segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

P765: TERTÚLIA "O FIM DO IMPÉRIO"

SESSÃO NA LIVRARIA ARQUIVO, EM LEIRIA,
NO PRÓXIMO DIA 24 de FEVEREIRO

O nosso camarigo Mário Ley Garcia, Presidente do Núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, solicitou-nos a inserção desta notícia sobre a sessão que irá decorrer na Livraria Arquivo, em Leiria, fazendo convite a todos os camarigos que queiram estar presentes na referida sessão, no próximo dia 24 de Fevereiro pela15H00.

A Tertúlia "Fim do Império" terá a presença do Major-General Fernando Aguda, Coronel Barão da Cunha e Superintendente Isaías Teles e é organizada pelo Núcleo de Oeiras da Liga dos Combatentes, contando com o apoio do Núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, Livraria Arquivo e Jornal de Leiria.

Lembramos que a Livraria Arquivo fica situada na Av. Combatentes da Grande Guerra, 53,  2410-123 Leiria

Aqui fica, pois, a notícia que nos foi enviada.





P764: ÚLTIMO LEMBRETE PARA O NOSSO PRÓXIMO CONVÍVIO


sábado, 20 de fevereiro de 2016

P763: UM POEMA DO LÚCIO VIEIRA

Palavras do nosso camarigo Lúcio Vieira:

De vez em quando nasce um poema.
Doenças graves que atacam os poetas. Que se pode fazer?

DOS TEUS CRAVOS VERMELHOS

Lembras-te
outrora as nossas palavras floriam nos jardins
havia lírios e goivos a bailar na voz dos teus poemas
e cravos, tantos cravos vermelhos nos teus lábios
quando me dizias não partas, fico vazia.
 
E já se consumiram tantos dias
e já as memórias fossilizaram nas palavras
nos gestos que trocámos como núpcias.
Havia nesse tempo um livro de quimeras
promessas libertadas no fragor das horas
daquelas horas de escrever a vida
de desabrochar o destino e o mundo todo
com as palavras desenhadas pelo veludo das tuas mãos
quando nos deitávamos nos prados e depois
contávamos estrelas e viagens e futuros.
 
Quanto me dói agora a tua ausência
os silêncios de ti quando as nossas palavras
soltas no fragor das noites de sonhar os dias
se adornavam com as flores  dos nossos mágicos jardins.
 
Sei uma dor profunda na minha voz velada
não sei se definharam os cravos vermelhos dos teus lábios
não sei de ti, nem sei se ainda sei também de nós.
 
Se estiveres algures, se me ouvires as mágoas
procura-me assim nos teus sorrisos
digo-te que estarei apenas longe, apenas
quando deixares de sorrir
tão longe que não sei agora o caminho de regresso.
 
E aqui ficarei à míngua do jardim da tua voz
dos cravos vermelhos dos teus lábios e das horas
recolhidas no cofre violado dos sentidos
naqueles dias de germinar os caminhos do futuro
destinos que as nossas mãos tentaram construir.
 
Quanto me dói agora a tua ausência: redigo
quanto que nem sei já se era esse o sonho de morrer
no morno dos cravos dos teus lábios
ouvindo a voz celeste no veludo dos teus poemas
e ressuscitando as palavras que tanto
tanto e tanto tempo divinas, embalámos.
 
Não sei bem
mas acredito que os deuses  nos alentam as memórias
e cultivam de poemas os jardins
para que em nós não se ateie e se eternize
a mágoa cruel do esquecimento de um amor
plantado num canteiro de palavras
que outrora floriram nos jardins da tua voz.


António Lúcio Vieira 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

P758: AINDA VAI DEMORAR...

A REVISTA "KARAS" VAI TER QUE ESPERAR MAIS UM POUCO...

A conselho médico, o editor da revista "Karas" reduziu a sua actividade nos últimos dias de modo a descansar a vista, a precisar de repouso. E a preparação da revista "Karas" é um pouco exigente nesse aspecto, pelo que naturalmente terão que aguardar mais algum tempo para ler as notícias do nosso último convívio.

Mas em breve poderão apreciar os slideshows das fotos disponibilizadas por três dos participantes - Miguel Pessoa, Manuel Kambuta Lopes e JERO.

Os editores

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

P756: VELHOS HÁBITOS

UMA VEZ MILITAR …

Fui militar durante 4 anos da minha vida (1962-1966).

Em conversa recente com um amigo lembrei-me - porque nunca o esqueci - de uma história, no mínimo invulgar, que me aconteceu na vida civil.

Passou-se no Verão de 1975 ou 1976. Estava na praia de S. Martinho do Porto, devidamente “equipado” para tomar banho.

Corria de calções junto ao mar quando vejo ao longe uma figura que me pareceu familiar.

O porte altivo e uma postura desenvolta lembravam-me o meu Comandante de Batalhão dos tempos da Guiné ! Aproximei-me e era mesmo ele.

De roupão de banho, descalço e com a toalha na mão ali estava o Coronel Fernando Cavaleiro.

Instintivamente pus-me em sentido e apresentei-me.

- O meu Coronel dá-me licença? Tive a honra de servir sob as suas ordens no Bat. 490. 

Estacou e ainda antes de me apertar a mão perguntou-me: - A que companhia pertencias?

Respondi de imediato: - À “675”, meu Coronel..

- À C.Caç. 675. Ah já sei. A do Tomé Pinto. Foi um grande oficial e teve uma Companhia das melhores.

Pus-me à vontade e tive direito ao seu aperto de mão. Caminhámos juntos algumas dezenas de metros.

Soube que tinha estado preso em Caxias durante 10 meses (nos tempos do PREC). Sem culpa formada e sem qualquer interrogatório.

Disse-o sem queixumes. Altivo e "teso" como sempre o tinha conhecido.

Despedi-me e regressei lentamente para junto da minha família. Contei-lhes o que se tinha passado. Tinha estado em "sentido" em calções de banho!

Tinha cumprido um ritual da vida militar... à civil.

Um ritual de que me orgulho e que recordo com saudade. Os valores do respeito, da dignidade e da honra estão cá… Uma vez militar… militar toda a vida!
JERO

Nota: Segundo o portal Ultramar Terraweb, Fernando Cavaleiro, de seu nome completo Fernando José Pereira Marques Cavaleiro, terá nascido em 1920.  Notabilizou-se sobretudo no T.O. da Guiné, onde esteve de 22 de julho de 1963 a 12 de agosto de 1965. Foi o comandante do BCav 490. Nessa qualidade comandou as forças terrestres da Op. Tridente, que decorreu na Ilha do Como entre 15 de janeiro e 23 de março de 1964. 

Foi agraciado com uma Medalha de Cruz de Guerra de 3ª classe (em 1964) e com uma Medalha de Cruz de Guerra de 1ª classe (em 1966), ambas por feitos em combate. Faleceu no dia 03 de Agosto de 2012 com 95 anos.