domingo, 13 de dezembro de 2015

P738: PESADELOS...

FESTIVAIS  OUTONAIS  DA   FRELIBU

Varrendo o nosso ilustre torrão lusitano de norte a sul e também chegando às ilhas, os festivais de verão passaram a ser obrigatórios e são hoje, em todo o Portugal, uma verdadeira instituição, segundo uns… e uma verdadeira praga, de acordo com outros!

É o festival da ameixa, o festival do marisco, o festival da canção, o festival da pera rocha, o festival da maçã reineta,  o festival de rock no rio e no mar, e até, pasme-se o festival de arremesso da árvore do natal!

Como na Tabanca do Centro o Natal ainda se comemora em clima outonal só peço que nenhum maduro se lembre de pôr em prática tal ideia e desatar a atirar pinheiros desde o café Central para ver se acertam na pensão Montanha! 


Eu, que tenho pancada, não me importava nada de participar em tal evento e é só pedir ao Kambuta dos Dembos que ele fornecesse logo três ou quatro dúzias de árvores do pinhal de Leiria que ele conhece melhor do que ninguém! 

Treinava aqui nos extensos areais da Figueira e chegava a Novembro com tal músculo e pontaria que o país desportivo enchia as afamadas Termas de Monte Real, pensões e hotéis de Leiria e arredores só para me ver em acção.

Podia ser até que o Joseph Belo viesse desde o círculo polar ártico assistir ao concurso, dar-nos o prazer da sua companhia e trazer-me uma parelha de renas para eu me poder deslocar a Coimbra semana sim, semana não, para controlar os triglicéridos mais o colesterol mais os rins mais os lípidos mais o diacho que carregue as doenças!

“Mas o que é que isto tem a ver com a Frelibu?”, pergunta o inefável, o expoente máximo na arte de “revistar”, o inexcedível Miguel Pessoa, sempre a pedir material ao pessoal para manter em actividade o Blogue da Tabanca do Centro que em tão boa hora criou e mantém, dirigindo a palavra ao Amado Chefe que o acolitava na leitura!

“O gajo está a delirar! Perdoa-lhe, Miguel, que perdoar é essencial ao nosso bem-estar e os triglicéridos subiram-lhe à cabeça”, falou pausadamente o nosso Amado Chefe que, logo de seguida, e após valente murro na mesa exclama: “Vou já telefonar ao gajo que, ou se cala ou se lixa, e nunca mais põe os pés na nossa Tabanca, onde aliás já não aparece há não sei quantos almoços”….

Retomemos então o fio à meada:
A vetusta, notável, insigne, ilustre, célebre, extraordinária, invencível FRELIBU decidira por unanimidade organizar também o seu festival, mas um festival a sério, um festival consentâneo com a valentia dos seus soldados: O FESTIVAL DA BARBA E DO BIGODE!

Chegaram aos milhares as inscrições de todo o nosso Portugal e também uma inscrição da Figueira da Foz que levantou grande celeuma mas que ao fim de enorme discussão lá foi aceite a pedido de Don António Pimentel que, ao que consta, tem alguns amigos na direcção da FRELIBU.

Estava tudo prontinho mas faltava escolher um  apresentador à maneira!
“Talvez o senhor Manuel Luís Goucha, que em rapaz passava férias na Figueira…”, alvitrou uma voz em timbre de falsete vinda do fundo da sala.

“Kais  Goucha, Kais Caraças! O apresentador do nosso festival tem de ser um homem de cultura, um homem sábio, um perito, um douto, um erudito, um verdadeiro feiticeiro da palavra e em Portugal só há dois, eu, Presidente da Frelibu e o JERO de Alcobaça!...

E, sem mais delongas, logo se lavrou o auto:

               
Salvé, JERO Camarigo
Sabendo quão és importante
Do meu humilde postigo
Saúda-te o Almirante

Um favor te venho pedir
Com toda a minha amizade
Forjada em Alcácer Quibir
Onde levámos porrada

Tenho problema bicudo
                                                         Que quero já resolver
                                                         Amigo, que sabes tudo
                                                         Ajuda-me com o teu saber

                                                         Vem depressa e a correr
                                                         Apresentar o festival
                                                         Acaba lá de comer
                                                                         Antes qu’ isto corra mal!

Meus Amigos, não vos digo nem vos conto, ainda escrevia a última linha do meu verso e já o Camarigo JERO estava em Buarcos de garfo na mão direita e guardanapo pendurado ao pescoço tendo até tido o cuidado de deixar crescer a barba no trajecto de Alcobaça para Buarcos.

Trocou o garfo pelo microfone e logo subindo ao palco debaixo de estrondosa ovação assim perorou:

“Buarcos Lindo, terra heróica de imortais navegadores, eis os resultados do concurso:

           Em quarto lugar, FRELI ARANHA
           Em terceiro lugar FRELIMÚSICO
           Em segundo lugar FRELIPAULINHO

E, finalmente, o grande vencedor da noite, o FRELITRIO!”

E logo ali se armou tamanha confusão. Uma ala da FRELIBU gritava: “Mas que raio se está aqui a passar? Isto é um concurso individual e é um trio que ganha?”

Logo do outro lado da sala, ainda de forma ainda mais audível, se escuta: “Calem-se! Ou não são capazes de ver que nós temos muito mais pêlos juntos do que vocês?!”

O nosso JERO, que já sabe que estas histórias terminam sempre em grande pancadaria, preparava-se para subir para o seu héli quando, uma vez mais, a tal voz de falsete sobe para o palco e diz: “Queriam….queriam….. e o/a representante da Figueira ?  Ei-lo/a!”

Caiu um silêncio sepulcral sobre a assembleia que durou três ou quatro segundos pois logo de imediato as duas facções da FRELIBU se uniram e desataram a atirar tomates ao senhor/a figueirista que, saltitando e aos gritinhos, desapareceu de cena….

E eu também me vou embora antes que algum gajo da Tabanca do Centro me atire com um molho de  hortaliça…

Vasco da Gama         

“Pois é, Vasco… Aí deves ter acordado deste sonho marado!...”, dizem os editores…

domingo, 6 de dezembro de 2015

P734: AO "GOSÉ"!

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O José Seara, ou melhor, o Gosé, segundo Vasco, era, é, um verdadeiro camarigo.

Trazido à Tabanca do Centro pela mão da sua prima Giselda e, portanto, pelo Miguel Pessoa, não precisou dos “padrinhos” para se impor pela sua simpatia, pela sua afectividade, pela sua humildade, e tantas mais virtudes que são sempre apanágio dos homens bons.

Era, é, um amigo, e mais do que um amigo, um camarigo!

E a doença nunca vence os homens bons, porque embora eles possam partir do nosso convívio cara-a-cara, ficam sempre no convívio dos nossos corações.

O “Gosé” é um desses, que mora em nós, faz parte de nós, é um de nós! Um camarigo, verdadeiramente!

Nunca esta “conversa” de camarigos em me chamar “régulo da Tabanca do Centro”, ou “Amado Chefe”, com ternuramente o Vasco da Gama me chamou e chama, pesou tanto sobre mim, ao querer escrever palavras que digam o que me vai no coração, para o “Gosé”, para a sua filha Glenda, (que connosco também esteve), para a sua prima Giselda, (a humildade deve ser característica daquela família), para o Miguel, que se supera em amizade e camarigagem.

Todos os que me conhecem sabem da fé profunda que vivo em Deus, e por isso mesmo, a melhor homenagem que posso prestar ao “Gosé” é pedir ao Senhor da Vida, que o receba no seu eterno abraço de amor, e que acompanhe, acaricie e console, os seus familiares, especialmente a Glenda, que podendo ficar mais “pobre” na terra, fica sem dúvida mais “rica” no Céu, porque o Céu é dos homens bons, dos homens de boa vontade, e o “Gosé” era, é, um deles.

Na Tabanca do Centro não estamos de luto, estamos serenamente recordando o nosso camarigo “Gosé”, que continua connosco, nos nossos corações, nas nossas vidas, nos nossos encontros todos os meses, até todos nos encontrarmos no “Encontro Final”, que será uma festa sem dúvida.

Que Deus receba o “Gosé” no seu eterno descanso e que nós todos nos alegremos serenamente, na tristeza da partida, por termos um camarigo como o “Gosé”.

Abraço a Glenda, a Giselda, o Miguel e a todos os camarigos da Tabanca do Centro nesta hora de tristeza, mas também de gratidão por termos na nossa memória, e na nossa vida, (passada, presente e futura), um homem como o “Gosé”!

Marinha Grande, 6 de Dezembro de 2015
Joaquim Mexia Alves

P733: JOSÉ SEARA

MAIS UM CAMARADA QUE PARTIU

Apareceu nos convívios da Tabanca do Centro pelas mãos do casal Pessoa (era primo da Giselda). 

Tinha feito a sua comissão em Angola mas facilmente se integrou no ambiente dos “guineenses”, sendo por eles bem recebido e ganhando a sua amizade.

Durante a comissão em Angola, devido ao rebentamento de um forno recebeu queimaduras graves que o deixaram às portas da morte, situação de que recuperou depois de meses de sofrimento.

Trabalhou esforçadamente na indústria da panificação ao longo de quarenta anos longe de casa – na Venezuela – de onde regressou há cerca de cinco anos para Portugal,  para junto de familiares e amigos para combater a doença que o atacou, o que fez com grande ânimo e coragem.

Esteve connosco em Monte Real há bem pouco tempo – em finais de Setembro – participando naquele que, longe de o prevermos, seria o seu último contacto com os camarigos da Tabanca do Centro.

Teve neste último ano e meio a felicidade de ter junto de si a sua filha Glenda, que interrompeu o seu trabalho em Londres (onde vive com o marido e filho) para acompanhar e apoiar o pai na sua luta contra a  doença.

O nosso camarigo José Seara (Gosé como amistosamente lhe chamava o Vasco da Gama por causa do seu sotaque espanholado) deu-se finalmente por vencido no passado dia 5 de Dezembro, deixando saudades naqueles que com ele lidaram. Que possa descansar em paz.

A Tabanca do Centro