Temos
o prazer de reproduzir um poema escrito pelo nosso camarigo Juvenal Amado e
recentemente publicado no blogue “Luís Graça & Camaradas da Guiné”. Decisão
que nos agradou tomar dada a sensibilidade e emoção que emana do poema, a que
acresce o facto de este belo texto já estar escondido nas “páginas seguintes”
do blogue da Tabanca Grande. Teremos assim a possibilidade de partilhar com mais
uns tantos camaradas um poema de grande sensibilidade que dirá muito a grande
parte dos nossos camarigos, que passam ou já passaram por momentos idênticos.
Com a
devida vénia ao Juvenal Amado e à Tabanca Grande, que publicou este poema.
Os
editores
![]() |
| Juvenal Amado |
“Caros camaradas,
É costume falarmos das agruras do nosso passado de
militares mas hoje cabe-me falar das alegrias do presente, bem como de algumas
dores nas costas.
Há um ano nasceu o meu neto Henrique, e como esse
acontecimento veio transformar a minha vida de piloto experimental de sofás,
bem como umas reconfortantes sestas, numa agitação de parques infantis, sopas e
fruta esmagada, fraldas mijadas e, pior que isso, choradeiras e agora já com
umas nódoas negras.
Não é nada que milhares de camaradas não tenham passado e
perguntarão alguns para quê tanta tragédia. Mas para que servem os momentos
felizes se não falarmos deles e dos seus actores, agora que estão aí as
castanhas e a água-pé mais logo o vinho novo?
Assim sendo cá vai um poema que as cataratas me deixaram
escrever.”
Um abraço para
todos
Juvenal Amado
PORQUE TARDASTE?
- Não conhecerás se não os meus olhos cansados
O meu andar pesado e lento
As minhas barbas brancas
O meu cabelo raro.
-Porque tardaste tanto?
Miro-te
Não sabes ainda que o tempo será sempre pouco
Vou guardar o teu sono
Pois os dias em que te contemplo serão curtos
Não te assustes com o vento e trovoada
Que eu rezo a Santa Bárbara.
- Vou ajudar nos teus os primeiros passos
Vou magoar-me com o teu choro
Quero-te mostrar a beleza do mar
Ensinar-te o quanto é suave o odor das árvores
Por recompensa beberei o teu riso
Cada gargalhada tua será um hino.
- Só chegaste no meu entardecer
Fizeste-me renascer
Trouxeste-me amanheceres límpidos
- Porque demoraste tanto a chegar?
Só tenho amor para dar e estórias para te contar.
Juvenal Amado





























