quinta-feira, 10 de abril de 2014

P472: AS ORIGENS DO KAMBUTA DOS DEMBOS



A ORIGEM DA PALAVRA KAMBUTA

KAMBUTA. Esta palavra talvez se encontre em vários dicionários, mas o verdadeiro significado quem o tem sou eu, que foi deixado em herança pelos meus antepassados à “tribo” a que ainda pertenço e de onde vêm as minhas origens, «A TRIBO KAMBUTA». Uma tribo que muito lutou, e eu continuo a lutar para que este nome se mantenha a todo o custo, e tento preservar para que não desapareça.
Vamos lá Manelito Kambuta, despacha lá o teu rascunho, pois está um belo dia de sol, tens que aproveitar para ires sacar uma pouca de lenha com a tua namorada e o amigo Snoopy à Mata Nacional, sabe muito bem aquecer quando faz frio.
Este nome é de “origem árabe”, era o nome da «tribo de moiros a que pertenço», mouros ou moiros… claro! Os meus antepassados não me souberam explicar muito bem, ou eu não captei, esta tribo de moiros invadiu, povoou e habitou a aldeia onde eu nasci, ainda muito antes da criação do nosso «CONDADO KAMBUTENSE».
Quando o nosso primeiro Rei, o Ti Afonso Henriques e os compadres dele… esperem lá??? isso já não sei, não me lembro, eu estava lá mas não fixei o nome dos tipos, e nesse momento não tinha o telemóvel à mão para tirar umas fotos… não tenho a certeza, se não foram esses, foram outros, não importa, que tentaram expulsar a minha «TRIBO».

Já estou baralhado, tenho que ir consultar os meus conterrâneos, vizinhos Agostinho Gaspar e o Almiro Gonçalves que pertencem às origens das tribos rivais, um da «Tribo Boavista» o outro da «Tribo Vieira de Leiria» e que acabaram de me informar mesmo agora pelo telemóvel que também não se lembram, pois na altura andavam aos ninhos de «MAFAGAFA», uns lindos passarinhos que frequentavam os nossos campos e pinhais.
Bem… tenho que descalçar esta bota… comecei, tenho que acabar!
Os tais Senhores que tentaram expulsar a minha tribo KAMBUTA e acabar com este lindo nome, para povoarem o meu território com outas gentes… não o conseguiram, pois os meus antepassados «Kambutas», no momento certo, gritaram alto e bom som «DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA, KAMBUTA É FORTE, TUDO ISTO É UMA GRANDE MENTIRA,».
Resumindo e concluindo, os tais amigos, ao ouvirem esta lengalenga, viraram as costas e às gargalhadas foram dizendo uns para os outros, vamos embora, aqui não se aprende nada, é tudo maluqueira…
Vamos, vamos, assim termina o Kambuta esta redação um pouco sem jeito, foi o que se pode arranjar, para a próxima sai melhor.

Manuel  Lopes “Kambuta dos Dembos” 
Notas explicativas:
Pois é, o nosso camarigo Manuel Lopes depois desta conversa toda acabou por não nos dizer o significado da palavra “Kambuta”, por isso aqui fica o resultado da nossa consulta na Net:

De: “Dicionário online de português”
Significado de Cambuta - (quimbundo kambuta) - 1 Indivíduo enfezado ou mal nutrido. 2 Indivíduo cambaio.

De: “Vocabulário Kimbundu-Português”
Cambuta – (Kimbundu, Kambuta) – Homem baixo.

De: “Wikipédia”
O kimbundu, quimbundo, dongo, kindongo, loanda, mbundu, loande, luanda, lunda, mbundu, n'bundo, nbundu, ndongo ou mbundu do norte é uma língua africana falada no noroeste de Angola, incluindo a Província de Luanda. É uma das línguas bantas mais faladas em Angola, onde é uma das línguas nacionais. O português tem muitos empréstimos lexicais desta língua obtidos durante a colonização portuguesa do território angolano e através dos escravos angolanos levados para o Brasil. É falada por cerca de 3 000 000 de pessoas em Angola como primeira ou segunda língua, considerando, também, 41 000 falantes do dialecto ngola.



segunda-feira, 7 de abril de 2014

P471: LAGARTO, LAGARTO!...


No decorrer da nossa última confraternização em Monte Real, no passado dia 28 de Março, tornou-se evidente que algo se passava com o nosso Almirante Vermelho, o qual começava a evidenciar um certo desconforto com uma dor e um inchaço que o apoquentavam num dos seus braços.
Claro que nestas deambulações não andamos desprevenidos e fizemos avançar logo o corpo clínico privativo da Tabanca do Centro. O ‘fermêro JERO até já estava sentado ao lado do paciente (paciente é favor!...) e com a ajuda da Maria Arminda lá lhe arranjaram gelo para fazer baixar o inchaço que se via no braço. E a Giselda mantinha-se de reserva à garrafa de água…

Nestas coisas mais vale não facilitar, embora se pensasse ter sido uma picada de algum bicharoco - conquanto ele desconfiasse que podia ser um trombo braçal (O Almirante tem uns sobrinhos médicos, daí este conhecimento que ele tem destes termos clínicos...). O facto é que o tratamento ministrado parecia ter resultado e o Almirante lá descontraíu mais um bocado.
Claro que houve logo um malandreco que aproveitou para lhe enviar uma piadinha na primeira oportunidade. Ainda o desgraçado não tinha chegado a casa e já lá tinha um mail a sugerir que ele andava a armar em Popeye… Isto porque o Almirante andava a espalhar que era tudo resultado das couvinhas do cozido que tinha emborcado na Pensão Montanha e que, a exemplo do que sucede com o Popeye e os espinafres, lhe tinham dilatado o bracinho...

Fonte geralmente bem informada e mal intencionada já nos contactou revelando que afinal o braço devia ter sido picado por um bicharoco pois o inchaço aumentou e, finalmente, deu à luz... um lagarto! As fotos recebidas não deixam lugar a dúvidas... Temos a certeza que o Almirante terá ficado bastante abalado com o sucedido.


Sabedor da situação, e lembrando-se do carinho do Almirante pelo clube da águia Vitória, o Amado Chefe (portista declarado) enviou-lhe logo algumas palavras de desconsolo, que podem ver aqui reproduzidas:

O nosso querido Almirante
teve um trombo braçal
acorreram-lhe num instante
duas enfermeiras e um general.

Calcule-se a grande admiração
quando do almirantado braço
saiu um enorme lagartão
pintado de verde traço.

O nosso Almirante aflito
bradou para o lagartão
antes tu, lagarto maldito
que um azulado dragão.

 O Almirante, de resposta rápida, retorquiu logo na passada:

Lagarto, nunca, jamais
Prefiro antes ser do Porto
Até nos jogos florais
Sou rapaz a puxar pr'ó torto!

Amanhã tenho consulta
No hospital dos Covões
Oxalá não pague multa
Pelo inchaço nos "braços"

Depois de vir de Coimbra
Dir-vos-ei como correu
Sigo depois pr'a Sesimbra
Visitar amigo meu.

O Amado Chefe não se conteve e acrescentou ainda:

Sesimbra ao pé de Lisboa
já sei quem vais visitar
um tal de Miguel, o Pessoa,
que às vezes lá fica a morar.

Espero que lá nos Covões
tudo corra a preceito
que não te apertem os "braços"
por isso não te ponhas a jeito

Vai lá, meu caro Almirante,
acima, ao mastro real,
volta para Buarcos num instante
que é Reino de Portugal.

E nós vamos ficar por aqui porque senão ainda vem aí o tipo de Sesimbra mandar umas bocas, e nós já temos o tinteiro verde quase no fim...
MP 

sábado, 5 de abril de 2014

P470: A TERTÚLIA DE 28 DE MARÇO COMENTADA NO "JORNAL DE LEIRIA"


Com a devida vénia transcrevemos do "Jornal de Leiria" o artigo que aquele periódico publicou acerca da sessão que decorreu na Livraria Arquivo, em Leiria, sobre o tema "A Mulher na Guerra". Dadas as dimensões do periódico tornou-se difícil a reprodução do texto de modo a ser perfeitamente legível, pelo que houve necessidade de proceder a alguns arranjos gráficos. Mas pelo menos o texto lê-se bem...
Os editores




sexta-feira, 4 de abril de 2014

P469: TERTÚLIA DOS COMBATENTES, EM LEIRIA



O PAPEL DA MULHER NA GUERRA

Integrada nas “Tertúlias dos Combatentes” organizadas pelo Jornal de Leiria e Livraria Arquivo, com o apoio do núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, realizou-se no passado dia 28 de Março em Leiria, nas instalações da Livraria Arquivo, mais uma sessão, esta sobre “O papel da Mulher na Guerra - Intervenção directa em zonas de combate. Apoio psicológico a partir da metrópole”.


A data, coincidente com o 35º encontro da Tabanca do Centro, em Monte Real, permitiu a presença de alguns camarigos que ali se deslocaram após o convívio. Lembramos os que estiveram presentes: As camarigas  Maria Arminda Santos e Giselda Pessoa, convidadas pela organização para participar na tertúlia, que foram escoltadas  até ao local pelo Miguel Pessoa, José Seara, Carlos Oliveira, Vitor Caseiro e esposa Celeste, Agostinho Gaspar e família, Carlos Santos e esposa, António Pimentel, Silvério Lobo e esposa Linda e o “júnior” Paulo Moreno, a quem se reuniram entretanto o António Nobre e o Amado Chefe Joaquim Mexia Alves e esposa Catarina (esperamos não ter esquecido ninguém…).

Moderava a sessão o também nosso camarigo Mário Ley Garcia, sendo convidada – além das duas camaradas já mencionadas – a Drª Anabela Vinagre.

Começou esta por fazer referência às diferentes mulheres que na rectaguarda apoiaram o esforço dos combatentes em África.

Uma primeira referência ao incontornável Movimento Nacional Feminino e a sua Presidente de sempre, Cecília Supico Pinto, por muitos criticados pelo seu apoio à ideologia colonial do Estado Novo.

Sob a sua orientação esta instituição congregou muitas mulheres portuguesas no auxílio moral e material aos soldados, à distância ou em visitas feitas aos locais em que estavam estacionados, e o esforço feito para proporcionar aos combatentes a satisfação de algumas necessidades básicas. Papel importante teve igualmente o MNF junto das famílias dos militares na metrópole, tentando minorar o sofrimento da separação dos seus entes queridos.

Deve-se-lhe o lançamento dos aerogramas, fornecidos aos militares e processados gratuitamente, que acabaram por ser o meio mais utilizado pelos combatentes para se corresponderem com os seus familiares e amigos (terão sido produzidos cerca de 300 milhões de aerogramas).

Para minorar as condições difíceis dos nossos soldados, o MNF organizou  visitas e actuação de artistas aos teatros de operações, bem como o envio de lembranças, livros, discos, isqueiros, tabaco, etc.

As  madrinhas de guerra foram outra iniciativa do MNF, que promoveu a troca de correspondência entre os soldados e jovens que à distância os acompanharam e lhes deram alento para sobreviverem. Muitas amizades se criaram, tendo alguns relacionamentos terminado mesmo em casamento.

Este apoio aos combatentes manteve-se durante os treze  anos que durou o conflito em África e terminou com a dissolução do Movimento Nacional Feminino por decreto da Junta de Salvação Nacional, já após o 25 de Abril.

Muitas voluntárias passaram igualmente pela Cruz Vermelha, no seu apoio aos militares feridos, o que permitiu amenizar as condições penosas em que estes recuperavam dos seus ferimentos, muitas vezes estropiados, afastados das famílias, largados em ambientes estranhos.

Seguiram-se as intervenções das nossas duas camarigas. A Maria Arminda começou por realçar o papel fundamental de Isabel Rilvas, pioneira em Portugal como piloto e paraquedista civil, que idealizou e realizou o seu sonho de ver criado um corpo de enfermeiras paraquedistas dentro das Forças Armadas, seguindo ideias já praticadas noutros países, nomeadamente a França, na sequência dos seus conflitos na Argélia e na Indochina.

É assim que com o apoio do Secretário de Estado de Aeronáutica, Kaúlza de Arriaga, surge em 1961 o primeiro de 9 cursos que hão-de efectuar-se até 1974, envolvendo quase 50 enfermeiras paraquedistas.

Num tempo limitado para a exposição, naturalmente não houve oportunidade para se falar em grande pormenor da actividade desenvolvida pelas enfermeiras paraquedistas, que incluiu a sua acção nas três frentes de combate – Angola, Moçambique e Guiné – com passagens pela Índia, Timor e Açores.

A Maria Arminda e a Giselda deram aos presentes exemplos das actividades em que estiveram envolvidas, por vezes mencionando os riscos corridos, mas ressalvando sempre a satisfação pelo trabalho que desenvolveram e a apreciação que muitos combatentes ainda hoje lhes manifestam pessoalmente.

No período de perguntas e respostas participaram alguns dos camarigos da TC, nomeadamente o Carlos Oliveira, Vitor Caseiro e Joaquim Mexia Alves. Em suma, uma sessão interessante que congregou bastantes presenças (sala cheia), com a assistência de diversas senhoras, o que não tinha sido habitual em sessões anteriores.
MP