sábado, 23 de maio de 2015
quinta-feira, 21 de maio de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
P654: NO PRÓXIMO DIA 22 DE MAIO
HOMENAGEM DA CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA
A PERSONALIDADES DO CONCELHO
Conforme a notícia do jornal do passado dia 14, que aqui reproduzimos,
chega-nos a informação que o Mário Ley Garcia, Presidente do Núcleo de Leiria
da Liga dos Combatentes e assíduo frequentador da nossa Tabanca do Centro, vai
ser homenageado pela Câmara Municipal de Leiria, no dia 22 de Maio, dia do
Feriado Municipal, integrado num grupo de personalidades que a autarquia
decidiu homenagear pela acção cívica que têm praticado em prol do desenvolvimento
do concelho leiriense.
A ele os nossos sinceros parabéns, com um forte e camarigo abraço e o
orgulho de termos a sua sempre pronta colaboração na nossa Tabanca do Centro.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
P653: PREPARANDO-NOS PARA O PIOR
SOBREVIVENDO…
Estávamos
no início de 1970. Eu tinha terminado o meu curso de pilotagem no T-37 poucos
meses antes - em Novembro de 1969 - e tinha passado de Sintra para a Ota, para
aí frequentar o Curso de Instrução Complementar para Aviões de Caça, no T-33
(imagem ao lado).
Ainda
não tínhamos recebido até aí grande instrução sobre técnicas de sobrevivência no caso
de um acidente ou abate (isso se tivéssemos ficado vivos, claro…).
Foi
precisamente na BA2 (Ota) que o pessoal do meu curso mais uma série de pilotos
arregimentados em diversos locais acabou por receber um curso ad-hoc ministrado por dois técnicos
americanos que se deslocaram ao nosso país para nos transmitirem alguma da sua
experiência nessa matéria (alguma do Vietnam, certamente).
Foi
assim que tomámos contacto com a preparação de armadilhas para capturar
pequenos animais, aprendemos a acender um fogo com paus e cordas, a fazer um abrigo
com restos do paraquedas, a utilizar uma pistola (mais propriamente uma caneta)
de very-lights, a ser recuperados por
um guincho no AL-III e, o mais penoso de tudo, a sobreviver na água.
Para
essas últimas sessões deslocámo-nos então para a zona da piscina de oficiais da
Base. E, se percebermos que o curso se efectuou no início do ano – talvez
Fevereiro, já não me recordo bem – podem calcular o frio que rapámos naquela
água, bem gelada…
Dentro
da piscina tomámos contacto com as técnicas de entrada na água a partir da
prancha dos 3 metros, a subida para os barcos insufláveis (de 1, 7 e 20
lugares) e a sua utilização e manutenção (sim, que os barcos insufláveis também
perdem ar e há que mantê-los a flutuar…) e, técnica que muitos leigos poderão
achar menos importante, a saber desenvencilhar-nos da calote do paraquedas, que
tem a mania de cair por cima do piloto quando entra na água. Nesse caso, manter
a calma é essencial para sairmos debaixo daquela armadilha, que já terá
provocado algumas mortes por afogamento nessas situações.
Enfim, não sendo demasiado exigente, lá acabámos o curso, não sem terem surgido algumas situações um pouco caricatas cuja lembrança ainda hoje me faz sorrir. Assim de repente recordo duas…
Outra
com muito menos graça, mas que acabou por correr bem, passou-se com outro
camarada de curso que, afectado pelo frio passado dentro de água, entrou em
hipotermia e quase que se ia apagando. Valeu-lhe o apoio imediato do médico da
Base, que o socorreu.
E o caricato surgiu quando, vendo dificultados os seus
esforços para reanimar o rapaz, o médico decidiu deitar-se ao seu lado, para o
aquecer com o calor do seu corpo. E o facto é que esse nosso camarada lá foi
recuperando as cores, sem lhe terem ficado quaisquer mazelas…
Nos
anos seguintes esses cursos foram sendo sistematicamente melhorados, passando
para áreas próprias na BA6 e em Tróia, a que se acrescentou posteriormente um
curso de Fuga e Evasão, ministrado na zona da Malcata (Beira Baixa). Mas sobre
esse curso que também fiz (em 1984, 10 anos depois de ter acabado a guerra em
África…) talvez um dia ainda escreva qualquer coisa neste blogue.
Miguel Pessoa
Nota: Algumas imagens retiradas, com a devida vénia, de
forumdefesa.com
defesanacionalpt.blogspot.com
sábado, 16 de maio de 2015
P652: MADE IN PORTUGAL
FORÇA AÉREA MODERNIZA AVIÕES
DE CAÇA F-16
Uma reportagem RTP de Raquel Gomes / Luiz Flores / Guilherme Terra
A Força Aérea Portuguesa foi a única no
mundo que optou por modernizar os caças F-16 utilizando recursos próprios numa
opção que permitiu poupar alguns milhões de euros. Perto do final do programa,
quando já tinham sido alteradas 37 aeronaves, a RTP foi conhecer o local onde
se fez grande parte dessa modificação dos F-16.
Com a devida vénia à Rádio Televisão
Portuguesa e aos autores da reportagem, Raquel Gomes, Luiz Flores e Guilherme
Terra, apresentamos-vos o vídeo produzido pela RTP, já com algum tempo, mas
perfeitamente actual. Para o visualizar, carrega aqui.
Não está posta de parte a possibilidade de no futuro virmos a preparar, com o necessário apoio do Comando da BA5, uma nova visita àquela Unidade da Força Aérea. Naturalmente, convirá deixar passar algum tempo entre as visitas, para garantir o interesse de um número significativo de aderentes.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
segunda-feira, 11 de maio de 2015
P650: MAIS UM DEPOIMENTO NO "CORREIO DA MANHÃ"
Com a devida vénia ao autor do artigo, Leonardo Ralha, e ao "Correio da Manhã", reproduzimos o depoimento publicado na revista de domingo de 10MAI, daquele jornal. O nosso camarigo Luís Lopes Jorge é "aquisição" recente da Tabanca do Centro e chegou ao nosso convívio pela mão do Manuel "Kambuta" Lopes, tendo estado presente pela primeira vez no nosso último encontro, em 27 de Março, bem como no X Encontro Nacional da Tabanca Grande, também em Monte Real, no passado dia 18 de Abril.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
P649: DE VOLTA AO SUL DA GUINÉ
No decorrer do nosso último convívio, no passado dia 27 de Março, tivemos o prazer de confraternizar com um novo camarigo, recém-chegado aos nossos encontros.
Trata-se do Manuel Ferreira da Silva, Coronel Reformado. Este camarada é um oficial de carreira vindo das escolas da Academia Militar, onde entrou em 1961. Como combatente comandou a 14ª Companhia de Comandos em Angola e esteve na Guiné de Dezembro de 1971 a Novembro de 1973, nos Comandos Africanos em Bolama e em Gadamael.
Vem agora disponibilizar-nos o texto que se segue, artigo esse que foi publicado na revista da Associação de Comandos, "Mama Sume".
Aqui divulgamos o referido texto, com a devida vénia ao autor e à revista da associação de Comandos, "Mama Sume", onde ele foi publicado.
Uma sugestão, já aqui apresentada noutras ocasiões: Para lerem o texto com mais facilidade primam a tecla CTRL e rodem o botão "scroll" do rato (a rodinha...) para aumentarem o zoom e adaptarem a largura do texto ao tamanho do monitor. Nós experimentámos com 125% de zoom... e lê-se perfeitamente.
A Tabanca do Centro
segunda-feira, 4 de maio de 2015
P648: JERO - CRÓNICAS DOS TRIBUNAIS / 7
O PRINCÍPIO DA INCERTEZA…
Os protagonistas desta história de vida do início da década de 60 são um homem idoso, com graves problemas de saúde, e uma bonita rapariga a rondar os 30 anos. Tinham relações de parentesco - tio e sobrinha - e viviam uma relação extraconjugal algo estranha.
Desde
muito nova que a sobrinha visitava a casa de seus tios e, quando cresceu e se
fez mulher, passou a ser cobiçada com outros olhos pelo tio. Que – falando mal
e depressa – “rifou” a sua mulher e iniciou uma relação adúltera com a sobrinha,
promovida a “dona da casa”.
O
tio, machista e altamente desconfiado, vivia em permanente desassossego face ao
“crescimento” da sua jovem amante, cada vez mais bonita e vistosa. E as coisas
pioraram ainda mais quando, por motivos de saúde, sofreu à amputação de uma
perna, o que lhe limitou drasticamente os movimentos.
A
rapariga tinha uma banca de venda de miniaturas aos turistas que visitavam o
Mosteiro de Alcobaça e passou a visitar fornecedores fora da vila. As viagens
que fazia a Lisboa eram um tormento para o velho que, quando a jovem chegava a
casa, a “cheirava” desconfiadamente na pesquisa de qualquer sinal que provasse
algum “desvio” em relação à fidelidade que lhe exigia.
Essa espionagem incluía as malas da jovem que o velho fazia à socapa, quando a rapariga saía do seu quarto, onde vivia praticamente acamado devido às suas maleitas.
Essa espionagem incluía as malas da jovem que o velho fazia à socapa, quando a rapariga saía do seu quarto, onde vivia praticamente acamado devido às suas maleitas.
E
um dia – há sempre “um dia” – encontrou um resto de charuto numa mala de mão da
rapariga. Como ela não fumava só podia ser a “prova” de que afinal “havia
outro”…
Daí até passar à acção foi um relâmpago. Pegou num revólver, chamou a rapariga ao seu quarto, e começou aos tiros.
Daí até passar à acção foi um relâmpago. Pegou num revólver, chamou a rapariga ao seu quarto, e começou aos tiros.
A
jovem viu a morte tão perto que, saltou, rebolou pela cama e pelo chão,
conseguindo fugir do quarto e da casa. Percebeu que estava ferida de raspão
numa perna e num braço mas estava viva… A cena obviamente que deu grande
alarido nas imediações da casa onde viviam mas alguém chamou a polícia e a situação
ficou sob controlo.
O
agressor foi preso, a rapariga tratou-se dos ferimentos das balas, constituiu-se
assistente no processo e contratou um velho e reputado advogado da vila para a
representar nos autos. Está claro que a ocorrência deu origem a animado falatório
na vila e no dia do julgamento a sala do Tribunal estava cheia de mirones. Que
tudo queriam ver e ouvir dum caso de que não havia memória ter acontecido numa
pacata terra como Alcobaça.
O
colectivo de Juízes que julgou o processo apurou todos os pormenores daquela
sórdida história, sendo certo que o réu confessou a cena dos tiros que tinha
levado a efeito para castigar duramente a sua infiel companheira, embora não
tivesse intenção de a matar.
Feita
a prova registou–se a pergunta sacramental do Juiz-Presidente: “O réu tem
mais alguma coisa a alegar em sua legítima defesa?”
O
réu disse alguma coisa entre dentes, olhando para atrás para a sala cheia de
gente. O Juiz percebeu algo de constrangimento na sua atitude e recordou-lhe
que estava acusado de um crime muito grave e se tinha mais alguma coisa a dizer
em sua defesa era aquele o momento. O réu acenou com a cabeça mas disse que não
ia falar porque estava muita gente na sala. Perante
esta atitude o Juiz-Presidente mandou evacuar a sala, o que se fez de imediato. “Então o que tem a dizer mais em sua defesa?”
O
réu respirou fundo e, apontando com um dedo o advogado da sua companheira, disse: “Estou convencido que ali o doutor também teve uma relação com ela”.
O
advogado da queixosa levantou-se de um salto e aos gritos aproximou-se do réu
com nítida intenção de o agredir. Gerou-se um pandemónio na sala e juízes,
Delegado do Procurador da República e funcionários judiciais evitaram males
maiores, conseguindo que o advogado voltasse ao seu lugar sem fazer justiça por
suas mãos. O réu ficou branco como a cal das paredes do velho Tribunal mas
mantinha o dedo esticado em relação ao “outro”…
Depois
tudo se acalmou e foi possível ser lida a sentença, que condenou o velho tio da
ofendida a alguns anos de cadeia. Onde uns dois anos depois veio a falecer.
Esta
história de vida algo invulgar bem podia ter sido o guião para um filme de
Manoel de Oliveira.
E
o título só poderia ser um que, por acaso, até já faz parte do seu longo
património cinematográfico: “O princípio da incerteza”!
JERO
sexta-feira, 1 de maio de 2015
P647: DESEMBARQUE ATRIBULADO
O DIA-D NO
CACHEU
Informaram-nos, cedo pela manhã, que a
Companhia transbordava directamente do Niassa para uma lancha de desembarque
(LDG),e seguiria para local algures no rio Cacheu.
Depois de largas hora de viagem fluvial
somos finalmente informados de que iríamos desembarcar em pequena enseada na
margem do rio.
Aí, deveria aguardar-nos a Companhia de
Ingoré que nos iria acompanhar nas primeiras semanas de treino verdadeiramente
operacional.
No ponto estabelecido a lancha abicou à
margem e nós, com olímpica calma feita de total inexperiência, desembarcámos.
Primeira surpresa: - Ninguém se
encontrava no local a aguardar-nos.
Segunda surpresa: - Devido à grande
amplitude das marés e a outras "razões de ordem operacional" (?) invocadas,
o Comandante da lancha esclareceu ter que, “lamentavelmente", abandonar o
local de imediato.
Segundo ele não haveria problemas de maior,
pois informara pela rádio a outra Companhia quanto à nossa chegada.
Havia algo de imensamente ridículo, de
cómico, em toda a situação. Cerca de 200 homens com bagagens, viaturas,
abastecimentos, tudo amontoado à pressa em clareira junto ao rio.
Antevia-se ao longe, na orla da mata
densa e pantanosa, uma picada que, cerca de 100 metros à frente se perdia de
vista.
Estaria minada? Deslocar um Pelotão em
reconhecimento? (Sentíamo-nos tão "verdes"). Aguardar? E o tempo ia passando.
A nossa presença por certo já estaria
detectada pelos guerrilheiros pois a lancha fizera uma barulheira incrível ao
penetrar no tarrafo, assim como as viaturas ao procurarem desatolar-se na
margem.
Por fim, alguém sugeriu que talvez fosse
"conveniente"...montar um arremedo de segurança enquanto íamos
aguardando.
Bruscamente, naquela "pasmaceira
paisana à beira rio plantada”, surgiram vozes enérgicas de comando... Secas... Directas...
Objectivas.
Montaram-se morteiros, metralhadoras de bipé,
e até pesada Breda, vetusta relíquia de guerras passadas. Deslocaram-se secções de Atiradores para
locais estratégicos.
Após curto espaço de tempo tínhamos
algum pessoal instalado defensivamente, empoeirando camuflados virgens, em
arremesso de instruções recebidas nas calmas planuras de Santa Margarida.
E o tempo continuava a passar.
À medida que as horas iam correndo e a
noite se aproximava, um pesado silêncio começava a surgir.
Quando ninguém já se atrevia a conversar
ouviu-se voz perplexa de um Furriel, gritando desde uma das secções instaladas,
e de armas belicamente empunhadas: MAS?!... NINGUÉM TEM MUNIÇÕES!
Não é a Companhia que nos vem buscar que
as há-de trazer para nós?!
Outra voz (esta em cerrado dialecto Portuense):
- Carago! Lembrem-se de Aljubarrota! Forma-se já um quadrado!
Maio 1968 - Margens do Cacheu
Um
abraço do
José
Belo
Nota final: Para evitar stress a algum pessoal mais
perturbado que não suporta o suspense, resolvemos solicitar ao autor da
história que nos desvendasse o que sucedeu depois. De acordo com o nosso
camarigo Zé Belo, “o final da saga do
desembarque não podia ter sido mais típico das realidades das nossas guerras...
A outra Companhia demorou por não ter conseguido pôr em funcionamento a velha
Berliet que usava como rebenta minas à frente das colunas...”
........................................................
Informação adicional: As imagens apresentadas destinam-se unicamente a ilustrar o texto do Zé Belo, não estando directamente relacionadas com o acontecimento descrito. Com a devida vénia ao Blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné" e aos camaradas Humberto Reis e José Carlos Lopes.
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