terça-feira, 23 de janeiro de 2024
sexta-feira, 19 de janeiro de 2024
segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
P1445: SINEIRO DE RECURSO...
O “ALEGRE” FUNERAL DA MINHA AVÓ
Deixo-vos aqui uma pequena lembrança do que acima indico, o dia do funeral da minha avó Josefa, que me ocorreu ao deparar com uma foto dela, que eu tirei, foto essa que a minha irmã tinha (e tem) lá na casa da aldeia onde agora vive.
Não sei precisar que idade eu tinha por essa ocasião, creio que uns 15 ou 16 anos (no limite em 1964) e, por esse tempo, o meu Avô “Xico” Valério - que, diziam, era “mau como as cobras”- era uma espécie de “regedor”, já que tomava conta da casa da Junta de Freguesia ao mesmo tempo que operava também como uma espécie de “sacristão”, já que também zelava pela Igreja da aldeia e coadjuvava o Pároco que aos domingos e pelas Festas (de datas religiosas e das datas profanas) vinha do Cartaxo.
O meu Avô era como as pessoas dos meios rurais daqueles tempos, ajeitava-se para fazer “tudo e mais alguma coisa”. Por via disso, dados esses seus conhecimentos - de trabalhos de construção civil, de agricultura, lavoura, lidar com gado, etc. - trabalhou numa então grande propriedade em Vila Chã de Ourique, a “Casa Francisco Ribeiros”, na qualidade de uma espécie de “feitor”, cabendo-lhe orientar trabalhos e dirigir o pessoal. Aqui é que as coisas se complicavam, pois, naqueles tempos, a rudeza do trabalho, a falta de formação das pessoas e a propensão para desafiar qualquer autoridade (fosse ela qual fosse ou de quem fosse), obrigavam a ser duro, inflexível, pois caso contrário seria “trucidado”. Daí a fama de “mau como as cobras”, mas completamente injusta.
Naturalmente, quando a minha avó faleceu, em casa, como era habitual (não sei se se lembram, mas não havia SNS e nos meios rurais, e não só, morria-se em casa depois de se experimentar várias “mezinhas caseiras”) o meu avô estava por lá procurando fazer o que seria necessário para o funeral que seguiria de casa para o Cemitério da terra, a Aldeia de Vale da Pinta.
Mas não havia ninguém que pudesse, ou soubesse, tocar o sino a acompanhar o desenvolvimento do funeral e o meu avô não o poderia fazer.
Por essa ocasião fiquei muito desapontado
com a Igreja e os seus seguidores pois revelaram uma grande falta de piedade
cristã, o que me levou de imediato a tomar a decisão de ir “tocar o sino” e
depois a afastar-me de tal grupo de “falsos cristãos”.
Como não tinha experiência de “tocador
de sino” e também, verdade seja dita, estava revoltado com a situação, lá fui
puxando as cordas e … bem …, a “sinfonia” que se ouviu durante o funeral, em vez
de batidas compassadas, lúgubres, soou bem mais a “toque de festa”, com badaladas
quase contínuas, que pareciam transmitir “alegria”.
Pelo menos foi o que ouvia
dizer pelas “gentes piedosas” quando me inquiriam (quando souberam que tinha
sido eu o “sineiro”) o que tinha sido “aquilo”.
Para mim foi uma grande e boa
homenagem que consegui prestar à minha Avó a qual, havendo Céu, estará lá com
toda a certeza.
Hélder Valério Sousa
sábado, 13 de janeiro de 2024
P1444: PROTEJA-SE DO FRIO!
CONSELHOS ÚTEIS PARA O TEMPO QUE SE FAZ SENTIR
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
sexta-feira, 5 de janeiro de 2024
P1442: OBRIGADO, ALFERES MOTA
domingo, 31 de dezembro de 2023
sábado, 23 de dezembro de 2023
P1440: COM VOTOS DE UM FELIZ NATAL PARA TODOS!
Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
Está bem, eu sei!
E as garrafas de vinho?
Já vão a caminho!
Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive teto nem afeto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!
João Coelho dos Santos
in Lágrima do Mar - 1996
quarta-feira, 20 de dezembro de 2023
P1439: UM CONTO DE NATAL
CONTO DE NATAL 2023
Verdade seja dita, pensou ela, que há muito tempo os seus filhos não a vinham visitar, mas o seu coração de mãe, cheio de amor, ia encontrando desculpas para eles não a visitarem.
Coitadas das suas “meninas” e “meninos”, com certeza atarefados nas suas vidas de trabalho, de família, já com filhas e filhos a criar e que, por isso, não teriam tempo para a visitar.
Sorriu ao lembrar-se das suas netas e netos que há tanto tempo já não via e até lhe parecia, (a sua memória já não era muito fidedigna), que talvez houvesse alguns que ainda não conhecia.
Os seus olhos doces encheram-se de lágrimas suaves quando se lembrou da sua antiga casa e do Natal, ainda com o seu homem e aquelas seis filhas e filhos que Deus lhes tinha dado ao redor da mesa, numa algazarra alegre e bem disposta.
Que saudades lhe vieram ao coração ao lembrar-se de todos esses Natais onde se percebia bem como a família ia crescendo sem parar.
Regressou à realidade do lar e da sala onde se encontrava, respondeu qualquer coisa, sem pensar, a uma qualquer pergunta da companheira do lado, olhou para o grande calendário pendurado na parede, (também não era preciso ser tão grande, até parece que ali estava para contarem os dias que lhes faltavam para partir definitivamente!!!), e viu que era dia 24 de Dezembro pelo que, pensou ela quase num sonho, ainda havia tempo para a família a vir visitar.
A tarde chegava ao fim e ela, resignadamente, olhou para o crucifixo pendurado na parede e para o pequeno presépio colocado numa mesa de canto, e rezou baixinho:
Obrigado Jesus porque quiseste nascer para nós, quiseste ser igual a nós e até morrer por nós, para nos salvar.
Olha por todos os meus e dá-lhes tanta felicidade como me deste a mim, até mais, eu Te peço, e não deixes que nunca se sintam sós.
Perdoa por me sentir nestes momentos tão só, tão desamparada, mas olha, Jesus, coloco estes momentos na Tua Cruz, dou-tos como presentes no Teu Presépio, oferecendo-os pela conversão, felicidade e salvação de todos os meus.
Aquela oração trouxe uma paz e uma alegria serena ao seu coração e ela sorrindo, pensou: Sou tão feliz por ter Jesus comigo!
Foi nessa altura que a porta da sala se abriu e o seu filho mais velho entrou e chegando a ela beijou-a com toda a ternura dizendo-lhe: Anda, mãe, a empregada do lar já está a fazer-te uma pequena mala para vires jantar e passar a noite de Natal a nossa casa!
Ela nem sabia o que dizer e as lágrimas inundaram-lhe a cara.
À porta de casa do seu filho, depois de sair do carro, beijou-o novamente e de mão dada com ele entrou em sua casa, que afinal era a mesma casa que tinha sido sua.
Ao chegar à sala da casa, ficou completamente rendida à alegria, à saudade, a algo tão inexplicável que parecia lhe “rebentava” qualquer coisa no seu coração.
Ali, naquela sala de tantas memórias, estavam todas as suas filhas e filhos com as suas famílias, que a rodearam e cobriram de beijos e abraços.
Joaquim Mexia Alves















