam a partir do momento
em que pensávamos que íamos finalmente regressar. Esses e outros medos passavam
assim a ser uma constante no nosso dia-a-dia. Como não correr riscos e como
fugir dos resultados de uma convivência amorosa, que agora resultava numa
trágica fotografia e na indecisão quanto ao caminho a seguir? Aparecer à
namorada - quando não esposa - com um filho mestiço até fazia ganhar suores
frios, porque aventura é aventura, champanhe é champanhe, mas um filho assim
caído de repente era o diacho.
Conheci um caso de um militar que mentiu
quanto ao à data do seu regresso à Metrópole e quando a pobre foi à procura
dele com trouxa e tudo, já ele estava em casa. Felizmente desse caso não tinham
resultado filhos, mas também conheci outra situação em que o militar avisou a
família bem como namorada, que ia ser pai e que era sua intenção levar o bebé
para casa quando regressasse. Na altura disse-me que a situação tinha sido
aceite senão com alegria, com conformismo e que estariam à espera do filho
dele. Infelizmente o bebé uma menina por sinal, acabou por falecer no parto,
dado que sendo a mãe de Bangacia, só recorreu aos serviços médicos já tarde
para salvar a filha. Vi então o militar com lágrimas nos olhos, que se
compreendiam perfeitamente em função ao seu envolvimento emocional.
Sabemos que nem todos militares ou
ex-militares que ficaram no território agiram como este meu camarada. Está à
vista que a grande maioria não lhe seguiu o exemplo - e com a independência,
resolveram vir embora e deixar filhos para trás.
Talvez até nem tivessem consciência do muito
sofrimento que acarretava a sua resolução.
Essas crianças deixaram ser guineenses e
muito menos portuguesas. Ficaram sem estatuto, por isso apátridas. Ninguém os
queria.
Aos mestiços trataram de os mandar ter com os
pais à Metrópole, pois já não eram puros para serem naturais da sociedade que
os viu nascer.
“Vai para a terra do teu pai, “cutima” (*) filho
di puta” (Também me mandaram a mim para esses sítios muitas vezes)!
Em Angola, por exemplo, fizeram-se cartoons com os aviões carregados de
retornados e os mestiços pendurados nas asas do avião, do lado fora.
As ameaças eram muitas. A razão era abafada
pela violência latente, nós sabemos que nas sociedades em ebulição os novos
aderentes ou de fresca data às causas, são muitas vezes mais perigosos e menos
racionais.
Filhos diferentes abandonados pelos pais,
sujeitos a uma sociedade que se radicalizou, foram rejeitados e excluídos como
um tumor que denunciava as mães e as famílias de colaboracionismo com as tropas
colonialistas, que se tinham tornado peçonha.
Nas campanhas de reeducação que se seguiram,
quem é que aceitava de bom modo o ser apontado por ter privado tão de perto com
as tropas tugas, que se tinham ido com malas e bagagens embora ao fim de 11 ou
13 anos de guerra?
Hoje quantos se esqueceram do que deixaram
para trás? Dificilmente temos os resultados imediatos dos nossos actos, porque
se tivéssemos, muito das decisões que tomamos ficariam por tomar.
Quem corta uma linha de água com uma
construção, pensa que se viu livre do inconveniente mas, mais tarde ou mais
cedo, a água forçará a passagem com resultados funestos. Nessa altura desejamos
não ter feito a parede ou lá o que seja - e já é tarde. Ficamos felizes quando
os resultados não são irremediáveis.
Por vezes ainda vale a pena tentar remediar,
fazer as pazes com a sua consciência e o passado, certo de que a juventude de
então, não justifica a omissão de hoje.
Juvenal Amado
(*) Nota: Em
devido tempo, um comentário feito posteriormente pelo Cherno Baldé sobre esta frase, que aqui
deixamos com a devida vénia ao autor:
O palavrão
em língua fula não é mais nem menos que um insulto quase que vulgarizado, mas
que e preciso saber utilizar correctamente (como sempre na vida).
“Koto-inama”é
uma palava composta por “koto” = orgão sexual feminino e “Inama” (literalmente
significa: da tua) da mãe de quem se dirige o insulto.
Mas atenção,
esta forma de insulto só é permitida de cima para baixo e nunca o contrário. Nunca
se diz a uma pessoa mais velha: “C… da-tua-mãe”…
Diz-se Koto
quando se expressa de forma e tamanhos normais. Diz-se Kotiou kotal para
expressar tamanho maior, grau superlativo absoluto sintético.
Cherno Baldé
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022
P1331: CORVOS ENVOLVIDOS EM ESQUEMAS...
Ainda a propósito do texto publicado na semana passada sobre os corvos “almeidas”, recebemos do nosso camarada José Belo uma actualização da situação, que revela a esperteza e oportunismo destas aves. Afinal, esquemas há-os em toda a parte, e os corvos - do norte ou do sul - não se livram da fama (e proveito) que têm…
AFINAL… A ESPERTEZA DOS CORVOS NÃO É NOVIDADE!
Depois da saída do artigo anterior sobre os corvos “almeidas” há acontecimentos mais recentes que o completam e acabam por colocar a esperteza humana no seu lugar.
Quanto à exploração do trabalho dos corvos não se deve esquecer que a sua “actividade laboral” é exercida na sociedade sueca, ”domesticada”- como os corvos - por quase 100 anos de social democracia e de exemplares organizações sindicais que englobam literalmente quase tudo!
Só que as “alimárias”, depois de umas semanas de trabalho honesto para ganhar o seu sustento diário como funcionários camarários, entraram numa daquelas histórias…” de vitória em vitória até…”
Para evitar que os corvos introduzissem outro tipo de lixo na máquina, está foi dotada de aparelhagem detectora de nicotina. só distribuindo a recompensa em comida após esta confirmação.
Não sabendo se os corvos terão efectuado visitas de estudo às actividades camarárias lá mais para o Sul, o facto é que, após curto período de tempo, aprenderam a introduzir o bico com a “beata” na caixa e rapidamente retirar a cabeça ainda com a “beata” no bico...
Repetindo o procedimento passaram a receber várias compensações em comida usando a mesma “beata”.
Vem à memória a frase de Michail Bakunin 1814-1876, filósofo, revolucionário e anarquista:
“Nada é mais desolador que um escravo satisfeito”!
José Belo
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022
P1330: PROJECTO INOVADOR - CORVOS "ALMEIDAS"...
O nosso camarigo luso-lapão José Belo divulga-nos uma notícia surgida
recentemente no “The Guardian”
sobre um projecto avançado na “sua” Suécia,
texto que reproduzimos com a devida vénia.
EMPRESA SUECA USA CORVOS PARA
RECOLHER PONTAS DE CIGARRO
Os corvos da Nova Caledônia são tão bons em raciocínio quanto uma criança humana de sete anos, sugere a pesquisa. Fotografia: Jolyon Troscianko/AP. Daniel Boffey em Bruxelas
Corvos estão sendo recrutados para recolher pontas de
cigarro descartadas nas ruas e praças de uma cidade sueca como parte de uma
campanha de redução de custos.
As aves selvagens realizam a tarefa ao receber um
pouco de comida para cada “pirisca” (*) que depositam em uma máquina sob medida
projetada por uma startup em Södertälje, perto de Estocolmo.
“São aves selvagens que participam voluntariamente”,
disse Christian Günther-Hanssen, fundador da Corvid Cleaning, empresa por trás
do método.
A Fundação Keep Sweden Tidy diz que mais de 1 bilhão de pontas de
cigarro são deixadas nas ruas da Suécia em cada
ano, representando 62% de todo o lixo. Södertälje gasta 20 milhões de
coroas suecas (£ 1,6 milhão) na limpeza das ruas.
Günther-Hanssen estima que seu método poderia
economizar pelo menos 75% dos custos envolvidos na recolha de “beatas” de
cigarro na cidade.
Södertälje está realizando um projeto piloto antes de
potencialmente implantar a operação em toda a cidade.
Günther-Hanssen disse: “Eles são mais fáceis de
ensinar e também há uma chance maior de aprenderem uns com os outros. Ao
mesmo tempo, há um risco menor de eles comerem qualquer lixo por engano.
“A estimativa para o custo de apanhar pontas de cigarro
hoje é de cerca de 80 öre [troco sueco] ou mais por ponta de cigarro, alguns
dizem que duas coroas. Se os corvos apanharem pontas de cigarro, isso
seria talvez 20 öre por ponta de cigarro. A economia para o município
depende de quantas pontas de cigarro os corvos pegam.”
Tomas Thernström, estratega de resíduos do município
de Södertälje, disse que o potencial do projecto depende de financiamento.
“Seria interessante ver se isso poderia funcionar em
outros ambientes também. Também da perspectiva de que podemos ensinar os
corvos a pegar pontas de cigarro, mas não podemos ensinar as pessoas a não as
deitar para o chão... Esse é um pensamento interessante”, disse ele.
(*) “Beata”, ponta de cigarro
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
P1329: LEMBRANDO UM AMIGO JÁ DESAPARECIDO
UM ANO SE PASSOU, JOSÉ EDUARDO
Há pessoas que não nos deixam nunca!
Mudam apenas definitivamente a sua morada para o nosso coração.
Trazem tudo com elas, o passado, o presente e até o
futuro.
E nós temos sempre um cantinho especial no nosso coração onde essas pessoas, familiares, amigos, se instalam e ali ficam a olhar para nós, de dentro de nós, sempre sorrindo para nós, dando-nos conselhos, mostrando-nos o que foi bom, o que é bom e o que há-de ser sempre bom.
Mudam-se para esse cantinho, de “armas e bagagem”,
aconchegam-se bem para sentirem o amor e aconchegam-nos a nós, enchendo-nos de
amor.
Há um ano que tenho a morar nesse cantinho o José Eduardo, mesmo de “armas e bagagem”, pois foram as “armas” que nos uniram, não numa guerra, mas numa paz que procurávamos todos os dias em que falávamos da guerra, e que ele já alcançou e eu espero alcançar um dia.
A saudade, coisa bem portuguesa, ao contrário do que muitos pensam, pelo menos para mim, é coisa boa, que me traz felicidade, paz, serenidade, ao trazer para o meu dia-a-dia aqueles que marcaram a minha vida de forma indelevelmente boa e dos quais o José Eduardo é, sem dúvida, um deles que preencheu a minha vida nestes últimos anos com toda a sua bondade, amor, educação e cultura fora do vulgar.
Não estou triste, estou feliz e em paz, até porque os dois juntos fomos nestes anos descobrindo caminhos de Deus, e eu, tenho a certeza de que, nos braços de Deus, o José Eduardo dá hoje por muito bem empregues todas as viagens para a Marinha Grande e todas as conversas (muitas delas como orações), que fomos tendo ao longo do tempo.
Aqui deixo algo que escrevi há poucos dias na página da sua filha Eduarda, minha muito querida amiga:
SAUDADE
A saudade
é um sentir português,
que vindo do coração,
nos envolve de tal modo,
que aquele que partiu,
se faz vivo em nós,
outra vez.
Até já, José Eduardo, e aninha-te bem no teu cantinho do meu coração, porque está muito frio, mas o calor do amor tudo aquece!
Marinha Grande, 26 de Janeiro de 2022
Joaquim Mexia Alves
segunda-feira, 17 de janeiro de 2022
P1328: UM PORTUGUÊS POUCO CONHECIDO POR CÁ...
https://www.historynet.com >Peter Francisco:American Revolucionary war hero
UM
PORTUGUÊS NA AMÉRICA
Sobre ele o primeiro presidente Americano George Washington escreveu:
“A contribuição de Peter Francisco foi fundamental para a vitória da
revolução contra os britânicos.”
Na frase inscrita no monumento em honra deste português em New Bedford/Massachusetts está reproduzida uma outra citação de Washington :
“Um exército de um homem só”.
Entre outros, existem monumentos em sua memória na Carolina do Norte, Nova Jersey, Rhode Island e Virginia. Em 1976 foi emitido um selo na coleção bicentenária dos Estados Unidos com a figura de Peter Francisco e a citação “Um Soldado Extraordinário “.
O dia 16 de Março é o dia dedicado a este herói. É o dia da batalha de Guilford Courthouse em Greensboro, batalha em que Peter Francisco se salientou por feitos e coragem muito acima do normal. Matou onze soldados britânicos e acabou por sofrer ferimentos que quase lhe provocaram a morte.
Nasceu nos Açores em 1760. Foi raptado quando tinha cinco anos tendo sido abandonado num porto do Estado da Virgínia em Junho de 1765.
Alistou-se no 10 Regimento da Virgínia para lutar na guerra da
independência.
Torna-se célebre nas batalhas de Camden/1780 e Guilford
Courthouse/1781.
O general francês Lafayette, que lutou como voluntário ao lado de Washington, ao referir-se a Pedro Francisco usava o termo “Luso” que acabou por ficar como a sua alcunha de guerra. O Marquês de Lafayette criou uma amizade para o resto da vida com Peter Francisco, e ao visitar a América depois da guerra fez sempre questão de ter Peter Francisco junto a si em todas as muitas cerimónias em que foi honrado.
O aspecto físico do Pedro Francisco era impressionante. Aos 16 anos já tinha um metro e noventa e oito de altura e pesava 118 quilos.
George Washington terá mandado forjar uma espada de 1,80m de propósito para
ele.
Refere-se também que a capacidade física de Pedro Francisco lhe permitia
transportar ao ombro algumas das pesadas armas de artilharia.
O que o tornou uma verdadeira lenda no exército americano foi o facto de,
para impedir que um canhão da artilharia rebelde caísse em posse dos ingleses, separou-o
das rodas e transportou-o nos seus braços até à nova linha de defesa
americana.
O canhão era de um modelo muito usado (de 499 Kg.)!
E é precisamente transportando um canhão ao ombro que está representado no
selo norte-americano que foi editado em sua honra.
Travis Bowman publicou em 2009 o livro “Hércules da Revolução”.
Um filme histórico de longa-metragem a ser distribuído nos Estados Unidos, Portugal
e Brasil estará também planeado sob o título “Luso”.
Existe infindável documentação na Biblioteca do Congresso Norte Americano Sobre o soldado Peter Francisco.
Näo foi mais um soldado na guerra da independëncia mas sim… O SOLDADO!
Existem afinal duas versões quanto ao modo como apareceu na América.
Uma que refere ter sido raptado para posteriormente ser vendido como
escravo. Outra diz que terá sido entregue pelos pais a um comandante de navio
para aprender, e se tornar mais tarde um homem do mar.
Escreveu George Washington, depois da batalha de Guilford Courthouse, referindo-se a Peter Francisco:
"Sem ele teríamos perdido duas batalhas cruciais, talvez mesmo a guerra e com ela a nossa liberdade. Peter Francisco é verdadeiramente um Exército de um só homem".
Em 1950 investigadores, seus descendentes nos Estados Unidos, foram encontrar referências a Pedro Francisco nos registos baptismais da Ilha Terceira.
Filho de Luís e Maria Francisco, nascido a 9 de Julho de 1760 em Porto
Judeu/Ilha Terceira/Acores.
A somar-se aos muitos monumentos existentes nos Estados Unidos dedicados a Peter Francisco, foi também erigida uma estátua em Porto Judeu em 2015, representando uma criança que olha o mar.
Depois da guerra foi proprietário de duas estalagens e respectivas tabernas e de uma plantação. Em 1819 recebeu uma pensäo vitalícia por parte do Congresso Americano.
De 1825 até à sua morte em 1831 serviu na posição honorífica de
"Sergeant-in-Arms" do Palácio das Reuniões dos Delegados da Virgínia.
Foi sepultado com as mais altas honras militares no Shockoe Hill Cemetery
em Richmond/Virgínia.
Algumas Associações de Luso-Americanos vieram a criar uma medalha em honra de Peter Francisco que é entregue a personalidades representativas. O primeiro a receber tal medalha foi o Presidente Kennedy.
Depois das primeiras heroicidades de Peter Francisco o General George Washington ter-lhe-á oferecido a promoção por distinção a Oficial.
Promoção que acarretava uma boa pensão para o resto da vida a somar-se às
possibilidades de adquirir vastas terras e plantações a um preço simbólico.
Peter Francisco recusou, invocando como razões o facto de ser mais útil na primeira linha entre os camaradas soldados e por ter plena consciência de não ter recebido qualquer educação formal e escolar para tais cargos.
Todos os documentos existentes chegariam, não para um simples texto mas para um longo e interessante livro de aventuras incríveis mas... reais!
Livro que existe e está publicado nos Estados Unidos.
Enfim, um português que não foi “oficial de aviário” apesar de ter
participado de armas na mão numa Revolução.
José Belo
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