sexta-feira, 5 de julho de 2019

P1150: REVISTA "KARAS" DE JULHO

Já vem sendo hábito o encontro inesperado com o Jaime Brandão no dia do nosso convívio. Não admira, que ele é cliente habitual do Café Central... E mais uma vez lá estava ele de saída.
E, claro, o pessoal da zona tem o hábito de chegar cedo ao local da concentração, como é o caso do Manuel "Kambuta" Lopes e da sua Hortense.
Não sendo necessariamente da zona estes dois "Barões do K3" - José Manuel Quintas e Vítor Junqueira - tinham madrugado e aguardavam serenamente pela chegada do 3º elemento do bando, o José Pimentel de Carvalho. E finalmente lá chegou este, já com a presença do Miguel Pessoa. Com a ausência do Amado Chefe Joaquim Mexia Alves, retido num outro compromisso, o Miguel Pessoa teve que acompanhar mais de perto a chegada dos participantes, com reflexo na colheita de fotos nesta fase da concentração no Café Central... Felizmente havia outros fotógrafos disponíveis (o Manuel Lopes e o Paulo Moreno) que tomaram conta da cobertura fotográfica.
E como é habitual o JERO trazia exemplares do periódico de Alcobaça em que colabora (o "Cister"), que simpaticamente distribuiu pelos presentes. Infelizmente este seu trabalho no jornal reflecte-se na disponibilidade do JERO para nos acompanhar no convívio até tarde, pois sendo o dia do encerramento da edição ele tem que sair relativamente cedo para terminar o seu trabalho na redação do jornal.
Na foto da direita, dois amigos que costumam aparecer juntos - o Joaquim Caneira e o Abílio Vieira Marques - normalmente na companhia das respectivas esposas.
A chegada do Vasco da Gama foi apreciada pelos presentes, dada a sua pouca assiduidade nos últimos tempos... Por isso verificaram-se alguma manifestações de satisfação pela sua presença no nosso convívio. Esperamos que ele volte a habituar-se a aparecer...
O Domingos Santos tinha na sua posse um suplemento de domingo do "Correio da Manhã", de 20JAN2013, que trazia um artigo razoavelmente extenso ("Guiné - 1963 / 50 anos), sendo uma das notícias a recuperação do Miguel Pessoa após abate do avião que pilotava na zona do Guileje. A foto já conhecida do blogue (aliás tem sido disponibilizada pelo Miguel Pessoa...) está no fundo da página, aqui assinalada pelo Domingos Santos. Enfim, histórias antigas... Mas o artigo dá uma panorâmica geral da guerra da Guiné em todo o tempo de conflito, embora naturalmente resumida.
Há sempre motivos de interesse nos assuntos que possam ser abordados, como se pode deduzir desta animada conversa entre o Joaquim Rolo, Domingos Santos, Carlos Manata, Vitor Caseiro, Almiro Gonçalves e Carlos Oliveira (encoberto).
Com a indisponibilidade dos manos Rodrigues, por razões da saúde, o grupo de Torres Novas costuma ficar reduzido a quatro (isto nos dias bons...). Na foto da esquerda vemos o Lúcio Vieira, Alexandre Fanha e Manuel Ramos, enquanto o quarto torrejano, Carlos Pinheiro, confraterniza no bar com o JERO e o Carlos Manata.
O Luís Branquinho Crespo está certamente a receber do Agostinho Gaspar um reporte da sua recente deslocação à Guiné. Desta vez o Agostinho deslocou-se de avião em vez do jipe - para satisfação da esposa Isabel, que fica sempre preocupada com esta saídas do marido... E foi ponto assente nesta sua deslocação que ela não iria colidir com o nosso convívio, pois ele não está para estragar o recorde que bate em cada novo encontro - vai neste momento com 77 presenças em 77 encontros realizados, um pleno!
O Manuel Mendes trouxe desta vez consigo os dois netinhos, confessos apreciadores do cozido da D. Preciosa.
O Vitor Caseiro desdobra-se sempre nos contactos com o pessoal presente, falando aqui com o Almiro Gonçalves, enquanto a esposa deste, Amélia, põe a conversa em dia com a Giselda.
Estava na hora de se tirar a foto de grupo. Desta vez incluímos uma versão menos habitual, em que o fotógrafo também ficou na fotografia...
E era a debandada para o local da refeição. O pessoal acelera rampa abaixo, que a fome já aperta... Vemos no 1º grupo o Carlos Pinheiro, José Alberto Carvalho, JERO, Manuel Mendes, Vasco da Gama e Manuel Lopes, no 2º grupo o Manuel Ramos, Carlos Cordeiro, Joaquim Rolo, Domingos Santos, Agostinho Gaspar e José Salgueiro.
A distribuição no local foi feita como normalmente com a ocupação das mesas corridas existentes na sala, cada uma delas preparada para 8/9 participantes, juntando-se o pessoal um pouco de acordo com as suas afinidades. Na foto da esquerda vemos em primeiro plano o Silvino Correia d'Oliveira, a Giselda Pessoa e o José Alberto Carvalho, acompanhante (e primo) do Vasco da Gama.
À direita, em primeiro plano o José Salgueiro - que não falha nenhuma desde que nos descobriu... - o Domingos Santos e dois torrejanos, o Carlos Pinheiro e o Manuel Ramos.
Ao fundo vemos os outros dois torrejanos - Alexandre Fanha e Lúcio Vieira - aparecendo em primeiro plano o Carlos Cordeiro e o Paulo Moreno.
O Almiro Gonçalves e a Amélia não falham uma presença - Têm cartão permanente... Ainda não foi desta vez que o Miguel Pessoa e a Giselda puderam visitar a sua empresa familiar que já por diversas vezes nos mimou com bolinhos do seu fabrico - lembramo-nos dos pasteis de nata e do bolo escangalhado... Mas compromissos em Lisboa impediram desta vez essa deslocação.
O Carlos Oliveira e o Carlos Santos são generosos colaboradores no acerto de contas no final do almoço, um trabalho importante para garantirmos o pagamento da refeição à D. Preciosa. Ao fundo vemos ainda o José Manuel Quintas e o José Luís Rodrigues (outro figurante permanente nos nossos convívios).
O Carlos Manata tem sido mais assíduo nestes nossos últimos encontros - embora seja muito poupado na maneira como se inscreve, limitando-se a dizer laconicamente o seu nome na mensagem que nos envia. Na dúvida temo-lo inscrevido para o almoço - e ele tem aparecido...
Os 3 "Barões do K3" só sabem vir juntos - ou vêm todos ou não vem nenhum! Fazem-nos lembrar os Metralhas... Só vêem dois na foto ? Não se preocupem que o 3º Barão está do outro lado da mesa - eles nunca se afastam muito...
Um grupo que já se conhece desde o nascimento da Tabanca do Centro - Giselda, Vasco da Gama e JERO - retoma conversas já antigas, aqui na companhia do estreante José Alberto Carvalho, familiar e acompanhante do Vasco.
E nas deambulações pelas mesas o Vitor Caseiro mete conversa com o Mário Ley Garcia, habitual presença nas nossas reuniões.
Uma mesa já habitual nos nossos encontros, com o Agostinho Gaspar, Luís Branquinho Crespo e o casal Gonçalves, Almiro e Amélia.
E, claro, do outro lado da mesa tinha que estar a Isabel Gaspar e o Miguel, que acompanham normalmente o Agostinho nestas andanças.
O Manuel Kambuta Lopes gosta de se rodear dos seus amigos. Vemo-lo aqui com o Manuel Mendes. Infelizmente outro amigo, o António Sousa, não tem podido comparecer aos nossos encontros por motivos de saúde. Votos de melhoras rápidas para ele!
O JERO aproveitou naturalmente a presença do Vasco da Gama para pôr a conversa em dia. Mas agora um novo intervalo se adivinha - só para o fim de Setembro é que voltamos a reunir-nos. Contamos com a presença do Vasco.
O Joaquim Caneira costuma ser inscrito pelo Abílio Vieira Marques e ambos costumam ser acompanhados pelas esposas. Dado que o Joaquim não dispõe de endereço e-mail, não sabemos se ele costuma ter acesso às informações que distribuímos  sistematicamente aos participantes nos nossos encontros.
Os dois casais têm aqui a companhia da Hortense Mateus, enquanto o Kambuta deambula pela sala na sua função de fotógrafo free-lancer...
O António Alves, embora não seja um veterano nestas andanças já nos habituou às suas presenças em diversas frentes em simultâneo, pois temo-lo visto nos encontros da Tabanca do Centro, Tabanca da Linha e Tabanca Grande.
O Miguel Pessoa tem tido o apoio do Paulo Moreno e do Manuel Kambuta Lopes na realização das reportagens fotográficas dos encontros, com natural benefício para a revista Karas e para os participantes nos convívios, a quem as fotos são posteriormente  enviadas.
Como é habitual o pessoal da D. Preciosa esteve atento às necessidades dos presentes, Aqui a D. Dulce averigua se o Manuel Mendes e os netinhos precisam de  algum apoio.
Pela expressão dá a ideia que o Vasco se esqueceu do dinheiro para pagar o almoço! Mas não, ele só está a observar o paciente trabalho dos tesoureiros Carlos Oliveira e Carlos Santos no acerto da folha de pagamentos.
Resta-nos desejar-vos um bom verão. Mas continuem a acompanhar o nosso blogue, que não fecha para férias, embora mantendo um ritmo mais comedido. Para já vêm aí os slide-shows das fotos do último encontro. E temos textos em carteira a publicar proximamente. Vão dando uma vista de olhos, que vale a pena. Boas férias!

segunda-feira, 1 de julho de 2019

P1149: MAIS UM PARA RECORDAR


ALCUNHAS DO TEMPO DA VIDA MILITAR QUE NÃO ESQUECEM / 2


O “RATO”

1º Cabo Martins, O "Rato"
O 1º. Cabo auxiliar de enfº. Martins não enganava... Tinha “pinta”! Rapidamente deu nas vistas. Aprendia depressa e era um «desenrascado»... natural.

Aquele seu jeito vinha-lhe do berço. Esperto e mandado para a frente: para o bem e para o mal... Pequeno de estatura, de olhos bem vivos, mexido e malandro q.b. .
Estava na vida militar como «peixe na água»: Não era mais um. Dava a pele por um seu superior.

No norte da Guiné no «baptismo de fogo» da sua C.Caç. 675 o Martins, ou melhor, «o Rato» (como já era então por todos conhecido e tratado) mostrou a sua raça e que... os homens não se medem aos palmos... No «Diário» da Companhia a sua actuação foi descrita assim: «...De salientar na emergência a coragem do Cabo Enfº. Martins que não abandonou o ferido em cima da viatura, gritando para o Claudino (o condutor) que continuasse a andar para o estacionamento».

Há que esclarecer que a viatura em causa transportava um ferido grave – o soldado Almeida que veio a ficar cego de um olho – e que foi emboscada quando seguia isolada a caminho do aquartelamento. Está claro que o «Rato» em cima da viatura e debaixo de fogo chamou ao Claudino tudo... menos bom rapaz...

É que este, em desespero, abandonou momentaneamente a cabine para se abrigar do fogo inimigo. Foram os gritos e «os nomes feios» do Cabo Martins que o fizeram voltar ao volante do Unimog. Terá sido o «Rato» que com o seu exemplo e coragem evitou males maiores.

Depois... ao longo dos meses... esteve sempre em todas.
No mato e no quartel.
Aprendeu a falar os dialectos nativos e... não tivessem pena dele.

Ninguém na Companhia «terá partido mais catota...» que o Cabo Enfº. Martins.
Generoso e valente como operacional. Malandro e desenrascado no quartel… e na tabanca!

Onde estava o «Rato» não passava desapercebido! Quando não sabia... ”inventava” e como auxiliar de enfermagem transmitia confiança. Ia a todas e... não se atrapalhava. Era bom tê-lo por perto quando havia azar... Vivia intensamente a “sua” Companhia.

O que o ex-Alferes Tavares conta da sua dor exaltada quando da morte do soldado Nascimento no Hospital de Bissau demonstra isso mesmo. «...Mal cheguei ao Hospital dei de caras com o «Rato». Este estava no HM 241 a fazer tratamento de antiparasitação e logo que me viu gritou-me a má nova: Morreu o Nascimento. Estava agitadíssimo. Em cada três palavras dizia duas asneiras. Já não sei como mas... segui-o pelos corredores do Hospital e fui dar a uma sala onde estava um corpo coberto por um lençol. O «Rato» destapou o corpo e reconheci o corpo desnudado do Nascimento. Morto. Não tinha um pé.»

Mais uns meses e o Martins regressou à Metrópole cheio de sonhos. Infelizmente não optou pelo retorno às (suas) origens. A Tondela. A pequena vila e sede de concelho do distrito de Viseu. À terra que o tinha visto nascer.
 Ficou por Lisboa, pela grande cidade.
 E... perdeu-se!
Terá vivido em equilíbrio precário, na corda bamba e não encontrou nunca «terra firme»...

Visitou amigos da vida militar. Teve a ajuda de alguns. Viveu em sobressalto. Em correria. Parecia adivinhar que a sua vida ia ser curta.
Numa visita à sua terra natal – a Tondela – morreu num acidente de motorizada. Quando soube, chorei sentidamente o «Rato».

Fui seu superior directo na vida militar.
Como eu estimava o puto! Depois do regresso da Guiné tive o “Rato” em Alcobaça, em casa dos meus Pais. Um fim de semana.

À noite, já o “Rato” estava deitado, a minha mãe quis saber se ele estava bem e se precisava de mais alguma coisa.
O «Rato» preparava-se para dormir sem pijama porque, simplesmente... não o tinha. Escondeu embaraçado a nudez do tronco com a roupa e respondeu à minha mãe que não, que estava tudo bem. Parecia um «menino» encabulado! Lembro-me como se fosse hoje.
Raramente vi o Rato tão atrapalhado. O Rato irreverente, desenrascado, sem papas na língua... ficou sem palavras. Tinha sido um menino que teria crescido sem amor e que não estava habituado a que o tratassem tão bem!

JERO
É assim que o recordo. 
O seu sorriso de embaraço frente a alguém que o tratava como a um filho.

O “Rato” deixou a vida cedo. Vida que viveu a correr. Parecia adivinhar que a sua vida ia ser curta. Recordo-o com muita saudade.

Se isso pode ser considerado como um bem... permaneceu desde então, desde sempre na minha memória, como um jovem, misto de “malandro” e de menino que terá crescido para a vida... com falta de amor.

O Rato foi... tudo isto.
Se tivesse vivido nos tempos de Asterix teria sido, com certeza, também um irredutível.
Que saudades eu tenho do sacana do puto…
JERO


domingo, 23 de junho de 2019

P1147: OUTRAS GENTES, OUTROS COSTUMES


NA SUÉCIA O “MIDSUMMER” FESTEJA
O SOLSTÍCIO DE VERÃO

José Belo
Dia 21 de Junho, solstício de Verão, dia mais longo do ano.
No Norte de Portugal festeja-se o São João. Na Suécia, país protestante, festeja-se nesta data o "Midsummer", que mais não é que o acima referido solstício de Verão.
Festa vinda de tempos imemoriais na qual a natureza é o figurante central.

O tão exótico Sol da Meia-noite que nos proporciona nesta altura do ano algumas semanas de luz contínua e cria  um ambiente quase mágico.
Descrevê-lo para quem nunca o presenciou é tarefa impossível para este tão limitado "escriba".
Não é em nada semelhante à luz do nascer ou pôr-do-sol, mas antes uma luminosidade quase mágica, como que criada para poetas.


A luz do sol da meia noite no Junho de Estocolmo.
Näo é täo forte como na Lapónia mas näo é menos exótica.
Depois dos longos Invernos de nove meses em que o sol nunca sobe no horizonte esta luz cria todo um ambiente propício à Festa.

No centro dos largos principais de aldeias, vilas e cidades levantam-se altos postes decorados com grinaldas de flores.
Tradicionalmente o levantamento dos postes é tarefa unicamente efectuada pelos homens da localidade, em acto simbólico da fecundação da natureza que, neste curto período do ano escandinavo, explode em criação.

A meio da manhã  os habitantes acompanhados por crianças de todas as idades formam grandes círculos concêntricos à volta do poste cantando versos tradicionais e efectuando gestos mímicos variados.
(É o momento da festa favorito das crianças!)
Tudo acompanhado a acordeão, violino e um muito antigo tipo de guitarra-violino de 12 cordas.

Todos colocam à volta da cabeça bonitas grinaldas de flores selvagens.
É então que as tais "suecas-míticas" brilham em toda a sua beleza natural fazendo esquecer a este lusitano que os vinte anos já lá vão... e que nesta altura do ano tem cerca de... trinta anos!

Ao contrário das alcachofras queimadas pelas românticas meninas do Porto na busca dos grandes amores, por aqui as jovens procuram 7 diferentes flores silvestres que devem ser colocadas sob a almofada da cama onde dormem.
Deverão então sonhar com o grande amor da sua vida.
Caso isto não aconteça não será por a magia ter falhado mas sim porque elas apanharam as flores erradas!

Ao meio da tarde come-se bem e bebe-se... ainda melhor! (Aqui estou a ser diplomático!)


A ementa tradicional desta festa consta de infindável variedade de receitas (cada dona de casa tem a sua) de filetes de arenque cru, curados com os mais variados condimentos, como a mostarda, cravinho, pickles, tomate e cebolas variadas, cominho, coentros, endro, etc, etc, etc, que são acompanhados de batata nova (e é fundamental que seja batata nova) e uma mistura de iogurte com natas frescas.


Inúmeros queijos, alguns bem curados e temperados com cominho, muita manteiga e tostas duras. Serve-se também salmão, tanto fumado como curado em mistura de 2/3 de sal, 1/3 de açúcar, pimenta moída e endro - ambos em fatias extremamente finas.
Ovos cozidos, divididos ao meio e cobertos de caviar.


Quantidade de cerveja bem gelada com teor de álcool muito (!) superior ao lusitano, acompanhada em cada gole (!) por uma também infindável variedade de vodkas condimentadas com especiarias.


Para as crianças há as muito saborosas almondegas suecas e um tipo de pequenas salsichas grelhadas.
Tudo isto finalizado por um enorme bolo de morangos com natas.

Depois da bem bebida refeição começa o baile que se prolonga por toda a não existente "noite".

(Dizem alguns que não será por acaso que o mês de Março/Abril é o mês  em que nascem mais crianças na Suécia)

Um grande abraço desde o extremo do extremo norte da Suécia.

José Belo




sexta-feira, 14 de junho de 2019

P1144: UMA EXIBIÇÃO... EM CUECAS


      Meus caros amigos e camaradas

Hélder Valério Sousa
Não me tem sido possível participar nos vários "Encontros/Almoços" da "Tabanca do Centro" por motivos que, se não se importam, não vou elencar aqui e agora. Não tenho ido, ponto!
Mas agora, por "pressão" do Joaquim Mexia Alves, do Miguel Pessoa e com o "pontapé de saída" do "Jero", vou tentar corresponder ao desafio que me lançaram de ser um contributor mais activo.

Sendo assim, aqui vai a primeira "recordação", que ainda não foi objecto de texto para publicação no "Blogue-Mãe". Lá chegarei, também, mas já agora segue para aqui, talvez de forma mais resumida ou, pelo menos, sem pretensões de servir para "tirar ilações", como por vezes costumo fazer.

O maior problema é a falta de fotos ilustradoras pois das que tinha tirado em Piche, e foram bastantes, perderam-se numa emboscada à coluna de Piche para Nova Lamego. Vinham à guarda de um dos meus operadores, que vinha de férias (eu, quando vim de Piche para Bissau deixei lá ficar a caixinha com as fotos e foi esse 1º Cabo Guedes que era seu portador). A coluna foi alvo de ataque, o Guedes ficou ferido no pescoço com um pequeno estilhaço mas a mala que ele trazia foi atingida por um estilhaço maior que, entre outras coisas, atingiu a minha caixinha de fotos.

Então, a história/recordação que vos proponho conhecer tem a ver com o que se passou uma bela tarde à saída do Entroncamento, na estrada para Torres Novas. 
Hélder Valério Sousa

UM ESPECTÁCULO INESPERADO…
E APLAUDIDO


Ao tempo estava a fazer o estágio em Tancos.
Fiz o 1º Ciclo do CSM em Santarém, saiu-me a especialidade de TSF pelo que o 2º Ciclo do CSM foi feito no então BT (Batalhão de Telegrafistas) em Lisboa e depois foi necessário efectuar um estágio operacional tendo-me calhado Tancos. A mim e a mais três....

Ora esses tempos em Tancos, que ocorreram entre a primeira quinzena de Janeiro e até ao meio de Abril de 1970, foram muito bons e cheios de coisas notáveis. Os meus camaradas de curso eram o Fernando Marques (que não chegou a ser mobilizado), de Alhandra, casado, com uma vida civil razoável, possuindo um "Morris Cooper" com o qual ele me levava e trazia de volta a casa passando em Vila Franca, onde então eu vivia. Além dele e de mim havia também o Mário Miguel, de Barcelos (que foi para Moçambique) e o Manuel Martinho, de S. Martinho do Campo, Santo Tirso, que foi para a Guiné comigo.

Era raro o dia em que não fizéssemos uma saída de Tancos para as redondezas, para as proximidades e também para mais longe, Entroncamento, Tomar, Torres Novas.

No dia desta história decidimos ir até Torres Novas.
Saída do Quartel (do "Perímetro Militar de Tancos") fardados, no tal "Morris" com os saquinhos de roupa civil no porta-bagagem. Tudo bem, tudo normal.

Passámos o Entroncamento, tomámos a estrada para Torres Novas e, em certa altura, seriam quase em cima das 18:00, tomámos uma saída para um terreno um tanto descampado e inclinado à direita da estrada, parámos o carro, tirámos os sacos com as roupas e vá de despir a farda.

Durante alguns instantes ficámos em cuecas e em tronco nu e foi quando se começaram a ouvir uns assobios do tipo dos que se costumavam fazer às miúdas assim a modos que "fuifuiu, fuifuiu, fuifuiu". Só nessa altura reparámos que onde estávamos era em frente à saída de uma fábrica, que o "mulherio" que entretanto estava a sair era mais que muito e que lhes oferecemos, sem querer nem saber, um espectáculo de "striptease", muito aplaudido.

Fizemos o que tínhamos a fazer, seguimos o nosso caminho, debaixo de vários piropos e, como seria de esperar e era natural naqueles tempos, tudo correu lindamente.

É claro que nunca mais cometemos o mesmo erro mas sempre que por lá voltámos a passar as nossas gargalhadas não se faziam esperar.

E é tudo, sobre este episódio.
Abraços
Hélder Valério Sousa