quarta-feira, 30 de novembro de 2022
sexta-feira, 25 de novembro de 2022
domingo, 20 de novembro de 2022
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
P1347: EM CONTAGEM DECRESCENTE...
Nota: Se precisarem de observar os mapas mais em pormenor, podem aumentar a imagem carregando simultaneamente no botão "CTRL" e rodando a rodinha do rato (scroll). No fim da visualização não se esqueçam de retomar o tamanho normal da imagem (no meu caso uso os 110%).
terça-feira, 8 de novembro de 2022
domingo, 23 de outubro de 2022
P1345: JÁ FOI HÁ 54 ANOS...
O MEU EMBARQUE PARA A GUINÉ
23.10.68 – 23.10.2022
Tudo começou muito antes.
A Inspecção Militar a que todos os mancebos eram sujeitos era o
princípio da vida militar e era feita na sede do concelho de residência dos
referidos, no ano em que se faziam vinte anos. Eu, porque tinha nascido e
morado sempre em Alcanena, foi na minha terra que fui inspeccionado juntamente
com os outros quarenta e nove. Logo de manhã fomos para o Salão Nobre do
edifício da Câmara Municipal, portas fechadas e janelas corridas, mandaram-nos
despir e deram-nos um papel onde um soldado apontou o nosso peso e a nossa
altura. Todos nus, com um papel na mão.
No Gabinete do Presidente da Câmara estavam os médicos militares que
nos inspeccionavam, um a um, muito à pressa e lá nos
davam a notícia que estávamos “apurados” para todo o serviço militar. É certo
que um ficou “esperado”, porque era baixo e gordo e outros dois ficaram
“livres” sem se saber porquê.
Quando nos íamos vestindo, o tal soldado que nos tinha pesado e medido
vendia-nos uma fita verde e vermelha, com um alfinete, para colocarmos na
lapela do casaco, a dizer que estávamos apurados. Os que ficavam livres, tinham
direito a uma fita branca.
Nesse dia, apesar de tudo foi dia de festa. Houve jantarada do grupo e
depois baile até de madrugada. Era assim.
Depois foi só aguardar que os editais nos chamassem para a vida militar. A
minha sorte mandou-me para a Escola Prática de Cavalaria em Santarém, no dia 10
de Outubro de 1967. Era uma segunda-feira e tudo era novo para aqueles
trezentos e sessenta recrutas do Curso de Sargentos Milicianos. A maioria, onde
eu estava incluído, só entrou depois do almoço e depois de ter sido dado mais
um toque no cabelo, e lá entrámos. Logo de seguida fomos receber o fardamento,
deram-nos um número – eu era o 2060/67 – indicaram-nos a caserna e o nosso
número lá estava numa cama. Nada de enganar.
Aprendemos, assim, a formar para o jantar. O refeitório era do outro lado
da parada, no primeiro andar. E lá jantámos tendo-nos sido dito que às nove
horas tínhamos uma palestra no mesmo refeitório para aprendermos o que era a
tropa. Claro que ninguém faltou. Todos presentes para aprender onde estávamos
metidos. O porta-voz foi o Comandante do meu Esquadrão, o Tenente Sentieiro que
em palavras simples nos elucidou perfeitamente onde estávamos e o que o futuro
nos reservava.
Dessa palestra há passagens que ficaram na memória e que hoje aqui merecem
ser recordadas. Por exemplo: “Essa coisa onde estão a deitar a cinza
dos cigarros e as beatas, agora é um cinzeiro, mas amanhã de manhã é uma
chávena de vista alegre para beberem o café com leite e à hora do almoço é um
copo de cristal por onde vão beber o vinho ou a água”. Afinal aquilo era só
um púcaro de alumínio…
Outra dessa noite com alguma piada, mas sem graça nenhuma, foi quando o
orador nos disse que só poderíamos sair para a rua quando soubéssemos todos os
postos da hierarquia militar e bem assim os que mereciam ser cumprimentados militarmente
– com continência – para evitar que fossemos bater pala ao porteiro do Hotel
Abidis que tinha uma farda que parecia um marechal. E assim foi.
No outro dia foi o princípio. Aprendemos a marchar, aprendemos a rebolar
nas barreiras, a saltar ao galho, a fazer a ponte interrompida, saltar a vala,
rastejar, subir ao pórtico e lá fazermos alguma manobras, saltar das camionetas
a não sei quantos à hora, devidamente enrolados, e sempre a marchar.
As barreiras, antes da recruta acabar, foram proibidas. Não por causa de
alguns braços partidos e outros pequenos ferimentos, mas porque as fardas
estavam a desfazer-se.
O tiro era treinado, de dia e de noite, na Carreira de Tiro fora do quartel
com todo o tipo de arma desde a pistola até às várias metralhadoras pesadas.
As instruções nocturnas eram normalmente às terças e quintas-feiras e
duravam até depois da uma da manhã, quando não era até mais tarde. Íamos para
as Ómnias, lá para as margens do Tejo, para o Monte do Zé Morto, para o caminho
de Rio Maior e na semana de campo fomos para lá da Chamusca, sempre a pé e com
a carga toda às costas, incluindo a Mauser e o Capacete na cabeça. Nessa semana
nem uma tenda pôde ser montada, apesar de irmos carregados com todos os
apetrechos. Parece que o “inimigo” estaria ali por perto. Ordens são ordens.
Esta semana de campo foi depois da tragédia das cheias, inundações e morte de
centenas de pessoas na zona de Vila Franca, Alenquer, Loures e Odivelas. Só
para nos centrarmos no tempo.
Depois de tudo isto, lá chegou o dia do Juramento de Bandeira e logo a
seguir ficámos a saber que a maioria do pessoal, daqueles dois Esquadrões de
Instrução, tinha chumbado e passado para o Contingente Geral. Dos trezentos e
sessenta, foram só duzentos e um que chumbaram. E mais tarde, já na Guiné, é
que vim a saber de fonte segura a razão de tanto chumbo. Foi o Comandante
daquele Grupo de Esquadrões de Santarém, que também estava na Guiné e,
infelizmente, lá morreu no acidente do helicóptero que caiu e onde iam também
alguns Deputados da Assembleia Nacional que estavam de visita à Guiné que
morreram também, que me disse que tinha havido um erro na classificação das
pautas de tiro, que dependiam da Direcção da Arma de Infantaria a quem podiam
pedir a revisão das mesmas. Mas como éramos de Cavalaria, ficou assim.
Não vale a pena continuar a falar, agora da especialidade, nem do resto do
tempo até ao embarque. Mas passei pelo RTM no Porto onde tirei a especialidade,
fui depois para o BT, na Graça, em Lisboa, a seguir para o QG em Tomar, depois
de mobilizado voltei ao BT, e logo de seguida fui para o 15 em Tomar, que foi a
minha Unidade Mobilizadora e na véspera do embarque fui passar a noite aquele
hotel estrelado que era o Depósito Geral de Adidos.
É verdade. Parece que foi ontem e já lá vão CINQUENTA anos desde o dia do
embarque para a Guiné, mas está tudo bem guardado na memória.
Depois de uma noite muito mal dormida nos Adidos, na Calçada da Ajuda, logo
de manhã lá estava ataviado a preceito para embarcar para a guerra.
Dois dias antes, ainda no RI 15 em Tomar, a minha Unidade Mobilizadora,
soube que ia para o BCaç 1911 - que nunca vi e que parece que veio no barco
onde fui. Apanhei uma boleia com um senhor da minha terra que lá foi buscar o
filho, para também embarcar para a guerra, salvo erro era para Angola. Lá fomos
os três no Volkswagen 1300 do senhor, a caminho dos Adidos em Lisboa.
Almoçámos, já não me lembro onde, e lá chegámos à capital do Império e aos
Adidos.
Entrámos os dois pela porta de armas, cada um foi para o seu sítio, mas no
dia seguinte deixei de o ver. Afinal acabou por ficar cá - não chegou a
embarcar. Tinha as suas mazelas certamente.
No dia do embarque, no dia 23 de Outubro de 1968, como disse, logo de manhã lá
estava fardado como deve ser, de saco às costas com os meus pertences. Foi só
esperar que as camionetas começassem a chegar para levar toda aquela malta de
rendição individual para o cais de Alcântara. Éramos cerca de sessenta, tudo de
cabeça baixa, sem saber para onde íamos.
Quando chegámos ao Cais o grosso dos expedicionários já estava devidamente
formado; era o Batalhão de Caçadores 2856, também do RI 15 de Tomar,
constituído por quatro Companhias, mais um Pelotão de Polícia Militar que ia
para Cabo Verde e ainda outras Unidade mais pequenas, género Pelotões de Canhão
Sem Recuo, Pelotões de Apoio Directo, etc.
Nós ficámos livres da formatura e, certamente por isso, fomos dos primeiros
a embarcar. Ao cimo das escadas lá estavam as senhoras do MNF – Movimento
Nacional Feminino - a darem um maço de cigarros "Porto", um isqueiro
e uns aerogramas a cada um. Também por lá se viam uns senhores de chapéu e de
sobretudo, que alguns mais vividos diziam serem da PIDE.
O Uíge atracado à espera, com a tropa formada, depois de um
General ter passado revista às forças ao som de uma Banda Militar, depois dos
discursos da ordem, lá começaram a embarcar, sempre com a Banda a tocar marchas
militares.
Os nossos familiares estavam do outro lado das barreiras e muitos nas
varandas da Gare, com os lenços brancos nas mãos e as lágrimas nos olhos.
Os lenços brancos a acenar eram mais do que muitos. Da minha parte lá
estavam os meus pais e os meus tios que moravam em Lisboa. Sabia mais ou menos
onde eles estavam posicionados porque tínhamos combinado antecipadamente. A
amurada do barco do lado do Cais estava repleta de militares o que provocava um
relativo adornar do navio.
Entretanto, cerca do meio-dia, as máquinas do navio começam a fazer mais
barulho e a silvar. Vêem-se já os rebocadores que o há-de ajudar a largar e a
ganhar o rumo da Barra do Tejo. Foram momentos difíceis de descrever.
Adivinhávamos facilmente que os familiares no Cais choravam. Alguns até
gritavam e ouvia-se bem apesar da distância ser cada vez maior. Mas
ouvia-se.
Navio Uíge em Bissau / Foto: Torcato Mendonça
A bordo também havia lágrimas em muitos olhos. O barco ganha rumo, a ponte
"Salazar", era assim que se chamava a que hoje se chama "25 de
Abril", começa a ficar cada vez mais perto, até que passámos por baixo
dela. Dali até à Barra e depois ao mar alto parece que foi um momento.
Mal ou bem lá fomos encaminhados para os nossos aposentos, para largarmos o
nosso saco e para tomarmos conhecimento dos nossos beliches. A esmagadora
maioria - onde eu estava incluído - viajou nos porões, que noutras viagens
transportavam tudo e mais alguma coisa. O cheiro era horroroso. As camas eram
mesmo tipo beliche, mas em madeira de pinho, com colchões de palha e uma manta
da tropa em cima. A estrutura das mesmas, porque em madeira, estava já cheia de
dedicatórias de toda a ordem que se possa imaginar, fruto de outras viagens de
idas e de regressos.
Já no mar alto fomos para a primeira refeição, o almoço, numa sala grande,
a sala de jantar do barco, e a comida era aquela que nos quiseram dar, porque
os orçamentos naquela altura já eram apertados, mas ninguém se queixou…
Depois foram cinco dias a ver-se só mar e céu, tudo azul, e de vez em
quando uns peixes voadores a acompanhar o Uíge, e por vezes até
golfinhos como que a desejarem-nos boa viagem. Raras vezes avistámos outros
barcos, mas sempre ao longe. Passámos relativamente perto das Canárias.
Disseram-nos que, como aquilo era um Transporte de Tropas, estávamos a ser a
ser acompanhados por um submarino. Já era a psicossocial a funcionar.
No convés havia uma espécie de um bar onde se vendia cerveja e Coca-Cola, sendo
esta uma novidade autêntica uma vez que na Metrópole a mesma ainda era
proibida. A cerveja era holandesa. Eram garrafas de meio litro, verdes, que nós
nunca tínhamos visto. Claro que com estes estimulantes a viagem e o tempo
parece que custavam muito menos a passar.
Nos porões, logo no primeiro dia, foram montadas bancas para a batota,
neste caso a lerpa, e os profissionais dessa jogatina lá assentaram arraiais e
foram depenando os mais desprevenidos, que eram a esmagadora maioria.
E assim chegámos a Bissau no dia 28, ao final do dia, tendo o barco ficado
ao largo e o pessoal desembarcado para barcaças que de imediato tinham rodeado
o navio por todos os lados.
A todos os companheiros, camaradas e amigos que vão sobrevivendo e que há
54 anos viajaram comigo no Uíge, um grande abraço e votos de muita
saúde.
Carlos Pinheiro
23 de Outubro de 2022
sábado, 15 de outubro de 2022
P1344: É BOM SER MAIS VELHO...
O ELOGIO DA VELHICE
Deus concedeu-me a graça de ter 4 filhos.
Acredito que cada um deles me há-de pegar pela mão e ajudar a atravessar a estrada que se vai agora apresentando à minha vida .
Agora ainda acham graça às minhas expressões de dor que vai percorrendo todo o meu corpo mas sei e sinto que lá no fundo se vão preocupando com o pai que continua, apesar de tudo, forte e vivo.
Claro que as dores são fruto da idade, mas também muito fruto das asneiras da vida que levei e que foram muitas, (algumas forçadas, como a guerra, mas a maior parte de livre vontade), e tinham forçosamente de marcar os meus anos mais velhos
Um tal Variações cantava que “quando a
cabeça não tem juízo o corpo é que paga”!
É engraçado começar a viver agora as recordações daquilo que, quando novo, achava daqueles que tendo a minha idade ou sendo mais velhos, iam dizendo e se iam queixando e como eu desvalorizava esses “queixumes” acreditando que eram para chamar a atenção.
Percebo agora que os nossos “queixumes” nestas idades, são muito mais para nós, são íntimos, do que para chamar a atenção dos outros.
Gostaríamos até de conseguir não nos queixarmos para não preocuparmos os mais novos, mas, caramba, às vezes nem são tanto as dores, são mais as incapacidades de fazer algo tão simples como calçar e descalçar as meias sem ter que “gemer” um pouco!
Mas é bom ser mais velho.
Dá-nos, por exemplo, a capacidade de nos
calarmos para não provocar discussões, (embora tenhamos os nossos “repentes”
pois claro), conseguirmos “adivinhar” reações, sabermos coisas que os mais
novos ficam espantados, contarmos histórias que eles querem ouvir, (às vezes
até lhes acrescentamos umas “coisas” para ficarem mais bonitas ou
interessantes), lembrarmos sítios que já não existem ou tradições perdidas,
enfim, somos quase uma “enciclopédia” de “banalidades” interessantes.
E é tão gratificante quando os mais novos nos pedem para repetir as histórias que já contámos vezes sem fim, mas que eles querem recordar, muito provavelmente para poderem contar quando chegarem à “idade das dores”.
Depois, também, as ofensas que nos fizeram ou nós fizemos, vão-se esbatendo e vamos percebendo o ridículo do incómodo que nos causamos por não perdoar ou não pedir perdão.
Começamos a perceber bem melhor o
sentido de viver em paz.
A mim, sinceramente, nunca me preocupou a idade, (a não ser por causa das tais “incapacidades”), e acho até interessante ser olhado como mais velho.
Há sempre algum respeito nesses olhares.
A morte nunca me preocupou e hoje em dia muito menos, pois a Fé que vivo ou tento viver todos os dias, dá-me a certeza de que, mais tarde ou mais cedo, estarei nos braços de Deus, (depois de purificadas as minhas inúmeras faltas), no gozo do amor que nunca acaba.
E o amor talvez seja o melhor elogio à velhice!
Joaquim Mexia Alves
NOTA: Claro que escrevo o que sinto e na generalidade, pois cada situação é diferente, sobretudo para aqueles que são abandonados pelos mais novos.
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
P1343: A QUEM POSSA INTERESSAR...
“DESPOJOS DE GUERRA” , NA SIC
Meus
caros
Há já mais de um ano a SIC, através do trabalho da jornalista
Sofia Pinto Coelho, preparou a apresentação de uma mini-série a que chamou
"Despojos de Guerra", com 4 episódios, já prontos há bastantes meses,
mas que as vicissitudes do conflito na Ucrânia levaram a adiar a sua exibição
até agora.
Referiu-me agora a Sofia Pinto Coelho que esta mini-série vai
finalmente ser apresentada, prevendo-se a sua exibição na SIC numa rubrica “Grande
Reportagem” integrada no final do Jornal da Noite da SIC (cerca das oito e
picos da noite) nas datas abaixo indicadas:
6OUT - Episódio sobre uma informadora da PIDE
13OUT - Episódio sobre um combatente africano DFA (Deficiente das
Forças Armadas)
20OUT - Episódio que acharam suficientemente curioso para abordar uma conversa
com a Giselda e Miguel Pessoa…
27OUT - Episódio sobre os Filhos do Vento - crianças que nasceram fruto das
ligações de militares nossos a mulheres africanas.
Segundo a jornalista esta apresentação será antecedida de uma promoção
prévia no canal SIC – de que não me dei ainda conta; mas, pelos vistos,
tendo estado em banho-maria há largos meses, este projecto encontrou finalmente
pernas para andar... E, como o primeiro episódio está previsto já para 5ª feira
6 de Outubro, aqui fica o aviso para quem possa estar interessado em ver.
Abraço
Miguel Pessoa
quinta-feira, 29 de setembro de 2022
P1342: JÁ VAI SENDO TEMPO...
RETOMAR OS NOSSOS CONVÍVIOS
Já vai longo o tempo que nos temos mantido afastados dos nossos convívios da Tabanca do Centro, sendo que o último almoço que nos reuniu foi realizado no já remoto mês de Fevereiro de 2020!
As condições que existiam então já não se verificam – o espaço cedido pela Paróquia de Monte Real não irá ser utilizado e as instalações de que a D. Preciosa dispõe dificilmente acolherão com segurança mais que 30 ou 40 comensais. E mesmo parte do pessoal que colaborava na casa teve que procurar outros meios de subsistência, devido a uma actividade mais limitada da D. Preciosa durante a pandemia.
Consideramos por isso que a continuidade da colaboração nos moldes anteriores será difícil de garantir, pelo que procurámos na zona outras alternativas, embora sabendo que será impossível conseguirmos os preços praticados nos nossos convívios de então.
Uma primeira hipótese que considerámos foi o restaurante Saloon na Quinta do Paul (Ortigosa), que nos garante um espaço óptimo para convívio, bom espaço de estacionamento para as viaturas e um ambiente agradável e seguro. E não fica longe de Monte Real e de Leiria. Claro que os preços propostos pelo restaurante (20€) fogem um pouco ao que estávamos habituados, mas também temos que reconhecer ter havido neste interregno um significativo aumento do custo de vida. E também será de referir que haverá um aumento da qualidade do local do convívio em relação ao anterior.
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| Restaurante Saloon |
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| Amplo espaço interior |
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| Espaço exterior muito agradável |
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| Localização do restaurante na Quinta do Paul, não muito longe de Monte Real |
À MESA - SALA EXCLUSIVA
ENTRADAS Á MESA
Quarteto de Frutas c/ Presunto
Selecção de Padaria: Broa
Espetadinha de Chouriço; Morcela e entremeadas
Creme de Legumes ou Canja de Aves
(*)PEIXE ou CARNE
Novilho Raça Marinhoa, batatinhas assadas e salteado de legumes
Entrecosto de Porco com molho de leitão, Saladas e Batata Assada
SOBREMESAS:
Tranche de Chocolate e Caramelo Salgado e apontamento de frutas
BEBIDAS:
Vinhos Quinta do Paul Branco e Tinto; Frisante Branco
Águas/Refrigerantes/Cerveja/Café/Chá
Por Pessoa 20€
Horas de permanência prevista 3h30 a 4 horas
(*) Selecionar um dos pratos
Temos ainda alguns contactos para apresentação de proposta por outra empresa, mas que não está ainda disponível de momento. Assim, tendo em consideração a proposta de almoço agora apresentada, cabe ao pessoal pronunciar-se sobre o interesse de avançarmos proximamente com um convívio nestes moldes, ressalvando que em qualquer momento poderemos seguir outro caminho, caso venha a ser encontrada uma opção mais atractiva para o nosso grupo.
Caso seja considerado um valor pesado para as bolsas do pessoal, poderíamos ainda considerar uma redução do número de convívios por ano – no anterior eram organizados 8 convívios por ano, este número poderia ser reduzido para 6, à média de um encontro a cada dois meses. Mas esta é uma opção que gostaríamos de evitar, pois o sistema anterior parecia estar a funcionar bem (Só não se faziam convívios nos meses de Julho, Agosto e Dezembro, por motivos óbvios, bem como no mês da realização do convívio anual da Tabanca Grande, em Maio ou Junho).
Ficamos pois à espera dos vossos comentários e sugestões, que podem deixar na caixa de comentários a este post:
É aceitável para ti o valor de 20€ proposto pelo restaurante?
Agrada-te o lugar proposto para o convívio?
Aceitarias manter os 8 convívios por ano ou preferias uma redução do nº de encontros?
Tens sugestões a apresentar sobre este assunto?
A Tabanca do Centro
segunda-feira, 19 de setembro de 2022
P1341: LEMBRANDO O VELHO SISTEMA DE ENSINO...
AS VIRTUDES DO ENSINO
EM TEMPOS REMOTOSE
por isso atrevo-me a pedir que depois de lerem, se lerem, me ajudem com as
vossas opiniões, sobre que lições se podem tirar (se é que se podem tirar
algumas) do conjunto das situações.
1. - Vamos aos factos.
Depois
de ter feito o Curso de Montador-Electricista (era assim que se designava) na
Escola Industrial e Comercial de Vila Franca de Xira, terminado em 1964, fui
para Lisboa, cidade grande, fazer as chamadas Secções Preparatórias para o
possível ingresso no Instituto Industrial. Essa fase intermédia ocorreu na
Escola Industrial Machado de Castro, nos anos letivos de 1964/65 e 1965/66. Os
exames de admissão decorreram com aproveitamento e deste modo entrei no
Instituto Industrial de Lisboa para o Curso de Eletrotecnia e Máquinas em Outubro
de 1966.
2. – Enquadramento social
Dois
pequenos apontamentos para ajudar a complementar as situações e a focalizar as “cenas”
na época.
Um
desses apontamentos é para lembrar que o Ensino estava elitizado. Havia a via
liceal e a via do chamado “ensino técnico”. Aos “liceais” estava aberta a via para
a Universidade, nas suas várias vertentes, com os seus “cursos superiores”, enquanto
que para os do “ensino técnico” era privilegiada a “via profissional”, ou seja,
a entrada no mercado de trabalho para exercer uma profissão ou então, através
dos “Institutos”, para almejar alcançar uma situação que seria sempre reconhecida
como “cursos médios”.
Ao
nível do ensino da engenharia isso traduzia-se a que as duas vertentes, a “universitária”
e a “média” se materializavam no Instituto Superior Técnico (e Faculdades de
Engenharia) e nos Institutos Industriais, sedo que essa separação elitizada
projetava-se na Instituição Militar com os primeiros a integrar os Cursos de
Oficiais Milicianos (o COM) e os outros os Cursos de Sargentos Milicianos (o CSM).
Outro
pequeno apontamento é que pelos anos acima indicados, talvez ainda se lembrem,
pois já são anos “do século passado”, havia um esforço de guerra governamental em
terras africanas para defender da cobiça internacional aquelas terras e aquelas
gentes que nos tinham sido legadas pelas gestas dos descobrimentos e que os nossos
“antanhos” tinham desbravado e defendido para nós, “numa mão a Cruz, noutra a
Espada”.
Para
esse esforço foram mobilizados milhares de jovens. Aos que na época eram
estudantes, era facultada a possibilidade de adiamento da incorporação nas
Forças Armadas através de pedidos nesse sentido, com base no desenvolvimento
dos estudos.
Aos
jovens que frequentavam o Instituto Industrial, que para lá chegarem tinham
tido, para além da 4ª Classe de escolaridade, 5 anos de Ensino Técnico e depois
2 anos das Secções Preparatórias, num total de 7 anos, mas que não tinham “equivalência
funcional” aos 7 anos do Ensino Liceal, era também concedida a possibilidade de
“pedido de adiamento” mas, para tal, o “aproveitamento escolar” deveria ser
irrepreensível. Havia umas quantas “cadeiras”
que davam precedência a outras do ano seguinte e cuja falta implicava não se
poder avançar e, consequentemente, ao nível do “aproveitamento” era considerado
insuficiente para o fim pretendido.
3. - Continuando então com os factos.
Este
jovem que vos escreve, que até então tinha sido um aluno de razoável mérito, “distraiu-se”
um pouco no meio da “cidade grande” e das suas solicitações, embora diariamente
fizesse as viagens de comboio entre a casa familiar e a Escola. Como resultado
disso, as notas da maior parte das disciplinas da 1ª Frequência desse ano letivo
de 1966/67 foram o que se pode chamar “um desastre”. Após isso, e reganhando
vontade, atirou-se a tentar recuperar o possível e aconselhado por um Professor
de uma das cadeiras fulcrais, a Física, deixou-a “cair” para ter possibilidade
e capacidade para outras. Assim fiz.
Não
passei de ano na totalidade, pois algumas cadeiras ficaram para trás, mas como
ainda não tinha chegado a idade da incorporação militar não houve consequências
imediatas. Entrei então no meu segundo ano de presença no Instituto, ano letivo
de 1967/68, embora a frequentar novamente cadeiras do 1º ano e, salvo erro, apenas
duas já do 2º ano, as que não necessitavam de precedência e tinha tido aproveitamento.
Esse
ano correu bem.
4. – A situação “estranha”.
No
ano seguinte, ano letivo de 1968/69, em que já tinha ido “às sortes” em Agosto
8e aprovado para todo o serviço), as coisas “complicaram-se” a partir de um
acontecimento insólito. A cadeira de Matemática II tinha um professor na “teórica”,
de nome “Vítor qualquer coisa”, mas por lá conhecido na gíria por “papá” já que
tínhamos a “mamã”, esposa dele, a dar a “prática”. Diga-se então, em abono da
verdade, que funcionava assim como uma “disciplina familiar”…
A
“mamã” era uma pessoa de baixa estatura que contrastava fortemente com a altura
física do “papá”, o que por vezes era motivo de piadinhas, mas o mais agravante
era o facto de a senhora dar aulas a crianças do preparatório e algumas vezes
não se dava conta de estar a leccionar no Instituto a “pessoas crescidas” e com
recorrência, para chamar a atenção a qualquer coisa, recorria à expressão “então,
meninos, tomem lá atenção a isto”, coisa que criava animosidades.
Num
dia de prova prática, ocorrida num dos pavilhões onde se davam aulas por falta
de instalações apropriadas (um espaço retangular com o quadro ao fundo, a
secretária da docente também, carteiras distribuídas em filas e porta de
entrada num canto oposto ao quadro), a “mamã” começa a escrever no quadro o enunciado
da prova, obviamente estando de costas para os alunos.
Acontece
que aí na terceira ou quarta questão, enquanto a escrevia, a porta do fundo foi
aberta e um aluno mais velho começou a dar em voz alta a solução para uma
daquelas questões. Claro que houve algum “bruá” com o insólito da situação e eu
também, entre outros, voltei a cabeça para trás para ver quem e donde vinha o “atrevimento”.
Nesse instante a “mamã” também se virou e disse
-
“arrume os seus papéis e saia!”.
Com
o pressentimento que aquilo podia ser para mim perguntei ao colega que estava
ao lado, que me disse que lhe parecia que sim. Olhei para a “mamã” que nesse
momento estava com a cabeça voltada para baixo e continuei a procurar responder
às questões. Voltei a ouvir
-
“já lhe disse, arrume os papéis e saia!”.
Incomodado
com a injustiça e com o “sangue na guelra” dos 19/20 anos, levantei-me e
interpelei pouco amistosamente,
-
“Isso é comigo?”
-
“Sim, sim, saia!”
-
“Mas, professora, eu não fiz nada, não era eu que falava, além disso já tenho
estas questões resolvidas, porque é que tenho que sair?”
-
“Porque eu mando!”
Revoltado
com a situação, levantei-me e incorretamente (do ponto de vista “civilizacional”)
cheguei perto da “mamã” e, literalmente, atirei, à bruta, com o papel onde estavam
algumas respostas resolvidas, para cima da secretária e saí. É preciso que se
diga, também em prol da verdade, que 4 ou 5 dos colegas presentes falaram em
meu abono e fizeram também menção de abandonar a sala, mas consegui demovê-los
a tal.
5. – Consequências “quase” imediatas
Um
pouco mais tarde, aquando da colocação das pautas com as classificações,
verifiquei que no que me dizia respeito estava lá um provocador “8”, escrito
por cima de número rasurado que, notava-se bem por o verniz corretor nem sequer
disfarçar bem, que tinha dois dígitos. Estava ainda a tentar perceber/digerir o
que se passava e as consequências do mesmo, quando vindo do corredor da
secretaria aparece o “papá”. Na minha santa ingenuidade pergunto-lhe se não
teria havido algum engano pois estava convicto de que no exame final ter tido
um desempenho que esperava ser da ordem dos 14 ou 15 e afinal estava na pauta
um 8.
Com
a maior desfaçatez perguntou sibilinamente
-
“qual é o seu número?”
ao
que eu disse
-
“8606” e ele replicou (mostrando assim conhecer bem a “estória”
-
“ah, isso, é para ver se ganhas juízo para o ano!”.
Com
esta situação, não foi possível mostrar que o aproveitamento era bom e como
consequência fui chamado a incorporar o Exército, a meio de Julho de 1969 na
EPC (Escola Prática de Cavalaria), em Santarém, para o 1º Ciclo do CSM.
6. - Considerações
É aqui que peço o vosso auxílio para tentar
extrair conclusões deste emaranhado de acontecimentos e seus enquadramentos.
Valorizar
o sistema de Ensino então vigente? O seu elitismo? A sua forma de aplicar pedagogia?
Por
outro lado, é bem verdade que, por via dos acontecimentos, tive a oportunidade
de contactar e conhecer tantas pessoas com as quais agora desenvolvo relações
de amizade e respeito.
Então
qual deverá ser o sentimento que devo privilegiar nestas recordações?
Hélder Sousa
Fur. Mil. Transmissões TSF









