sexta-feira, 20 de novembro de 2015

P727: UMA RECORDAÇÃO DA BA5

Pelas mãos do nosso camarada Paulo Moreno chegou-nos esta relíquia, uma história em Banda Desenhada incluída no Boletim da BA5, uma publicação editada periodicamente naquela Unidade, sendo este o nº 54, referente a Abril/Maio de 1984.

Esta BD tem a particularidade de ter sido desenhada pelo Sargento Agria, um militar da Unidade que estava colocado nas Operações do Grupo Operacional 51 (GO51) à data em que eu proprio desempenhei funcões na BA5 como Comandante do referido GO51.

Não tendo esta publicação no nosso blogue quaisquer intuitos comerciais, sinto-me à vontade para vos apresentar esta relíquia, com o que pretendo fazer uma modesta homenagem à Base de Monte Real, ao velhinho Sabre F-86 que ali operou durante muitos anos, e principalmente ao Sargento Agria, que lembro com saudade.

Onde quer que ele esteja, sei que apreciará esta singela recordação.


Miguel Pessoa





terça-feira, 17 de novembro de 2015

P726: DO MANUEL MAIA - 14

A FAINA

À mesa do café, pensando em nada,
fruindo de bom tempo na esplanada,
uns versos me lembrei de alinhavar...
p´ra vós "camarigagem", gente boa
que à volta da revista do Pessoa
escreve com prazer de assinalar...

Cria, ilustra, edita e gere
revista de grande impacto
um Pessoa que prefere
não valorizar o facto...


Lá longe, bem na linha d´horizonte,
veleiro cruza o mar mesmo defronte
à praia "Las Galletas" que é a minha...
Gaivotas acompanham o regresso
dos barcos "ganha-pão" que com sucesso
se encheram lá na faina da sardinha...

Na lota, algo ansioso, aguarda o povo
para aceder ao peixe, que de novo,
mercê da quantidade é mais barato...
Cirandam gatos catando festim
que as tripas, as espinhas, peixe ruim,
amigos pescadores lhes dão por trato...

Sorrisos de alegria estão espelhados
nos rostos desses homens tão cansados,
já madrugada cedo no labor...
A rede vinha cheia de pescado
e o barco dessa forma carregado
mostrava a rija fibra/pescador...

Eis quando a "calima"*, de repente
se fecha assim num sopro, estranhamente,
soando está "sarronca"** em tom aflito...
Há barcos ´inda fora por entrar
no porto salvador daquele mar
a angústia é transformada em alto grito...

Neptuno vinca assim, como garante,
que é dele o mando sempre, a todo o instante,
no reino d´água calma ou bem revolta...  
Mostrou-se, desta vez, compadecido,
c´os gritos deste povo em alarido
em preces, porto inteiro, ali à volta...

E entrado foi o barco derradeiro
no porto salvador, como o primeiro,
sardinha prata/viva, em profusão...
O povo e pescadores que horrores padecem
prostrados, de joelhos, agradecem
                                                                        à Santa Candelária em gratidão...

E à virgem negra vão surgir benesses
pagando assim promessas feitas preces
que a Santa Candelária ouvira as gentes...
Poseidon, Virgem Negra ou Neptuno,
acharam ser momento oportuno
p’ra deixar os canários tão contentes...

E aos primeiros alvores da manhã
aqui respiro a aragem fresca e sã
que a maresia impregna bem no ar...
Sentado na varanda vou olhando
os barcos, um a um, que vão zarpando
saindo p´ra um mar chão, a navegar...

E a cada dia a faina se repete
um, dois, dez, quinze, vinte, trinta e sete...
e de repente o mar se enche de gente...
No estender da rede, o coração
augura a fartura desse pão
a cada dia em luta persistente...


Manuel Maia


* Calima --- é o nome que os canários dão à tempestade de areia vinda do Sahara e que por vezes atinge a ilha.
** Sarronca --- é o sinal sonoro dado à navegação aquando do calima ou nevoeiro.


sábado, 14 de novembro de 2015

P724: ENTREGAS A LONGO PRAZO...

UMA CRUZ DE GUERRA... 41 ANOS DEPOIS


Transcrevemos um texto que nos foi enviado pelo Manuel Ramos, um camarigo que tem participado nos nossos convívios em Monte Real, integrado no grupo que ali se costuma deslocar ido de Torres Novas:

“Meus amigos, ontem foi um dia gratificante para mim. Foi concluído um processo iniciado há 40 anos.
Em cerimónia militar realizada junto ao monumento do combatente em Belém, foi imposta uma cruz de guerra ao meu amigo Fanha, que lhe tinha sido atribuída em Janeiro de 1974.
Fui testemunha e “actor” dos acontecimentos que lhe deram origem e acompanhei de perto todos os passos deste processo.
Em anexo fica a ordem do exército Nº 10 de 30 de Abril de 1974 onde se encontra registada a condecoração.
                                                                                                                       M. Ramos”

O Carlos Pinheiro disponibilizou-nos a notícia saída no “Jornal Torrejano” no passado dia 11 de Novembro, referindo a imposição da Cruz de Guerra ao nosso camarigo Alexandre Fanha, em que faz ainda referência à Ordem do Exército nº10 de 30 de Abril de 1974, onde se encontra registada a condecoração.
“Jornal Torrejano Sociedade --- 2015-11-10 
Alexandre Fanha Constantino, torrejano natural da Meia Via, vai receber quarta-feira a cruz de guerra que lhe foi atribuída em Janeiro de 1974 e que, por incidências relacionadas com o 25 de Abril, acabou por não lhe ser entregue.
Alexandre Fanha, que foi atleta da equipa sénior do Clube Desportivo de Torres Novas e que actualmente trabalha no ramo da instalação de equipamentos de televisão, encontrava-se em Moçambique desde o início da década, cumprindo o serviço militar no Exército Português. Com formação de comando, veio a integrar a única formação de GE’s (grupos especiais) então constituída para realizar e dar apoio a operações especiais da tropa portuguesa, e foi ao serviço dessa companhia, mas integrado numa outra regular, que Alexandre Fanha realizou actos de coragem e bravura que lhe valeram, em Janeiro de 1974, a atribuição da cruz de guerra.
Com o 25 de Abril e as complicações político-militares que acabaram por fazer-se sentir em todas as ex-colónias portuguesas, o militar torrejano não recebeu a condecoração, mas quarta-feira, na praça do Império em Belém, em acto comemorativo do dia do Armistício e diante das mais altas patentes políticas e militares, Alexandre Fanha vai finalmente receber a cruz de guerra.
Acabados os conflitos militares que envolviam Portugal há mais de 40 anos e não tendo estado o país envolvido directamente em qualquer outro cenário de guerra, pode afirmar-se que, para já, o torrejano Alexandre Fanha vai ser o último português a receber a distinção atribuída por valorosos feitos militares.”

Deixamos-vos um comentário final do Carlos Pinheiro sobre esta cerimónia, que deveria ter merecido um mínimo de atenção da Comunicação Social:
“Sabes, o Fanha, finalmente recebeu ontem a CRUZ de GUERRA que lhe tinha sido atribuída em Janeiro de 1974.
Mas não consigo encontrar noticias na Comunicação Social. Esteve lá o Presidente da Liga dos Combatentes, o Ministro da Defesa, o CEMGFA e muitas outras entidades. Mas a Comunicação Social parece não ter dado importância à cerimónia ou então... nem sei o que dizer.

                               Um abraço.   CP”



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

P723: JÁ ULTRAPASSÁMOS AS 80 INSCRIÇÕES

Caros camarigos

Com algumas confirmações de inscrições que aguardamos, e que são necessárias porque essas inscrições não foram totalmente esclarecidas, atingimos praticamente as 85 inscrições pelo que, a partir de agora, todas as inscrições que chegarem serão registadas numa lista de espera, por ordem de chegada, aguardando eventuais desistências.

Abraços a todos
Tabanca do Centro

P722: NOTA IMPORTANTE SOBRE O ENCONTRO DE NATAL

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Caros camarigos

As inscrições para o nosso almoço de Natal “dispararam” e já vamos com mais de 60.

Assim sendo vimos pedir o seguinte:

1 – Que o mais rapidamente possível se inscrevam, sobretudo aqueles que costumam estar nos Encontros da Tabanca do Centro.

2 – Não inscrevam familiares, a não ser, obviamente as mulheres dos combatentes, (uma por cada combatente, claro!!!), para que não faltem lugares para os camarigos que costumam vir aos nosso encontros.
Os que já estão inscritos até esta data, obviamente, foram considerados inscritos.

Poderemos fazer uma lista de espera para inscrições de outros familiares, que poderão ser depois considerados inscritos, caso não atinjamos o número limite com os combatentes.

3 – Não façam inscrições, escrevendo coisas do tipo: “Manuel Silva mais 2 pessoas”.
Precisamos sempre do nome das pessoas e sobretudo saber se são combatentes e onde fizeram as suas comissões militares.

Estas “regras” valem também para o próximo encontro em Janeiro que comemora o 5º aniversário da Tabanca do Centro.

Abraços e cá os esperamos

Tabanca do Centro.
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P721: 48º Encontro da Tabanca do Centro - 30/10/2015


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Fotografias do Miguel Pessoa
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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

P719: SENSAÇÕES POR MUITOS JÁ EXPERIMENTADAS...

P’rá vala, p’rá vala!


“P’rá, vala, p’rá vala!”

O grito fere-me os ouvidos,
arrefece-me o sangue,
faz-me tremer o coração,
mas impulsiona-me como uma mola,
e num salto deixo a cama.

Mergulho na escuridão,
ouço passos a correr,
mais do que gente a gritar
sinto o meu coração a bater.

Mergulho numa coisa estreita,
como se de uma cova de cemitério se tratasse,
e ouço de imediato uma voz,
“porra que me pisaste!”

Os rebentamentos sucessivos,
parecem explodir em cada coração,
e ouvem-se apreciações em voz alta:
“esta foi perto!”
ouviu-se aqui a rebentar,
e logo uma outra voz
onde o humor vence o medo:
“não há problema,
                                                                         os gajos não conseguem acertar!”

O cheiro acre da pólvora
toma conta de tudo e todos,
e há vozes que se cruzam,
com os projécteis no ar:
“calma, pessoal, calma,
isto está quase a acabar!”

A camisa encharcada em suor,
o pó agarrado à cara,
ou está muito calor,
ou o suor é do medo!

Ouço uma voz que me chama,
aos gritos,
por cima do barulho infernal:
“meu Alferes, porra,
meu Alferes!”

Volto-me para ver quem é,
e…
caio da minha cama!


Joaquim Mexia Alves