sexta-feira, 12 de agosto de 2016
sábado, 6 de agosto de 2016
P814: HISTÓRIAS CURTAS DAS TERMAS DE MONTE REAL - 3
VIROU-SE O FEITIÇO
CONTRA O FEITICEIRO…
Nos anos 60/70 costumava vir
para o Hotel um Senhor Doutor, homem de bom trato, mas “esfusiante”, nervoso,
que falava alto e dava nas vistas.
Era bastante mais velho do
que eu e tinha por costume, infelizmente, vir por detrás de mim e dar-me uma
palmada nas costas, que ele julgava “meiga” mas que afinal tinha força
demasiada e chegava a magoar.
Avisei-o várias vezes para
não repetir tal “cumprimento”, o que nunca surtiu efeito até ao dia em que
respondi na “mesma moeda”. Terminaram nesse momento, finalmente, as palmadas
nas minhas costas.
Mas o referido senhor, tinha
a convicção, ou pelo menos apregoava aos “sete ventos” tal condição, de ser um
conhecedor e praticante das artes marciais, vulgo Karate.
Nesse tempo no Hotel
trabalhava então um rapaz dos seus 14/15 anos como “groom” (como à época se
dizia), já “bem espigado”, e que longe de ser tímido e reservado, sendo
respeitador, não deixava de ter a sua personalidade, como se costuma dizer.
As suas funções, para além
de ir buscar os jornais, ir ao correio, fazer recados, etc., eram também as de abrir
as portas de vai-vem que davam acesso ao corredor que levava à Sala de Jantar,
e as portas da referida sala, à hora das refeições.
Ora um dia, por volta das 12H30,
hora a que se abria a sala para os almoços (mês de Agosto, Sala de Jantar
cheia), o Senhor Doutor ao entrar na sala, e quando o "groom" lhe abria a porta,
fez menção, na brincadeira, de executar um “pontapé de Karate” dirigido ao
rapaz.
Apanhado de surpresa, o rapaz agarrou-lhe a perna, tendo o Senhor Doutor ficado estendido ao comprido no meio das mesas da Sala de Jantar, para gáudio e risota dos restantes hóspedes.
Teve o senhor o bom senso de não apresentar nenhuma reclamação, foram apresentadas as desculpas necessárias e, pelo menos no Hotel, pararam as “bravatas” sobre os seus dotes de “karateca”.
Apanhado de surpresa, o rapaz agarrou-lhe a perna, tendo o Senhor Doutor ficado estendido ao comprido no meio das mesas da Sala de Jantar, para gáudio e risota dos restantes hóspedes.
Teve o senhor o bom senso de não apresentar nenhuma reclamação, foram apresentadas as desculpas necessárias e, pelo menos no Hotel, pararam as “bravatas” sobre os seus dotes de “karateca”.
Joaquim Mexia Alves
domingo, 24 de julho de 2016
P813: HISTÓRIAS CURTAS DAS TERMAS DE MONTE REAL - 2
AINDA O RODRIGUINHO…
Mais
uma das aventuras do Rodriguinho nas Termas de Monte Real.
Um dia,
julgo que ao fim da tarde, o Rodriguinho decidiu tomar um banho de imersão na
casa de banho do seu quarto.
A sua
mãe preparou a banheira com a água quente e o rapazinho foi para a casa de
banho, tendo fechado a porta pelo lado de dentro.
Passado
algum tempo sem dar sinal, a mãe preocupada foi bater à porta da casa de banho,
mas não obteve resposta.
Ao fim
de muito bater à porta, de gritar pelo Rodriguinho e de tudo fazer para ter uma
resposta do filho, dirigiu-se à recepção do Hotel, obviamente preocupadíssima.
Um dos
porteiros foi com a senhora ao quarto e depois de muito insistir e não obter
resposta, decidiu arrombar a porta da casa de banho.
Aberta
a porta, a mãe entrou de rompante na casa de banho e deu com o Rodriguinho
deitado na banheira de olhos muito abertos e quieto, como se tivesse tido um
qualquer ataque e tivesse morrido.
Aos
gritos desesperados da mãe, o Rodriguinho levantou-se e deu uma sonora
gargalhada!
Claro
que a mãe aliviada e sempre condescendente, apenas o repreendeu com palavras
mansas.
Foi
preciso um grande esforço da parte do porteiro, para não encher o Rodriguinho
de bofetadas, que era o que ele merecia!
Poder-se-iam
contar histórias quase intermináveis do Rodriguinho, mas deixo aqui esta
última, a partir da qual a família de tão “encantadora” criança deixou de
frequentar o Hotel.
Naquele
tempo a maior parte da roupa do Hotel, (lençóis, toalhas, etc.) era colocada a
secar em grandes estendais, na mata das Termas por detrás do Hotel.
Ora um
dia em que o estendal estava cheio de lençóis brancos a secar, o Rodriguinho
passou por ali e, sujando as mãos na terra, foi-as limpando nos lençóis,
acabando por sujar irremediavelmente a maioria dos lençóis, que tiveram de ser
novamente lavados.
Quem
não achou graça nenhuma à brincadeira foram as empregadas da lavandaria, que
decidiram dar uma lição ao “menino”.
Quando
este passava por um caminho junto à lavandaria do Hotel, as empregadas
despejaram em cima dele um alguidar de água, de tal modo que o Rodriguinho
ficou que nem um “pinto molhado”!
A
chorar foi fazer queixinhas à mãe, que muito indignada veio por sua vez
protestar, junto do meu pai, Olympio Duarte Alves, trazendo pela mão o
Rodriguinho.
Enquanto
a Senhora demonstrava a sua indignação, o Rodriguinho (sem ela ver) ia dando
pontapés na perna do meu pai, que a certa altura não se conteve e dando-lhe um
empurrão, fez com que o Rodriguinho fosse parar a um canteiro de canas da índia
que estava ali mesmo ao lado.
A
indignação da Senhora subiu de tom, e disse então que se ia embora daquele Hotel,
ao que o meu pai respondeu, que desde que tinha sabido do último episódio do
Rodriguinho com os lençóis já tinha mandado tirar a respectiva conta, pois
hóspedes assim não interessavam ao Hotel.
E assim
acabaram as “aventuras” do Rodriguinho no Hotel Monte Real, tendo voltado a paz
aos hóspedes durante o mês de Agosto.
Joaquim
Mexia Alves
quinta-feira, 14 de julho de 2016
quarta-feira, 6 de julho de 2016
P811: 54º Encontro da Tabanca do Centro - Monte Real, 24 de Junho de 2016
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Fotografias do Manuel Lopes
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sábado, 2 de julho de 2016
P810: REVISTA "KARAS" DE JUNHO
Um bando de madrugadores estava já reunido no Café Central bem cedinho. Também ajuda grande parte deles morar nas redondezas... Vemos na foto da esquerda o José Luís Rodrigues (de pé, como já é habitual...) e sentados, o António Sousa, Manuel Mendes, José da Silva e Manuel "Kambuta" Lopes.
E na foto da direita, dois dos habituais utilizadores da T-Shirt da Tabanca do Centro, o Joaquim Mexia Alves e o Carlos Santos.
O Manuel Mendes resolveu trazer ao conívio os dois netinhos, aqui sob a guarda da avó Lina. E o nosso amigo Kambuta aproveitou para recordar velhos tempos...
O Manuel Jacinto de vez em quanto aparece com novas aquisições (ou quase novas...). Desta vez trouxe o António Pinto Alves, que se fazia acompanhar da esposa Graziela.
Destacamos a vinda do Rui Marques Gouveia, que não quis deixar de estar presente, rodeando-se de familiares próximos - a irmã Graciete, o cunhado José Ricardo e o neto Rodrigo (de costas), este já presente em anteriores ocasiões. Aqui o grupo conversa com o António Frade.
A componente feminina sempre presente nos encontros da Tabanca do Centro. Vemos três habituais participantes, a Isabel Gaspar, Gina Marques e Giselda Pessoa.
Aqui em conversa com o Almiro Gonçalves e o António Frade, o Juvenal Amado vê com alguma apreensão a continuidade da sua presença nestes convívios, dada a sua recente "transferência" de Fátima para a Reboleira e o significativo aumento de custos com as deslocações a Monte Real. Fica aqui um pedido ao pessoal da Linha (mormente da de Sintra...) para uma eventual colaboração com este nosso camarada, que gostaríamos de continuar a ver nestes nossos encontros.
Do grupo de Torres Novas presentes no 54º encontro apenas falta aqui o Lúcio Vieira. Se contarmos os potenciais participantes o grupo pode chegar aos nove, o que poderá dificultar a cativação de uma mesa para todos. Talvez uma mesa corrida média...
Registamos na imagem os manos Manuel e João Rodrigues, o "pivot" Carlos Pinheiro, dois estreantes - Francisco Prata e José Fialho Ferro - e o Manuel Ramos.
O grupo da Linha em formação cerrada, com o António Fernando Marques à frente, seguindo-se o António Maria Silva, o Luís R. Moreira e, encoberto, o José Miguel Louro.
Por falar em grupos: Por indisponibilidade do Carlos Prata e do José Luís Malaquias, o gangue de Aveiro esteve representado unicamente pelo Manuel Reis. "Pois é", parece ele dizer... Esperamos que em Setembro os três Metralhas possam estar novamente juntos.
Ao lado de outro Santos - o Raul - o Carlos Santos observa o álbum de fotografias que a Giselda tinha trazido, com fotos tiradas na zona do aquartelamento de Guileje no ano de 1995. Já lhe foram entretanto disponibilizadas cópias digitalizadas, para o Carlos ir matando saudades...
Com mais um encontro no papo - a sua 54º presença consecutiva - o Agostinho Gaspar vai dialogando com o Domingos Santos, Luís Branquinho Crespo, António Pinto Alves e Manuel Jacinto.
O Manuel da Ponte lá teve que se esforçar por chegar a tempo, devido aos seus afazeres. É aqui seguido pelo José Jesus Rodrigues, um regresso a registar. Ao fundo, o Carlos Pinheiro e o Mário Ley Garcia conversam.
O Carlos Manata e o Manuel Ferreira da Silva trocando impressões com o Manuel Reis.
Estava na hora de arrancar para o almoço. E, pacientemente, os fotógrafos lá esperam que o pessoal se "arrume" para a foto da praxe. Entretanto, sempre vai dando para se registar o granel...
E era tempo de tomar lugar à mesa, Como habitualmente, constituiram-se alguns grupos regionais... Este é o grupo da Linha (mais correcto dizer das linhas - de Cascais e de Sintra...), com o Luís R. Moreira, José Miguel Louro, António Maria Silva e o casal Marques, Gina e Fernando.
O Abílio Vieira Marques (com a esposa Maria) tinha inscrito o casal Caneira (Joaquim e Maria), e os dois casais escolheram um local pacato para almoçar.
Opção idêntica foi escolhida pelo Rui Marques Gouveia - uma mesa pacata onde juntou os familiares - a irmã Graciete, o cunhado José Ricardo e o neto Rodrigo.
É realmente difícil fazer uma foto de grupo do pessoal de Torres Novas... Nesta tentativa vemos, de costas, os manos João e Manuel Rodrigues e o Carlos Pinheiro; de frente, o Manuel Ramos, Lúcio Vieira e o estreante Francisco Prata. Encoberto está outro estreante, o José Fialho Ferro.
Ah! Nesta foto da esquerda já podemos ver o encoberto José Fialho Ferro, bem como o perfil do Carlos Pinheiro. E na da direita, em primeiro plano o Manuel da Ponte e o António Sousa, liderando uma das mesas compridas.
O Diamantino Ferreira e Emília eram estreia absoluta, inscritos pelo Kambuta. Já o Fernando Faustino e Aldina foram inscrição de última hora mas, vá lá, ainda chegou a tempo...
Partilhando uma mesa, o JERO ao lado do Mário Ley Garcia e do José Jesus Rodrigues. E o Domingos Santos junto do Baltazar Rosado Lourenço, este regressado depois de uma crise que impediu a sua presença nos dois encontros anteriores.
O Manuel Mendes conversa com o amigo Kambuta num dos cantos da mesa. E estes dois camaradas - José Pimentel Carvalho e Vitor Junqueira - têm andado um pouco arredados do nosso convívio.
O Manuel Jacinto junto dos dois camaradas que inscreveu para este encontro - o Luís Branquinho Crespo e o António Pinto Alves.
E a Hortense Mateus aproveita um intervalo para pôr a conversa em dia com a Giselda Pessoa.
O Baltazar Rosado Lourenço estreava um telemóvel?/smarthone?/IPad?/IPod? sofisticado que até dava para fazer chamadas. Agora, talvez convenha leres as instruções...
Num canto da mesa, desconfiamos que estes três camaradas estavam a tratar de assuntos a sul do rio Cacine... Será Guileje?/Gadamael?
Enquanto o Raul Santos reabastece, o Carlos Oliveira parece estar a telefonar para garantir a reposição do stock em devido tempo...
E era tempo de terminar o convívio. A equipa dos últimos convívios avançou para receber os pagamentos dos 65 participantes - como habitualmente, sem falhas.
E na foto da direita, dois dos habituais utilizadores da T-Shirt da Tabanca do Centro, o Joaquim Mexia Alves e o Carlos Santos.
O Manuel Mendes resolveu trazer ao conívio os dois netinhos, aqui sob a guarda da avó Lina. E o nosso amigo Kambuta aproveitou para recordar velhos tempos...
O Manuel Jacinto de vez em quanto aparece com novas aquisições (ou quase novas...). Desta vez trouxe o António Pinto Alves, que se fazia acompanhar da esposa Graziela.
Destacamos a vinda do Rui Marques Gouveia, que não quis deixar de estar presente, rodeando-se de familiares próximos - a irmã Graciete, o cunhado José Ricardo e o neto Rodrigo (de costas), este já presente em anteriores ocasiões. Aqui o grupo conversa com o António Frade.
A componente feminina sempre presente nos encontros da Tabanca do Centro. Vemos três habituais participantes, a Isabel Gaspar, Gina Marques e Giselda Pessoa.
Aqui em conversa com o Almiro Gonçalves e o António Frade, o Juvenal Amado vê com alguma apreensão a continuidade da sua presença nestes convívios, dada a sua recente "transferência" de Fátima para a Reboleira e o significativo aumento de custos com as deslocações a Monte Real. Fica aqui um pedido ao pessoal da Linha (mormente da de Sintra...) para uma eventual colaboração com este nosso camarada, que gostaríamos de continuar a ver nestes nossos encontros.
Do grupo de Torres Novas presentes no 54º encontro apenas falta aqui o Lúcio Vieira. Se contarmos os potenciais participantes o grupo pode chegar aos nove, o que poderá dificultar a cativação de uma mesa para todos. Talvez uma mesa corrida média...
Registamos na imagem os manos Manuel e João Rodrigues, o "pivot" Carlos Pinheiro, dois estreantes - Francisco Prata e José Fialho Ferro - e o Manuel Ramos.
O grupo da Linha em formação cerrada, com o António Fernando Marques à frente, seguindo-se o António Maria Silva, o Luís R. Moreira e, encoberto, o José Miguel Louro.
Por falar em grupos: Por indisponibilidade do Carlos Prata e do José Luís Malaquias, o gangue de Aveiro esteve representado unicamente pelo Manuel Reis. "Pois é", parece ele dizer... Esperamos que em Setembro os três Metralhas possam estar novamente juntos.
Ao lado de outro Santos - o Raul - o Carlos Santos observa o álbum de fotografias que a Giselda tinha trazido, com fotos tiradas na zona do aquartelamento de Guileje no ano de 1995. Já lhe foram entretanto disponibilizadas cópias digitalizadas, para o Carlos ir matando saudades...
Com mais um encontro no papo - a sua 54º presença consecutiva - o Agostinho Gaspar vai dialogando com o Domingos Santos, Luís Branquinho Crespo, António Pinto Alves e Manuel Jacinto.
O Manuel da Ponte lá teve que se esforçar por chegar a tempo, devido aos seus afazeres. É aqui seguido pelo José Jesus Rodrigues, um regresso a registar. Ao fundo, o Carlos Pinheiro e o Mário Ley Garcia conversam.
O Carlos Manata e o Manuel Ferreira da Silva trocando impressões com o Manuel Reis.
Estava na hora de arrancar para o almoço. E, pacientemente, os fotógrafos lá esperam que o pessoal se "arrume" para a foto da praxe. Entretanto, sempre vai dando para se registar o granel...
E era tempo de tomar lugar à mesa, Como habitualmente, constituiram-se alguns grupos regionais... Este é o grupo da Linha (mais correcto dizer das linhas - de Cascais e de Sintra...), com o Luís R. Moreira, José Miguel Louro, António Maria Silva e o casal Marques, Gina e Fernando.
O Abílio Vieira Marques (com a esposa Maria) tinha inscrito o casal Caneira (Joaquim e Maria), e os dois casais escolheram um local pacato para almoçar.
Opção idêntica foi escolhida pelo Rui Marques Gouveia - uma mesa pacata onde juntou os familiares - a irmã Graciete, o cunhado José Ricardo e o neto Rodrigo.
É realmente difícil fazer uma foto de grupo do pessoal de Torres Novas... Nesta tentativa vemos, de costas, os manos João e Manuel Rodrigues e o Carlos Pinheiro; de frente, o Manuel Ramos, Lúcio Vieira e o estreante Francisco Prata. Encoberto está outro estreante, o José Fialho Ferro.
Ah! Nesta foto da esquerda já podemos ver o encoberto José Fialho Ferro, bem como o perfil do Carlos Pinheiro. E na da direita, em primeiro plano o Manuel da Ponte e o António Sousa, liderando uma das mesas compridas.
O Diamantino Ferreira e Emília eram estreia absoluta, inscritos pelo Kambuta. Já o Fernando Faustino e Aldina foram inscrição de última hora mas, vá lá, ainda chegou a tempo...
Partilhando uma mesa, o JERO ao lado do Mário Ley Garcia e do José Jesus Rodrigues. E o Domingos Santos junto do Baltazar Rosado Lourenço, este regressado depois de uma crise que impediu a sua presença nos dois encontros anteriores.
O Manuel Mendes conversa com o amigo Kambuta num dos cantos da mesa. E estes dois camaradas - José Pimentel Carvalho e Vitor Junqueira - têm andado um pouco arredados do nosso convívio.
O Manuel Jacinto junto dos dois camaradas que inscreveu para este encontro - o Luís Branquinho Crespo e o António Pinto Alves.
E a Hortense Mateus aproveita um intervalo para pôr a conversa em dia com a Giselda Pessoa.
O Baltazar Rosado Lourenço estreava um telemóvel?/smarthone?/IPad?/IPod? sofisticado que até dava para fazer chamadas. Agora, talvez convenha leres as instruções...
Num canto da mesa, desconfiamos que estes três camaradas estavam a tratar de assuntos a sul do rio Cacine... Será Guileje?/Gadamael?
Enquanto o Raul Santos reabastece, o Carlos Oliveira parece estar a telefonar para garantir a reposição do stock em devido tempo...E era tempo de terminar o convívio. A equipa dos últimos convívios avançou para receber os pagamentos dos 65 participantes - como habitualmente, sem falhas.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
P809: 54º Encontro da Tabanca do Centro - Monte Real, 24 de Junho de 2016
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Fotografias do Miguel Pessoa
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segunda-feira, 27 de junho de 2016
P808: PERGUNTAS DIFÍCEIS...
“E VOCÊ MATOU ALGUÉM?”
Falava
há mais de uma hora aos alunos do 10º Ano das “Artes” da Escola Professor Reynaldo dos Santos, de Vila Franca
de Xira, e sentia “com todos os meus botões” que era tempo de acabar. Com a
benevolência do professor de Geometria Descritiva, que estava presente, tive direito
a um “prolongamento” de mais 10 minutos.
Os jovens pareciam continuar interessados nas minhas opiniões sobre a
Guerra Colonial. Já tinha “passado” e comentado as imagens do “power point” sobre o meu livro “Golpes de
Mãos’s”, lançado em 2009, e fazia questão de terminar com uma mensagem que
fizesse ver aos meus ouvintes a importância do que era ter na vida um bom “Chefe”.
No meu caso tinha
sido um Capitão, que seguimos (e continuamos a seguir) até “ao fim do mundo”.
No caso deles é (tinha de ser) um Professor. Que sentissem que, além de Mestre,
fosse um exemplo a seguir – e a não esquecer – quando, num futuro próximo, deixassem
a escola e tivessem que enfrentar a vida.
Dei
tudo o que tinha nessa mensagem final. Que foi genuína, espontânea e sentida.
“Não
esqueçam os vossos professores. Sigam o seu exemplo. Um bom Chefe acompanha-nos
até ao fim da vida.”
Acabei a minha parte. Agradeci a atenção e perguntei,
por mera cortesia, se alguém queria pôr alguma questão. Sinceramente, depois de
uma hora a tal a ouvirem o “velho das barbas”, que tinha andado na guerra da
Guiné há cinquenta anos atrás, não esperava mais nenhuma pergunta. Enganei-me.
Um jovem levantou a mão e pediu para fazer uma última pergunta.
-
Avança, jovem.
-
E você matou alguém?
Avaliei
de imediato o jovem e pareceu-me que havia curiosidade sincera sem ser mórbida.
Não
esperava a questão mas não iria fugir a ela.
-
Sinceramente não sei. Como Já vos contei que era enfermeiro mas, quando andava
no “mato” em operações, tinha uma arma para defesa pessoal. Nos primeiros
tempos uma FBP (uma pistola-metralhadora) e, mais tarde, uma espingarda G3, que
se tinha revelado mais segura que a FBP.
Expliquei
depois que, antes de responder à pergunta, tinha que explicar o contexto em que,
antes de ser enfermeiro, tinha sido atirador.
Aconteceu
durante uma emboscada de nossa iniciativa. Na guerra da Guiné, e nos outros
territórios ultramarinos, raramente tínhamos oportunidade de ver o inimigo. A
guerrilha era isso mesmo. Ataques de surpresa às nossas tropas, que se
deslocavam em grupos numerosos e, muitas vezes, em viaturas. O inimigo, que “jogava
em casa” e conhecia bem o território, atacava-nos de surpresa em lugares de
passagem.
Muitas vezes escondidos em cima de árvores ou “resguardados” em
buracos junto ao solo.
Seis
meses depois de estarmos no mato “tínhamos aprendido” muito e, mais uma vez,
com o hábil comando do nosso Capitão, passámos a surpreender o inimigo
utilizando as suas próprias ”manhas”.
-
A acção dessa emboscada que vos vou contar foi de nossa iniciativa Ao amanhecer
estávamos escondidos no mato rasteiro, junto de algumas árvores, que ladeavam
estreitos “carreiros” de passagem das populações. E não só. A informação que era
utilizada também por terroristas mereceu a confiança do nosso comandante de
Companhia, que “apostou” numa emboscada à maneira “deles”.
E
assim se fez. Cada qual se instalou o melhor possível – sentado ou deitado – e
preparámo-nos para uma longa espera. Com o decorrer do tempo habituámo-nos ao
barulho envolvente de pássaros e macacada e muitos dos nossos militares não
resistiram a umas breves sonecas.
As horas passavam e nada acontecia. Por volta
do meio-dia algo me alertou e me fez abrir bem os olhos. Pareceu-me ouvir ruído
de conversas. Alguém se aproximava. E, de repente, vi a uma curta distância –
talvez a 20 ou 30 metros – três indivíduos de farda azul, sem dúvida guerrilheiros do PAIGC, devidamente
armados. Avançavam descontraídos, convencidos de que “estavam sós” .
Eram
inimigos a aproximar-se e à minha volta nada acontecia.
Será
que está tudo a dormir?
Não esperei mais tempo. Dessa vez fui dos
primeiros a disparar e fiquei com a sensação que tinha acertado num dos homens
que vinham ao nosso encontro.
Seguiu-se
ao meu disparo da G3 muitos outros tiros e os três homens de “farda azul”
caíram. Estavam mortos e bem mortos quando finalmente nos aproximámos dos seus
corpos. O chão ainda fumegava de tantos disparos.
À
distância no tempo confesso que relembro os momentos seguintes com alguma
perturbação e confusão à mistura. Sei que quando começámos a regressar ao
quartel de Binta – que ficava a uns bons 10 quilómetros do local da nossa emboscada
(Sanjalo, se bem me recordo) – fui escolhido para trazer na minha “mala de
enfermeiro” 3 granadas de mão capturadas ao inimigo. Confesso que não me senti nada
confortável com a sorte que me tinha calhado, mas na vida militar há que
aguentar e “cara alegre”.
Quando
chegámos ao quartel foi tempo de folgar e de festejar a nossa vitória do dia.
Entreguei as granadas do PAIGC ao quarteleiro – tanto quanto me lembro – e fui
para o meu quarto “particular”, que partilhava com o 1º.sargento e uns 7 ou 8
furriéis.
Quando
a noite chegou e consegui algum sossego dentro do meu “mosquiteiro” começaram
os meus pesadelos. Acordado e a dormir. Foi uma noite longa. Teria sido eu quem
matara um dos “turras”?
As
tarefas do dia seguinte atenuaram um pouco as minhas angústias mas a noite
chegou de novo e voltaram as minhas ansiedades.
Mais
uma noite em claro e, alta madrugada, arranjei um “alibi” para o meu
desconforto.
Afinal
não fui só eu a disparar. Para que estou eu a martirizar-me?
A
minha bala foi uma entre muitas. E poderia ter acertado ou não. Assunto
encerrado.
Voltando
à pergunta do jovem da escola de Vila Franca de Xira.
-
E você matou alguém?
Sinceramente
não sei. Julgo que não.
Mas
estou de bem com a minha consciência. Sei que fiz bem a muita gente. Vi lágrimas
nos olhos das gentes de Binta, quando regressámos em fins de Abril de 1966.
Vivemos de perto com eles cerca de dois anos. Recordo
esse momento de despedida. Em que também chorei. As memórias da guerra não têm
fim.
Uma
saudação especial ao jovem das “Artes” da Escola Professor Reynaldo dos Santos.
Fez-me bem
à alma responder à tua pergunta.
José Eduardo Reis de Oliveira
sexta-feira, 24 de junho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
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