segunda-feira, 17 de junho de 2019
sexta-feira, 14 de junho de 2019
P1144: UMA EXIBIÇÃO... EM CUECAS
Meus caros amigos e camaradas
| Hélder Valério Sousa |
Não me tem sido possível participar nos
vários "Encontros/Almoços" da "Tabanca do Centro" por
motivos que, se não se importam, não vou elencar aqui e agora. Não tenho ido,
ponto!
Mas agora, por "pressão" do
Joaquim Mexia Alves, do Miguel Pessoa e com o "pontapé de saída" do
"Jero", vou tentar corresponder ao desafio que me lançaram de ser um
contributor mais activo.
Sendo assim, aqui vai a primeira
"recordação", que ainda não foi objecto de texto para publicação no
"Blogue-Mãe". Lá chegarei, também, mas já agora segue para aqui,
talvez de forma mais resumida ou, pelo menos, sem pretensões de servir para
"tirar ilações", como por vezes costumo fazer.
O maior problema é a falta de fotos
ilustradoras pois das que tinha tirado em Piche, e foram bastantes, perderam-se
numa emboscada à coluna de Piche para Nova Lamego. Vinham à guarda de um dos
meus operadores, que vinha de férias (eu, quando vim de Piche para Bissau
deixei lá ficar a caixinha com as fotos e foi esse 1º Cabo Guedes que era seu
portador). A coluna foi alvo de ataque, o Guedes ficou ferido no pescoço com um
pequeno estilhaço mas a mala que ele trazia foi atingida por um estilhaço maior
que, entre outras coisas, atingiu a minha caixinha de fotos.
Então, a história/recordação que vos
proponho conhecer tem a ver com o que se passou uma bela tarde à saída do
Entroncamento, na estrada para Torres Novas.
Hélder Valério Sousa
UM
ESPECTÁCULO INESPERADO…
E APLAUDIDO
E APLAUDIDO
Fiz o 1º Ciclo do CSM em Santarém, saiu-me a especialidade de TSF pelo que
o 2º Ciclo do CSM foi feito no então BT (Batalhão de Telegrafistas) em Lisboa e
depois foi necessário efectuar um estágio operacional tendo-me calhado Tancos.
A mim e a mais três....
Ora esses tempos em Tancos, que ocorreram entre a primeira quinzena de
Janeiro e até ao meio de Abril de 1970, foram muito bons e cheios de coisas
notáveis. Os meus camaradas de curso eram o Fernando Marques (que não chegou a
ser mobilizado), de Alhandra, casado, com uma vida civil razoável, possuindo um
"Morris Cooper" com o qual ele me levava e trazia de volta a casa
passando em Vila Franca, onde então eu vivia. Além dele e de mim havia também o
Mário Miguel, de Barcelos (que foi para Moçambique) e o Manuel Martinho, de S.
Martinho do Campo, Santo Tirso, que foi para a Guiné comigo.
Era raro o dia em que não fizéssemos uma saída de Tancos para as
redondezas, para as proximidades e também para mais longe, Entroncamento,
Tomar, Torres Novas.
No dia desta história decidimos ir até Torres Novas.
Saída do Quartel (do "Perímetro Militar de Tancos") fardados, no
tal "Morris" com os saquinhos de roupa civil no porta-bagagem. Tudo
bem, tudo normal.
Passámos o Entroncamento, tomámos a estrada para Torres Novas e, em certa
altura, seriam quase em cima das 18:00, tomámos uma saída para um terreno um
tanto descampado e inclinado à direita da estrada, parámos o carro, tirámos os
sacos com as roupas e vá de despir a farda.
Durante alguns instantes ficámos em cuecas e em tronco nu e foi quando se
começaram a ouvir uns assobios do tipo dos que se costumavam fazer às miúdas
assim a modos que "fuifuiu, fuifuiu, fuifuiu". Só nessa altura
reparámos que onde estávamos era em frente à saída de uma fábrica, que o "mulherio"
que entretanto estava a sair era mais que muito e que lhes oferecemos, sem
querer nem saber, um espectáculo de "striptease", muito aplaudido.
Fizemos o que tínhamos a fazer, seguimos o nosso caminho, debaixo de vários
piropos e, como seria de esperar e era natural naqueles tempos, tudo correu
lindamente.
É claro que nunca mais cometemos o mesmo erro mas sempre que por lá
voltámos a passar as nossas gargalhadas não se faziam esperar.
E é tudo, sobre este episódio.
Abraços
Hélder Valério Sousa
terça-feira, 11 de junho de 2019
sábado, 8 de junho de 2019
P1142: NÃO ESTÃO ESQUECIDAS...
ALCUNHAS DO TEMPO DA VIDA MILITAR
QUE NÃO ESQUECEM / 1
Já
passaram mais de 50 anos e não esqueci algumas das alcunhas de “rapazes” que
passaram dois anos na Guiné integrados na “minha” C.Caç. 675. E como tenho nos
meus arquivos alguns “testemunhos” desses velhos tempos posso de vez em quando
“mergulhar” fundo no passado “sem perder o pé”…
Posto
isto vamos a factos.
No
longínquo dia 4 de Julho de 1964 dois grupos de combate da C.Caç. 675 saem para
o mato, no Norte da Guiné, e têm um tremendo “baptismo de fogo”, que incluiu um
ataque bem sucedido a uma tabanca inimiga e duas emboscadas no itinerário de
regresso ao quartel, de que resultam vários feridos graves e um ligeiro.
A
evacuação para o Hospital de Bissau foi feita por dois helicópteros e, no segundo
- no meio de alguma confusão - seguiu também o “Salvação”, ferido numa perna e
nas costas por estilhaços de granada, feridas no entanto superficiais e que não
teriam justificado a sua evacuação.
![]() |
| O Salvação |
Quando
“a poeira assentou” tivemos informações via rádio dos feridos que inspiravam
mais cuidado e nos dias seguintes a vida no aquartelamento teve alguma acalmia,
esperando-se que o “Salvação” regressasse `”às lides” nos dias mais próximos.
Esta palavra (as lides) tinha alguma razão de ser pois o rapaz era de Salvaterra
de Magos,uma terra de touros e toureiros.
Cabe
aqui e agora dizer que o “Salvação” tinha físico de artista de cinema e cuidava
bastante do seu aspecto. Tinha apanhado um grande cagaço na segunda emboscada
do “célebre” dia 4 - ele e muitos outros, com o autor destas linhas incluído -
e aproveitou a sua estadia em Bissau para, além de tratar dos ”arranhões” dos estilhaços,
cuidar dos dentes, de quistos sebáceos, de calos cutâneos, da neurose de
compensação, da goteira do cotovelo, da prevenção para picadas de mosquitos e
mosca tsé-tsé, de perturbações causadas pelo calor, de alopecia, de
sonambulismo, da falta de apetite depois de comer, etc., etc.
Quando
apareceu na Companhia uns dois meses depois já quase que ninguém o conhecia.
Daí para frente o Condutor-Auto nº. 2572/63 Francisco Augusto da Costa Salvação
só passou a ser conhecido por “São e Salvo” ou “Salvação”. Pegou melhor o
“Salvação”, até porque condizia com o apelido. E de apelido a al(cu)nha foi só
um passo... Até porque quem tem (cu) tem medo e o “Salvação, regressou são e
salvo à Metrópole em 8 de Maio de 1966!
Chega
agora a vez do “Sorna”, um jovem nascido e criado na Costa da Caparica, com a
especialidade de atirador (Soldado nº. 2227/63, Henrique Manuel Pereira
Cambalacho) e com uma doença congénita de “preguicite aguda”. Dormir era com
ele e rapidamente começou a ser conhecido na Companhia como o
"Sorna". Com alguma esperteza e matreirice à mistura conseguiu passar
ao fim de pouco tempo a “ajudante” da Cantina e ficou dispensado de patrulhas
no mato, que eram as partes mais desagradáveis da “especialidade” de atirador.
![]() |
| O guarda-redes “Sorna”, assinalado por um círculo, com os habituais titulares da equipa de futebol da CCaç.675, apadrinhada pelo Cap. Tomé Pinto. |
Como
era normal ao tempo nos “intervalos da guerra” havia malta que jogava futebol e
nesse grupo de predestinados para o “desporto-rei” fazia parte o “Sorna” que,
para não se cansar muito, jogava a guarda-redes que, como é sabido, é o lugar
mais parado numa equipa de futebol.
Não
era bom nem mau, antes pelo contrário, mas um dia fez uma defesa tão aparatosa
que acabou... no Hospital de Bissau! Mas até lá chegar... é que foi o cabo dos
trabalhos.
Ainda
hoje não se sabe se o “Sorna” defendeu a bola sem querer, se levou com a bola
na cara ou se bateu com a cabeça na trave e... mordeu a língua! Das duas... três.
O que é certo é que não foi golo e o que é ainda mais certo é que mordeu a
própria língua violentamente. Saiu em braços – não em ombros - e quando meia
hora mais tarde o “Sorna” ,deitado na sua cama, começou a pedir ajuda por
sinais, porque já não conseguia falar... os vizinhos da camarata não lhe
ligaram nenhuma.
O
rapaz começara a ficar roxo e, quando finalmente o médico e o enfermeiro da
Companhia foram alertados para o seu estado, a língua já estava tão inchada que
o “Sorna” corria riscos de asfixia. E para obviar a males maiores o médico
fez-lhe uma traqueotomia, com os meios disponíveis na Enfermaria do
aquartelamento. Quando o infortunado «guarda-redes» estabilizou foi evacuado de
helicóptero para o Hospital de Bissau. Passou um mau bocado mas... voltou ao
Quartel menos “Sorna”.
Mas
a alcunha ficou e... mais ninguém lha tirou! Aqui está um caso em que a
primeira função das alcunhas (a identificação) não ajudou nada. És “Sorna” e
quando estás doente a sério... ninguém acredita! Está claro que esta situação
complicada nunca teria acontecido com o “Salvação”...
Faz
tempo...
JERO
PS - E em breve vos trarei mais alcunhas...
terça-feira, 4 de junho de 2019
P1141: XIV Encontro da Tabanca Grande - Monte Real, 25 de Maio de 2019
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Fotografias do Miguel Pessoa
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sexta-feira, 31 de maio de 2019
P1140: FOI O DIA DA ESPIGA
Nesta quinta-feira 30 de Maio
comemorou-se o dia da Espiga, uma
celebração portuguesa que ocorre
no dia da Quinta-feira da Ascensão. Num passeio
matinal as pessoas colhem espigas de vários cereais, flores campestres e
raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga.
A espiga deverá
ser colocada por detrás da porta da entrada de casa, para
trazer saúde, sorte, alegria, abundância e para que nunca falte pão em casa.
O ramo só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano
seguinte.
É sobre
as memórias dos velhos tempos da apanha da espiga que o nosso camarigo JERO se
debruça hoje.
APANHAR A ESPIGA
Dos meus 4 anos de vida militar não me
lembro de ter apanhado a espiga. Estafas apanhei com fartura, nomeadamente
durante a minha passagem pela EPC, de Santarém, durante a minha recruta no
Verão de 1962.
Mas as “espigas” da minha vida civil
lembro-me muito bem e resolvi partilhar essas memórias que serão respeitantes
ao ano de 1955.
Tenho bem presente os piqueniques em
Chiqueda, em dia de Espiga.
Já andava no Colégio do Dr.Cabrita e recordo com
nitidez – reforçada por algumas fotografias do tempo – os belos fins de tarde
que davam direito a excelentes merendas na pedrosa encosta perto dos “Olhos de
Água” do rio Alcoa, no sopé da Serra dos Candeeiros.
Havia muitas famílias de Alcobaça e uma
figura “única”: o “Ti Gavião”, fotógrafo “à la minuta”.
A apanha da espiga era feita a caminho de Chiqueda e fazia-se um
ramo de papoilas, espigas de trigo, oliveira e um malmequer. Juntavam-se vários grupos que iam a pé levando um
farnel para comerem quando chegassem.
Chiqueda era assim o local do grande encontro.
O ramo era
guardado e uma vez chegados a casa punha-se a secar atrás da porta, sendo
renovado todos os anos para que não faltasse pão (espigas de trigo), azeite
(oliveira), alegria (papoilas), e sorte (malmequer).
Faz tempo.
JERO
segunda-feira, 27 de maio de 2019
P1139: O HABITUAL CONVÍVIO ANUAL DA TABANCA GRANDE
Como é já habitual, mesmo não participando no Encontro o Manuel "Kambuta" Lopes passou pelo local da concentração para cumprimentar os presentes e rever pessoal menos habitual nestas paragens. Aqui com o Carlos Vinhal, editor do blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné".
Não são muito assíduos nas reuniões da Tabanca do Centro mas são caras nossas conhecidas por já terem participado mais que uma vez nos nossos convívios. O Jorge Canhão e esposa Maria de Lurdes mais o Helder Valério Sousa vieram de Setúbal, trazendo consigo a Maria Arminda Santos (que aqui já tinha arrancado para a cerimónia religiosa, entretanto iniciada).
O Almiro Gonçalves, outro habitual da Tabanca do Centro, confraternizando com os recém-chegados Helder Valério Sousa e o Jorge Picado.
Após a cerimónia religiosa avançou-se para a habitual foto de grupo, tendo como pano de fundo a fachada do Monte Real Palace Hotel, onde se realizava o Encontro.
Com um dia bem agradável a ajudar à festa, foi possível servir-se as entradas no terraço exterior à sala onde decorreria o almoço, proporcionando um espaço acolhedor para o pessoal poder confraternizar com velhos conhecidos.
E o nosso conhecido JERO aproveita para pôr a conversa em dia com o Vasco Ferreira. Afinal, só se vêm neste Encontro anual...
O António Matos é "cliente" certo do Encontro anual da Tabanca Grande, o mesmo já não se podendo dizer em relação aos da Tabanca do Centro, de que tem andado arredado,,,
O Amado Chefe Joaquim Mexia Alves tem colaborado na organização deste evento em tudo o que está relacionado com a logística fornecida pelo Palace Hotel Monte Real - estadias e alimentação.
Curiosamente em pano de fundo desta foto aparece-nos o combatente mais antigo presente, da "colheita" de 1959 - o Mário Magalhães.
O nossos bem conhecidos Jorge Pinto e o António Maria Silva representavam - e bem - o pessoal da Linha (ou Linhas), já que outros por motivos diversos não puderam estar presentes.
De Torres Novas vieram duas caras habituais na Tabanca do Centro - o Carlos Pinheiro e o Lúcio Vieira. Aqui com dois estreantes na Tabanca Grande - Gen. João Bento Soares e José Ramos.
O António Pimentel entabulando conversa com o João Crisóstomo e esposa Vilma. Este casal veio dos Estados Unidos da América com o objectivo de participar no Encontro Nacional da Tabanca Grande.
E o Juvenal Amado não quis faltar ao Encontro da Tabanca Grande, estando mais uma vez presente.
Três caras habituais nos encontros da Tabanca do Centro, aqui participando na reunião anual da casa-mãe - O Manuel Augusto Reis, Agostinho Gaspar e Almiro Gonçalves.
Embora se vejam quase todos os meses há sempre motivo para mais uma conversa entre o JERO e a Giselda Pessoa.
E o Miguel Pessoa lá teve que fazer uma "selfie" para provar que também tinha estado no Encontro. A foto ainda apanhou em fundo a Maria Arminda Santos. A agenda sobrecarregada desta nossa camarada não lhe tem permitido estar presente nos nossos encontros com a regularidade que deseja.
Embora com um número de presenças mais reduzido do que em anos anteriores, o Régulo da Tabanca Grande Luís Graça mostrava-se satisfeito com a forma como o Encontro decorreu. E para o ano há mais. Que o pessoal vá tendo saúde e disposição para participar!...
terça-feira, 21 de maio de 2019
P1138: MAIS UMA CONFRATERNIZAÇÃO
OS ENCONTROS ANUAIS DOS EX-COMBATENTES
Em
cima da data limite para as inscrições do XIV Encontro Nacional da Tabanca
Grande, que vai ter lugar em 25 de Maio próximo, em Monte Real, atrevo-me, como
membro sénior da Tabanca Grande e da Tabanca do Centro, a mais um testemunho
que tem a ver com os encontros anuais das nossas Companhias “originais”, que
foram aliás a razão principal para estarmos nas “Tabancas”, que prolongam no
tempo a memória da nossa passagem pela guerra do Ultramar.
No
que me diz respeito estive no passado dia 12 de Maio em Benavente para a 53ª.
confraternização da “minha” C.Caç. 675, que esteve na Guiné desde 13 de Maio de
1964 até passarmos à “peluda” em 4 de Maio de 1966.
Há
sempre uma expetativa especial quando chega a data de mais uma confraternização.
Como é que estarão os nossos velhos companheiros da guerra?
No
meu caso já passaram 53 anos (e 53 convívios) em relação a data de chegada a
Lisboa em 3 de Maio de 1966 a bordo do navio “UIGE”, vindos de Bissau-Guiné.
Este
ano o encontro foi mais uma vez em Benavente e com os ex-militares e suas
famílias juntaram-se 89 pessoas.
Antes
da missa, em memória dos camaradas que tombaram em defesa da Pátria e dos que,
segundo a lei da vida foram partindo já depois do regresso da guerra, o ex-alferes
Belmiro Tavares procedeu a leitura dos nomes dos companheiros que já não estão
entre nós, sendo cada nome saudado com um grito coletivo de “presente”.
Ainda
na Guiné morreram em combate o furriel miliciano Álvaro Manuel Vilhena Mesquita
e os soldados Augusto Gonçalves e João Nunes do Nascimento.
E
depois do regresso a Metrópole já nos deixaram mais 52 camaradas.
No ofício religioso estiveram presentes os
familiares do Álvaro Mesquita - sua irmã Teresa e seu sobrinho Francisco
Mesquita - que viajaram propositadamente de Vila Nova de Famalicão.
Em
relação aos presentes no convívio, e no que respeita aos antigos militares,
estiveram 39 ex-combatentes da 675, sob o comando do nosso eterno “Capitão do Quadrado”,
Ten. General Alípio Tomé Pinto.
A
grande novidade deste ano foi ter estado presente uma médica dentista, que
dentro de poucas semanas vai partir para a Guiné-Bissau como voluntária. Vale
a pena contar um pouco da sua história.
Esta
alcobacense (que acompanhou o JERO, seu amigo e vizinho de há muitos anos)
chama-se Manuela Fróis e parte em julho para a Guiné-Bissau para uma nova
experiência de voluntariado, atividade que a atraiu pela primeira vez em 1980.
Desde então, a médica dentista apaixonou-se pela missão de “apoiar aqueles que
tão pouco têm”.
Queria ser professora de
Português, mas numa família em que o patriarca era dentista, a alcobacense não
teve outra alternativa a não ser iniciar estudos para seguir a carreira do pai.
“Não queria seguir a área da saúde e acabei
por embarcar para Moçambique, país que à data se encontrava em confronto, para
ensinar português”, recorda a alcobacense. A aventura que deveria ser uma forma
de “bater o pé” face à decisão do pai, acabou por se tornar numa das suas
maiores lições de vida. “Quando regressei a Portugal, sabia que tinha de fazer
algo verdadeiramente significante para apoiar estas comunidades”.
Em 1994, formou-se como
médica dentista com a ambição de usar a licenciatura para um “bem maior”.
Seguiu-se uma pós-graduação em Paris, que apoiou a decisão de realizar ações
preventivas junto das crianças. Anos mais tarde, em 2008, rumou novamente ao
continente africano, desta vez para a ilha do Fogo, em Cabo-Verde, no âmbito de
uma ação da “Mundo a Sorrir”, Organização Não Governamental (ONG). A médica
dentista teve um papel ativo na educação de higiene oral dos nativos,
realizando consultas e apoiando aquela comunidade.
Em dois meses, Manuela
Fróis, que abandonou o emprego numa clínica em Lisboa para embarcar nesta
aventura, irá unir-se a outros voluntários que partem para a Guiné-Bissau para
trabalhar em áreas da saúde, saúde oral e em estilos de vida saudável junto das
populações em situação de vulnerabilidade socioeconómica. “Atualmente, a
Guiné-Bissau tem apenas um médico dentista e este dado revela a necessidade de
apoio desta comunidade”, sublinha.
Falar a língua nativa e
conhecer, o melhor possível, a comunidade que irá ingressar por tempo
indefinido é uma das maiores preocupações da médica. “Falar a língua, mesmo que
o básico, é o mais importante. A dificuldade que eles têm em entender termos
técnicos é muito semelhante àquela que temos em perceber alguns termos locais e
esta dificuldade ajuda a criar laços”, confessa.
Consciente das
dificuldades que irá enfrentar, a alcobacense está determinada em enfrentar os
desafios e a apoiar, dentro das suas possibilidades, os guineenses.
“Parto para continuar o
sonho de apoiar as sociedades mais deterioradas. Afinal foi para isso que me
formei nesta área”, conclui, com um sorriso.
E todos a queremos
encontrar dentro de alguns meses para saber novidades das gentes da
Guiné-Bissau e como correu a sua dignificante missão.
Que Deus a guarde e
acompanhe.
Terminamos
com a mensagem que o nosso Ten. General Alípio Tomé Pinto nos dirigiu :
Ӄ
com muita alegria que vos volto a encontrar e a ver que a Companhia continua a
crescer. Aos jovens de 22 e 23 anos que conheci na Guiné há mais de meio século
juntam-se agora filhos e netos, que são a mais-valia dos valores morais que
crescem ao longo dos anos com a família. Esses valores que transportaram do
passado estão aqui bem presentes.
Peço aos mais novos que acreditem naquilo que
os vossos avós vos contarem sobre a Guerra do Ultramar. Obrigou a muito
sacrifício porque as guerras não trazem coisas boas. Houve que conseguir a
superação de enormes dificuldades que motivaram o crescimento de uma amizade
especial que perdura tantos anos depois do regresso em 1966.
Peço finalmente
aos ex-combatentes que resistam. Que aguentem até aos 90 ou mesmo até aos 100
anos porque senão o nosso Alferes Tavares fica sem clientela. Renovo o meu
agradecimento por toda a simpatia que sempre manifestam por mim e pela minha
mulher, que Deus chamou a Si em passado recente. E até para o ano se Deus
quiser.”
O
tempo passou e não pára…
Escrever
é também uma tentativa de que a vida se prolongue para além de nós.
JERO
sexta-feira, 17 de maio de 2019
segunda-feira, 13 de maio de 2019
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