segunda-feira, 9 de março de 2015

P621: II TERTÚLIAS "A HISTÓRIA SOMOS NÓS"

EM LEIRIA: SESSÃO SOBRE O
SERVIÇO DE SAÚDE NO ULTRAMAR

No passado dia 27 de Fevereiro iniciaram-se as sessões organizadas pela Livraria Arquivo e pelo Núcleo de Leiria da Liga de Combatentes, integradas nas II tertúlias "A História Somos Nós", a decorrer ao longo do presente ano. Estas sessões contam ainda com o apoio do "Jornal de Leiria". Para conhecerem o programa previsto para 2015, vejam aqui.

Esta primeira sessão era dedicada ao tema "O serviço de saúde no ultramar" e para ela foram convidados os Dr. José Lourenço, Dr. Américo Órfão, e os nossos camarigos José Eduardo Oliveira (JERO) e Giselda Pessoa. Presidia à mesa o TCor. Mário Ley Garcia, presidente do Núcleo de Leiria da Liga de Combatentes e nosso camarigo da Tabanca do Centro.

Com assistência ainda reduzida na hora de início da sessão, a sala acabou por compor-se razoavelmente, um pouco por obra do pessoal da Tabanca do Centro que ali se deslocou. 

Correndo o risco de falhar algum, lembramos que, para além dos três já mencionados, presentes na mesa, se deslocaram à Livraria Arquivo o régulo da Tabanca do Centro, Joaquim Mexia Alves, Agostinho Gaspar, Vitor Caseiro, António Nobre, Carlos Santos, Paulo Moreno e este vosso escriba, Miguel Pessoa.

Com a devida vénia à autora, Maria Anabela Silva, e ao Jornal de Leiria, transcrevemos o texto que sobre este evento foi publicado naquele periódico no passado dia 5 de Março:

Tertúlia debateu sistema de saúde durante a guerra colonial
Tentar salvar os outros e evitar levar um tiro

“O chefe da tabanca tinha um tiro no peito. Cada vez que respirava, parecia ver-lhe o pulmão. Estava moribundo. Sentei-o encostado a uma árvore e dei-lhe uma injecção de morfina. Nunca mais esquecerei o seu olhar. Não vi o ódio na sua expressão. Vi a resignação e um cansaço imenso. Pareceu-me preparado para morrer com dignidade. Afinal, era o chefe. O último olhar que trocámos ficou-me gravado na alma”. In Golpes de Mão's, de José Eduardo Reis de Oliveira

Foi com o excerto do seu livro Golpes de Mão's que José Eduardo Oliveira, conhecido em Alcobaça como JERO, terminou a sua intervenção na última tertúlia do ciclo A história somos nós – da Guerra Colonial à Manutenção da Paz, realizada na passada sexta--feira, e que desta vez debateu o sistema de saúde durante o conflito no Ultramar.



À mesa, estiveram os médicos José Esperança Lourenço e Américo Órfão, o enfermeiro de guerra José Oliveira e Giselda Pessoa (enfermeira pára-quedista), que recordaram as suas experiências nos vários teatros do guerra, muitas vezes preocupados em tentar salvar vidas e, ao mesmo tempo, em não serem atingidos. Umas vezes com sucesso. Outras, pelo contrário, com finais tristes, como aquele episódio recordado por José Oliveira, vivido no dia em que o seu batalhão atacou uma aldeia na Guiné. “Depois de uma troca de tiros, ficámos com 70 prisioneiros. Havia feridos. Vi-me, um miúdo de 24 anos, a ter de me armar em Deus, a decidir quais os que ficavam e os que vinham connosco. Entre os feridos, estava o chefe da tabanca, que vinha muito ferido”, recordou o antigo enfermeiro de guerra, que também não esquece a epidemia de sarampo, que vitimou 60 crianças.

Muito menos dramática foi a situação com que se debateu José Esperança Lourenço quando chegou a Marrupa, Moçambique, onde desempenhou funções de delegado de saúde e de médico no hospital militar. “Havia uma quantidade elevada de militares com doenças venéreas. Falei com o administrador para podermos tratar também as mulheres. Pensei que iria encontrar meia dúzia. Afinal, era uma fila interminável, mas consegui acabar com as venereologia”, conta o médico estomatologista, frisando que esta era uma problemática frequente entre os militares.

José Oliveira nota que, quando os havia, os preservativos eram de “muito má qualidade”, pelo que os contágios eram frequentes. E, sempre que isso acontecia, os médicos tinham a “obrigação” de participar a situação e os soldados “apanhavam dez dias de prisão”. E, como era fazer medicina num tempo e em territórios em que escasseavam recursos, em que quase não havia antibióticos - com excepção da penicilina, descoberta poucos anos antes - nem meios auxiliares de diagnósticos?

“Dava-se o máximo, com o pouco que se tinha, para ajudar feridos e doentes, fossem eles soldados ou civis”, diz Américo Órfão, para quem comparar a medicina dessa época com a actual “é comparar uma bicicleta com um Chevrolet”. “Hoje, quando se receita um medicamento temos uma grande certeza de que vai fazer algum efeito. Naquele tempo, as opções de tratamento era muito poucas”, alega o médico de Leiria.

Além da escassez de recursos, havia ainda a dificuldade acrescida quando o socorro era prestado durante os ataques e se tinha de “tentar salvar os outros” e, ao mesmo tempo, procurar “não levar um tiro”, nota José Oliveira.

Foi num cenário desses que viveu um outro episódio marcante durante a sua missão na Guiné. “Era madrugada e estávamos no mato. O nosso guia, um guineense, levou um tiro no peito e chamaram-me. Pela primeira vez, percebi que não podia fazer nada. Fiquei encharcado em sangue, com as balas a passarem-me por cima”, conta.

Numa nota menos dramática, José Oliveira recorda as dores de barriga que, habitualmente, assolavam as tropas em dias de combate. Uma maleita que tratava com “aspirina número 8”, nas suas diversas variantes - “aspirina para o medo dos oficiais, aspirina para o medo dos sargentos e aspirina para o medo dos soldados” -, que funcionava como placebo.

Apoio às populações A par do auxílio aos soldados, os serviços médicos e de enfermagem das tropas portuguesas tiveram também um papel preponderante no apoio às populações locais, como testemunharam vários dos intervenientes na tertúlia, organizada pelo Núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, em parceria com a Livraria Arquivo e com o apoio do JORNAL DE LEIRIA.

Joaquim Mexia Alves, que esteve na Guiné, considera que a população local “beneficiou muito” com os serviços de saúde portugueses. “Um elemento da população que tivesse uma doença ou ficasse ferido em cerca de duas horas era evacuado para Bissau”, referiu aquele antigo combatente.

Giselda Pessoa, que foi enfermeira pára-quedista, nota que até as populações de outros países que viviam nas fronteiras com as antigas colónias recebiam apoio. “Chegámos a evacuar pessoas do Senegal para Bissau. Mulheres grávidas, por exemplo”, conta a antiga enfermeira, que recorda a sensação de alívio com que ela e as colegas eram recebidas durante as evacuações de soldados feridos. “Sentiam-se seguros quando nos viam. Alguns deles mantinham-se conscientes até à nossa chegada, pensando que, se chegássemos, estariam safos”.

Testemunho: “Casei com a enfermeira”

Piloto da Força Aérea, o coronel Miguel Pessoa participou em muitas evacuações de feridos. Mas, houve um dia que viveu na pele a experiência de ser ele o evacuado, quando o avião em que seguia foi abatido por um míssil. A aeronave caiu no mato, mas o piloto (o então tenente Miguel Pessoa) seria resgatado pelas forças portuguesas, sendo transportado de helicóptero até Bissau, onde recebeu assistência no hospital militar. 

“O método foi expedito. Correu tudo bem. Tão bem que casei com a enfermeira que fez a evacuação”, recordou Miguel Pessoa durante a tertúlia realizada na Livraria Arquivo sobre o sistema de saúde durante a guerra colonial. Num dos dois helicópteros onde fez a viagem até Bissau seguia Giselda Pessoa, enfermeira pára-quedista, com quem viria a casar (na foto, durante o resgate a Miguel Pessoa).


Conclusões da Tertúlia do dia 27FEV15, apresentadas pelo moderador da sessão,
TCor. Ley Garcia

A Tertúlia do dia 27FEV15 foi dedicada ao apoio de saúde durante a Guerra do Ultramar, nomeadamente, o acesso aos cuidados de saúde dos colonos e das populações nativas.
Foram debatidas questões como:

·    Se a formação dos médicos em Portugal era adequada para desempenhar a função de médico no Ultramar;
·       Se a informação dos militares acerca das doenças venéreas era adequada para os problemas que eles iam lá encontrar;
·        Se havia boas estruturas de apoio à saúde;
·        Se havia muita diferença de meios de apoio à saúde de região para região;
·       Se os serviços de saúde apenas apoiavam os militares ou também os civis brancos e negros;
·      Que meios é que os Enfermeiros tinham ao seu dispor para dar apoio directo aos feridos nos locais onde os ia buscar ou apoiar;
·     Qual a autonomia que os Enfermeiros tinham no que respeita à decisão de colocar o evacuado do modo mais rápido no hospital, tendo em conta a gravidade do seu estado;
·        Como teria sido o apoio médico se já tivessem os meios de diagnóstico atuais.

No final foi possível concluir que:

·     Era necessário os médicos terem formação complementar por causa das doenças tropicais e das condições que iriam lá encontrar;
·    Apesar de alguma informação dadas aos militares, a maior parte deles não se sabia precaver de forma adequada para evitar as doenças venéreas;
·      Era complicado combater as doenças venéreas por haver “profissionais” que chegavam a deslocar-se de avião para onde os militares estavam colocados, facilitando a transmissão da doença. Mas foi possível combatê-la em várias regiões graças a um maior controlo conjunto destas “actividades”;
·        Era comum os feridos resultantes de minas fracturarem os maxilares;
·      Os médicos ganharam muita experiência com doentes e feridos traumatizados, o que foi muito útil para melhorar a medicina no Continente;
·   O apoio à saúde chegava a ser mais rápido e eficiente no Ultramar do que no Continente, mas variava de região para região, sendo claramente melhores numas regiões do que outras; Em muitos locais existiam médicos e enfermeiros suficientes;
·       O apoio de saúde era prestado também às populações nativas. Muitas vezes este apoio ajudava na “conquista” das populações;
·     Era comum os enfermeiros estarem a dar os primeiros cuidados de saúde a feridos e, ao mesmo tempo, terem de ter cuidado para não serem feridos;
·    Os enfermeiros tinham bastante autonomia e capacidade de decisão quanto ao tratamento e às evacuações a efectuar;
·     Por norma existia um bom relacionamento entre médicos e enfermeiros, complementando-se no seu trabalho;
Na altura da Guerra do Ultramar só existia disponível a Penicilina para utilizar como antibiótico e os diagnósticos tinham de ser feitos muito à base da observação, inquérito e apalpação dos doentes. Actualmente existem muito mais antibióticos que poderiam ter curado rapidamente muitas das doenças que os militares sofreram no Ultramar, sendo que os meios de diagnóstico actualmente existentes permitiriam aos médicos uma actuação muito mais eficaz por conseguirem identificar a doença ou as fracturas com precisão. No entanto, em zonas de combate tais meios nem sempre seriam possíveis de utilizar pelo que os conhecimentos e a experiência dos médicos e enfermeiros foram determinantes para curar os doentes e feridos da melhor maneira possível.

Agradecemos ao Jornal de Leiria, Maria Anabela Silva e Mário Ley Garcia, fundamentais para a preparação deste poste.

sábado, 7 de março de 2015

P620: UMA ACHEGA DO MANUEL KAMBUTA...

CLARO QUE FUI AO CONVÍVIO DA
TABANCA DO CENTRO

Ó raio de mil diabus, ó Maneli, afinali valeu a pena andaris com tanta priocupação com diatas e tudo hêm???? na é isso qui os retratus mostram, tu francamenti saiste cá um prenda qui só visto, ó rapaz ó mê sacana bê lá si ganhas juízu e tino, tá bem?.

Carédo carédo nha mãizita, o queu tou a óbiri, tirem-me daqui porra, atão afinali sirá qui cá este rapazitu si purtou mal no cumbíbio da TABANCA DO CENTRO da NHA BILA DI MUNTARIALI? É pá na mi digam, parece-me qui mi purtei num cachopo purreirinhu, raio mas qui mau feitiu desta genti dos infernus, na podem ber nadita di nada do queste filhu da nha mãizita diz e faz, porra pra isto, bem, prá próxima bez façu pióri, bão beri, ai bão bão, na queru saberi do qui as ôtras pissouas pensam ó dizem, bou purtar-me muntu bem, até queru ber se deboru a trabessa do cuzido tudinha, ai bou bou.

Ai, mas hoije foi im cheio, saí da Tabanca tã sastefeito, plu cumbíbio currer tã bem, foi mesmo purreiro podem acriditari, guestei mesmu pá, é qui toda aquela rapaziada, sim aqueles cachopos todus, purtaram-se tã bem pá, e quemeram a sepita tudinha, «COZIDO À PORTUGUESA» .

Foi dia de convívio da TABANCA DO CENTRO, aqui na minha Linda e acolhedora Vila de Monte Real, como sempre, foi um convívio em família, muito concorrido, muito alegre e divertido, é para se repetir, vale a pena participar, gostei como sempre, abraços para todos os TABANQUEIROS/AS, só uma pergunta, falta muito para o próximo convívio?

Pessoal amigo, uma boa noite para todos/as, um forte abraço cá do bom amigo Manel Kambuta».


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

P616: PUBLICADO NO "JORNAL DE LEIRIA" EM 19 DE FEVEREIRO

Começa já na próxima 6ª feira, 27 de Fevereiro o segundo ciclo de tertúlias "A História somos Nós", com uma sessão subordinada ao tema "O Sistema de Saúde no Ultramar", em que se pretende abordar os impactos da guerra sentidos na vertente dos serviços e cuidados de saúde nas províncias ultramarinas, tanto para as comunidades colonas presentes como para as populações nativas.



Deixamos-vos aqui a notícia publicada no "Jornal de Leiria", associado a esta iniciativa, lembrando ainda que a sessão decorrerá nas instalações da Livraria "Arquivo" (em Leiria)  - Avª Combatentes da Grande Guerra, nº 53 - pelas 18H00 de 27 de Fevereiro. A entrada é livre.

Para quem participar no nosso convívio em Monte Real, com almoço na Pensão Montanha no mesmo dia, é uma boa oportunidade para assistir depois a esta sessão organizada por aquela Livraria e pelo núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, com o apoio do "Jornal de Leiria".



domingo, 22 de fevereiro de 2015

P615: JÁ À VENDA NOS GRANDES ESPAÇOS

“NÓS, ENFERMEIRAS PARAQUEDISTAS”

A Tabanca do Centro fez em devido tempo (NOV2014) a divulgação da apresentação do livro "Nós, Enfermeiras Paraquedistas".

Estamos agora em condições de informar que o livro já está à venda nas grandes superfícies (Bertrand, FNAC, etc.) a um preço que rondará os 19,00 €. Deverá ser num desses locais que os interessados deverão fazer a sua aquisição. 


Aproveitamos ainda para informar que estão já previstas duas apresentações do referido livro:

A primeira em Aveiro, pelas 18H00 de 26 de Março, no Centro de Congressos de Aveiro Cais da Fonte Nova, contará com a presença do Senhor Professor Adriano Moreira.

A segunda pelas 15H00 de 9 de Abril, na Messe de Oficiais da Batalha, no Porto, com o apoio do Núcleo da Liga dos Combatentes.
A informação sobre estas duas apresentações foi-nos transmitida por um responsável pela Editora "Fronteira do Caos", que publicou o livro, podendo ainda ser passível de pequenas correcções. Divulgaremos mais pormenores quando deles tivermos conhecimento.

A Tabanca do Centro

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

P614: O MUNDO É PEQUENO...

UMA GRANDE COINCIDÊNCIA!

No final dos anos 60, já com 19/21 anos, conheci na Base Aérea de Monte Real vários Pilotos da Força Aérea com quem me dava muito bem, apesar de alguma diferença de idades.
Entre eles conheci um (que interessa a esta história), o então Ten. PILAV Luís Quintanilha, o qual, com a minha ida para a Guiné, perdi totalmente de vista.

Como julgo já ser do conhecimento dos meus camarigos, a seguir à minha saída da Guiné, em Dezembro de 1973, por causa da minha inadaptação (chamemos-lhe assim) à Metrópole, acabei por ir para Angola trabalhar, ficando a morar em Luanda, cidade da qual guardo as melhores recordações.

Aí reencontrei o Luís Quintanilha, que ao tempo era Comandante dos TAM, (Transportes Aéreos Militares), e por isso mesmo quase todas as semanas, mais coisa menos coisa, levava o Boeing 707 militar em viagem para Luanda, onde acabava por ficar sempre alguns dias.

Acabámos por nos tornar quase inseparáveis, numa grande amizade, aliás fácil, porque ambos tínhamos nesse tempo uma certa dose de “loucura” que os tempos revolucionários tinham o condão de provocar.


Mas a história é muito simples e trata-se de uma coincidência engraçada, que acaba por envolver a Guiné.

É que em 1974, aproximando-se o mês de Dezembro, o Luís, numa ida a Luanda, disse-me que tínhamos de combinar um jantar em grande, porque ele fazia anos no dia 21.

Achei graça à data, e disse-lhe que tínhamos de comemorar até muito bem, porque era o dia em que eu tinha saído da Guiné, em Dezembro de 1973.

Ele perguntou-me então se tinha saído de barco ou de avião, e eu disse-lhe que tinha vindo no Boeing dos TAM.

Ele então riu-se e disse-me: Então fui eu quem te trouxe para Lisboa, porque nesse dia dos meus anos eu fui a Bissau em missão com o Boeing 707.

Aqui fica a coincidência para a posteridade.


Marinha Grande, 6 de Janeiro de 2015
Joaquim Mexia Alves

Nota:

O meu grande amigo Luís Quintanilha acabou por falecer num acidente de avião civil (nos anos 90), lá para os lados de Sintra, com mais dois Pilotos, entre eles outro amigo meu, o Cor. PILAV João Carlos David, que foi Comandante da Base Aérea de Luanda e do qual também hei-de contar uma história.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

P613: TEM INÍCIO NO PRÓXIMO DIA 27 DE FEVEREIRO

Coincidente com a realização do nosso 43º encontro da Tabanca do Centro, no próximo dia 27 de Fevereiro, vão iniciar-se na mesma data as II Jornadas do Ciclo de Tertúlias dos Combatentes.

Embora sujeito eventualmente a pequenos acertos, deixamos-vos aqui o que pretende ser o programa deste ciclo de tertúlias, organizado pela Livraria Arquivo e pelo Núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, contando com o apoio do Jornal de Leiria. 

As sessões decorrerão na Livraria Arquivo, Avª Combatentes da Grande Guerra, nº 53, em Leiria, pelas 18H00 das datas indicadas, e têm entrada livre.

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CICLO DE TERTÚLIAS DOS COMBATENTES
A História Somos Nós
II Jornadas
A guerra colonial e o impacto na sociedade civil

Organização
- Livraria Arquivo
- Núcleo Leiria Liga Combatentes
Apoio
         - Jornal de Leiria
Local: Livraria Arquivo.
Início pelas 18h00 e duração de 1H30
Entrada Livre
Objectivo:
Nas primeiras jornadas do ciclo das tertúlias sobre este tema pretendeu-se abordar a nossa história recente ao nível da presença militar com especial enfoque à guerra colonial, como uma oportunidade para que antigos combatentes partilhassem histórias, análises, opiniões e sentimentos sobre o que vivenciaram no ultramar, aproveitando o relato em primeira mão das memórias desse importante período da nossa história.
Nestas segundas jornadas procura-se agora alargar a discussão às vertentes menos tratadas, mas igualmente importantes do impacto da guerra colonial nas diversas áreas sociais e cívicas. Os temas serão tratados de um perspetiva mais civilista, procurando identificar a perspetiva da guerra vista pelos civis presentes ou afetados pela guerra e confrontá-la com os impactos positivos ou negativos da presença militar nos territórios ultramarinos.
É objetivo importante neste 2º ciclo envolver as estruturas locais afetas aos assuntos tratados, nomeadamente, profissionais e serviços de saúde, professores e serviços do sistema educativo, grupos eclesiásticos, missionários e leigos envolvidos nas missões religiosas e humanitárias.

1ª Sessão – 27 Fevereiro 2015: O sistema de saúde.
Abordar os impactos da guerra sentidos na vertente dos serviços e cuidados de saúde nas províncias ultramarinas, tanto para as comunidades colonas presentes como para as populações nativas.
a.   Estruturas de saúde existentes antes da guerra (genericamente)
b.   Capacidades e carências antes da guerra
c.   Acesso aos cuidados de saúde dos colonos e das populações nativas
d.   Impacto da chegada das forças militares;

2ª Sessão – 27 Março 2015: Estruturas religiosas e iniciativas humanitárias.
Conhecer a organização da assistência religiosa nos territórios ultramarinos. Analisar o papel e o funcionamento das estruturas missionárias. Debater a amplitude e enquadramento de iniciativas humanitárias e da sua convivência com o sistema político vigente.
a.   Estrutura da igreja católica nos territórios antes do conflito e transformações derivadas da guerra e da chegada das forças militares;
b.  Análise das consequências da guerra no trabalho de evangelização e do papel dos religiosos junto das populações nativas;
c.   As missões, o seu enquadramento e a sua ação durante o conflito;
d. Assistência humanitária, iniciativas, estruturas e o seu enquadramento;
e.   Outros atores envolvidos.

3ª Sessão – 24 Abril 2015: O Sistema educativo.
Analisar a estrutura do sistema educativo implantada nos territórios ultramarinos e as transformações decorrentes tanto da deflagração do conflito armado como da chegada das forças militares.
a.   Rede escolar existente (genericamente)
b.   Programas ministrados e confrontação com os currículos seguidos no território continental
c.   Acesso à educação
d.   Impacto da chegada das forças militares.
  
4ª Sessão – 29 Maio 2015: Missões de voluntariado.
Identificar diversas iniciativas e missões de grupos de voluntariado no apoio ao esforço de guerra, no apoio às populações ou na vertente humanitária e apresentar as suas atividades mais marcantes.
a.   Madrinhas de guerra;
b.   Missionários (religiosos e leigos)
c.   Organizações Não-governamentais
d.   Grupo de aviação voluntária
  
5ª Sessão – 26 Junho 2015: A guerra colonial na imprensa nacional e local.
Elaborar sobre a perspetiva da guerra colonial através dos relatos da imprensa da época e compará-la com as leituras posteriores e particularmente com a visão atual nos media.
e.   Meios de comunicação disponíveis;
f.    Imprensa de nível nacional
g.   A guerra colonial na imprensa local
h.   Liberdade de imprensa ou falta dela
i.     Posicionamento dos militares perante os meios de comunicação




terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

P612: JERO - CRÓNICAS DOS TRIBUNAIS / 4

PALAVRAS E PALAVRÕES

O Juiz Dr. João Solano Viana era na vida pessoal e profissional um “gentleman”, que não dizia nem gostava de ouvir palavrões. Mas nem sempre se conseguia livrar desse desconforto pois em certos processos-crimes palavrões era o que não faltava…

Ao longo do tempo em que com ele trabalhei como escrivão foi-se estabelecendo entre nós um “código”, no que respeita a palavrões que eram ditos nas audiências. Concluída a prova era chamado ao seu gabinete no Tribunal de Alcobaça para dactilografar a sentença. Quando era preciso escrever palavrões o Dr. Solano Viana fazia uma pequena pausa e usava o “nosso” código: “cozer” e/ou  “carvalho” escrito pelo claro, claro está.

Um dia, no julgamento de um crime de estupro, uma testemunha chamada a depor pelo advogado de defesa afirmou ter visto o réu a ter relações sexuais com a queixosa, acrescentando pormenores que não eram nada vulgares serem vistos por terceiros…

Intrigado o Meritíssimo Juiz interrogou directamente a vizinha da queixosa, que vivia no lugar de Bemposta-Alcobaça. «Mas a senhora testemunha viu mesmo o réu meter o pénis na vagina da ofendida?»

Vi perfeitamente a cara de espanto da testemunha, que segundos depois respondeu: «Qual “peres”, qual “virgínia” Sr. Doutor Juiz. Foi mesmo o “carvalho”…»
E disse-o, pelo claro!

A veemência do seu testemunho teve peso do juízo final do Dr. João Solano Viana.

O réu escapou da cadeia porque entes da execução da pena juntou ao processo uma certidão de casamento, que provava que a queixosa tinha passado a ser a sua esposa.

Tenho uma vaga ideia de que o seu primeiro nome era Virgínia...

JERO