Mostrar mensagens com a etiqueta MP. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta MP. Mostrar todas as mensagens

domingo, 30 de abril de 2017

P906: AGORA NUM EXPOSITOR...

AVENTURAS DE UM CAPACETE…
E NÃO SÓ…

Miguel Pessoa
Há tempos foi publicado neste blogue um Poste (P866) da autoria do meu camarada Alberto Roxo da Cruz, em que ele relatava as peripécias que envolveram a sua ejecção e recuperação nas matas da Guiné. Dessa história – que naturalmente conhecia, pois eu também estava lá… - fixei uma frase ali escrita:

“Aí, apercebi-me que tinha perdido o capacete, que estava com o francalete bem justo, assim como a máscara e a viseira colocadas. Quem quiser, que experimente retirar o capacete da cabeça, nestas circunstâncias. Nós tentámos essa experiência e ninguém conseguiu!”

A cena da perda do seu capacete na ejecção, essa desconhecia-a. Mas é em tudo igual ao que me tinha acontecido meses antes no Sul da Guiné, quando também tive que me apear dum Fiat G-91 em andamento… No meu caso não dá para relatar a minha descida em paraquedas pois não me lembro de nada entre o disparo da cadeira de ejecção e a recuperação da consciência uns minutos (?) depois da queda.

Esses pormenores já os relatei anteriormente no blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné" (podem ver aqui) .

Sobre o capacete, posso assegurar que também eu tinha a máscara de oxigénio colocada, o francalete devidamente ajustado e a viseira em baixo. Mesmo assim, o facto é que o capacete se foi embora durante a ejecção, o que mostra a brutalidade desta medida de emergência…

O que não contei então é que, mais tarde, em conversas tidas com o Gen. Paraquedista Norberto Bernardes (meu camarada e amigo desde os tempos da Academia Militar em 1965) me foram relatadas as peripécias da recuperação desse meu capacete, encontrado no mato pelo grupo que ele comandava (então como Capitão), inclusive com recurso a um ramo para ver se o IN o teria armadilhado…

Bom, como quem procura tem prioridade, no fim desse dia o meu amigo Bernardes estava na posse do meu capacete… e do meu paraquedas, os dois em razoável estado de conservação.

Magnânimo, o Norberto Bernardes propôs-me decidir qual a peça que eu gostaria de recuperar, ficando ele com a outra. Optei por ficar com o paraquedas, que achava ser uma boa recordação; afinal, iria ter um capacete novo quando voltasse a voar. E assim se fez: Eu guardei o paraquedas e o Norberto Bernardes levou o capacete para a sua casa.

Passados uns bons anos, parece que tivemos ambos um rebate de consciência – Afinal, lá em casa as peças não tinham grande préstimo, seria mais interessante se estivessem expostas num local em que pudessem ser apreciadas por outras pessoas.

Foi assim que em determinada altura o Norberto Bernardes me informou que tinha oferecido o meu capacete para ser exposto no Museu da Base Escola de Tropas Paraquedistas, em Tancos.

Achei a ideia interessante e resolvi oferecer o meu paraquedas ao Museu do Ar, da Força Aérea, oferta essa que acabou por não se concretizar por “falta de espaço para exposição do material” (palavras do responsável, que me escuso de comentar…).

Desde há muitos anos, principalmente desde a data da minha recuperação, os Paraquedistas têm sido uma família para mim, com quem gosto de me dar e que sempre me recebem bem. 

Foi por isso que em 2006 naturalmente resolvi oferecer o meu paraquedas ao Museu da Base Escola de Tropas Paraquedistas, onde hoje repousa na companhia do meu capacete, após uma longa separação de 33 anos, iniciada no longínquo ano de 1973…

Com um abraço especial ao Norberto Bernardes, um camarada por quem tenho grande amizade e consideração, lembrando também com saudade outro camarada que foi essencial na minha recuperação, o Cap. João Cordeiro, falecido num trágico acidente num salto de paraquedas, poucos meses mais tarde.


Miguel Pessoa



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

P839: UM CANDEEIRO PECULIAR

UMA PEÇA DE ARTESANATO

Há uns tempos atrás publicámos numa edição da revista “Karas de Monte Real” umas imagens que mais pareciam tiradas numa qualquer Feira da Ladra, nas quais podíamos ver a Giselda a desembrulhar o que parecia ser um candeeiro e mostrando-o ao nosso camarigo Agostinho Gaspar.

Na verdade era mesmo um candeeiro, e a aparição do Agostinho nesta cena resulta do facto de também ele ser possuidor de um candeeiro similar, construído com idêntico material e feito pelo próprio durante a sua permanência na Guiné, na década de ’70.

Numa visita anterior a casa do Agostinho tínhamos então tido conhecimento da existência desse seu candeeiro, feito com recurso a partes das munições existentes no local – e não só, pois para além dos projécteis, invólucros e peças de latão, até as moedas locais foram utilizadas como suportes para os cigarros no cinzeiro, construído na base do referido candeeiro.


Na conversa que daí resultou referimos que o nosso candeeiro, que tinha sido oferecido à Giselda por um militar em comissão de serviço na Guiné, sofria de uma pequena anomalia na ligação da parte superior à base que impedia a sua fixação segura – e o Agostinho prontificou-se a fazer a devida reparação.


Essa reparação foi feita – e aqui ficam os nossos agradecimentos ao Agostinho - mas, tendo logo sido levado o candeeiro para o seu local habitual, num poiso nosso perto de Sesimbra, frustrou-se a nossa ideia inicial de mostrar logo de seguida o “piqueno” já recuperado – o que só foi possível há pouco tempo, quando finalmente tivemos oportunidade de fotografar o corpo do delito…


Aqui vos deixo pois as imagens dum candeeiro muito peculiar, feito com material normalmente utilizado para fins bélicos (descontando, claro, as moedas da Guiné, que tinham um fim bem mais pacífico) mas que agora se limita a iluminar o percurso do corredor de entrada dessa nossa casa.

Pergunto-me se outros camaradas terão conhecimento deste tipo de artesanato ou se serão mesmo possuidores de uma peça semelhante a estas duas…

Miguel Pessoa


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

P817: EM TEMPO DE REPRISES...

A FORÇA DA NATUREZA

“Folheando” recentemente o último número da revista Karas de Junho, chamou-me a atenção o episódio em que a Giselda mostrava ao nosso camarigo Carlos Santos umas fotos por nós tiradas numa deslocação que fizemos à zona de Guileje no “longínquo” ano de 1995. 


Parte dessas fotografias tinha já feito parte de um Poste saído no blogue “Luís Graça & Camaradas da Guiné”, integradas na minha apresentação ao blogue - em Janeiro de 2009 (!), já lá vão mais de sete anos…

Tivemos entretanto a oportunidade de enviar ao Carlos Santos essas fotos digitalizadas que ele tinha mostrado interesse em receber – e que hoje voltamos aqui a reproduzir.

Porque em grande parte o que eu disse nesse Poste acabei por não cumprir (nomeadamente a promessa de ficar calado…), não resisto a transcrever algumas das partes então publicadas, com a devida vénia aos editores do blogue “Luís Graça & Camaradas da Guiné” – vulgo Tabanca Grande – que tiveram então a gentileza de editar.  Em alguns pontos poderão verificar a existência de (…). São partes do texto inicial que considerei não ter interesse reproduzir nesta altura. Mas se tiverem muita curiosidade sempre podem ir à Tabanca Grande espreitar o Poste 3816...

.................................................................................................................. 

“Caro Luís Graça

A publicação do livro do Cor. Coutinho e Lima sobre a retirada do Guileje e os subsequentes comentários que sobre esta matéria têm inundado este blogue conseguiram de certa moda tirar-me da inércia que tenho mantido sobre um assunto que tenho considerado demasiado íntimo e difícil de partilhar. E desengane-se quem pensa que isso vai mudar... [Desengano-me eu, que desde então já me fartei de falar… Comentário meu, actual]

Mas porque, como muitos dos "frequentadores" deste blogue, dedicamos um carinho especial a um momento difícil das nossas vidas nessa longínqua Guiné, gostaria de partilhar algumas imagens do Guileje que tive a oportunidade de fixar no ano de 1995, quando ali passei uma semana, envolvido na gravação de um documentário sobre Guileje, realizado por José Manuel Saraiva para a RTP.

Para além de uma assistente da realização, podemos aqui identificar ao meu lado o Cor. Coutinho e Lima
e o nosso camarigo Manuel Augusto Reis, meus companheiros de viagem. 
Para começar, apresento as minhas "credenciais": Miguel Pessoa, à data Tenente-Piloto-Aviador do Quadro Permanente da Força Aérea. Cumpri a comissão na Guiné no período de 18NOV72 a 14AGO74, com um intervalo passado em Lisboa (entre 7ABR73 e início de AGO73) para recuperar das mazelas sofridas quando da minha ejecção de Fiat G91, depois de atingido por um SAM-7 "Strela" durante um apoio de fogo ao aquartelamento de Guileje.

À chegada ao Teatro de Operações estava apenas qualificado para voar o Fiat G-91 mas rapidamente o saudoso TCor. Almeida Brito, Comandante do Grupo Operacional 1201. ministrou-me um curso intensivo de DO-27 que me habilitou a operar este avião por muitas das pistas ali existentes (64 ao todo, se bem me lembro, que as contei na minha carta de voo). Assim, até Abril de 1973 dividi a minha actividade de voo entre o Fiat G-91 (1/3 das horas) e o Do-27 (os restantes 2/3). A partir daí e até ao fim da comissão a minha actividade de voo foi essencialmente feita no Fiat G-91.

(…)

Pelas datas que acima refiro se pode dizer que não estou minimamente habilitado para falar sobre a retirada do Guileje, que no difícil período de Abril e Maio de 1973 estava eu a recuperar de uma perna partida e de uma compressão das vértebras (perdi 2cms de altura...), que isto de se trabalhar sentado também não é tão fácil como pode parecer. Mas sobre o Guileje só posso dizer que a coisa já não estava boa em Março pois naquele dia (um domingo, 25) eu estava lá para fazer um apoio de fogo ao aquartelamento, na sequência de um flagelamento do IN.

(…)

Mas vamos então às fotografias... É interessante que, olhando a fotografia do aquartelamento publicada no blogue, se realçam os campos abertos que permitiam às NT ver uma eventual aproximação do IN e a nós, pilotos,  poder fazer uma boa aproximação ao aquartelamento e dispor de um espaço razoável para "pôr o estojo no chão". E, claro, tirá-lo de lá depois..

Com a devida vénia ao então Cap. Jorge Parracho, detentor da foto.
Não foi nada disso que pude observar no local quando lá voltei em 1995 - por terra, claro... 

Aliás o monte de baga-baga que está numa das fotos, ao pé da porta d'armas, está no enfiamento da antiga pista (desaparecida). 


O espaço acimentado que mostro nesta outra fotografia foi outrora a placa de helicópteros (usada por mim em 26MAR73, quando daí fui evacuado para Bissau).


Agora, na realidade, a placa está muito mais agradável pois dispõe de amplas sombras que lhe são fornecidas pela magestosa vegetação que ali prolifera pelo meio do cimento, com 5 ou mais metros de altura (e 20 anos de crescimento selvagem, à data).


Finalmente, fotos com monumentos que ficaram no aquartelamento e que dali não foram retirados pelo PAIGC, embora antes da nossa chegada estivessem cobertos pelo capim que ali existia - o qual foi limpo a mando da produção, para permitir a realização do documentário.




Saudações a todos os ex-combatentes da Guiné e às respectivas famílias, que tanto sofreram com a sua ausência.

Um abraço fraterno
Miguel Pessoa”

 .............................................................................................................................................

Na altura não incluí, mas considero bastante interessantes as fotos deste camião que ali ficou abandonado pelas nossas tropas e através do qual ao longo de 20 anos uma árvore se foi insinuando e crescendo, ficando os dois – veículo e árvore – interligados para sempre, um testemunho da força da natureza...




Miguel Pessoa

sábado, 2 de abril de 2016

P776: À MINHA MANEIRA...

O MEU FACELOOK

Longe de pretender inibir-vos de fazerem os contactos com os amigos via Net, deixamos-vos este vídeo em que, de um modo sensato, se privilegia e defende o contacto pessoal com os nossos amigos, deixando para um plano mais modesto os ciber-contactos com "amigos" que muitas vezes nem conhecemos pessoalmente e de quem frequentemente apenas sabemos o que eles nos querem contar...

Afinal, por que não utilizarem o meu Facelook? É já de aqui a pouco tempo que teremos oportunidade de nos revermos pessoalmente, olhos nos olhos, revendo tudo o que se passou desde que falámos há mês e meio pelo meu Facelook, nos locais do costume - o Café Central e a Pensão Montanha, em Monte Real.

E neste mês até vamos ter a possibilidade de estarmos cara a cara em duas oportunidades - o XI Encontro Nacional da Tabanca Grande, no dia 16, e o nosso habitual almoço-convívio da Tabanca do Centro, no próximo dia 29 - ambos em Monte Real...

Miguel Pessoa



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

P758: AINDA VAI DEMORAR...

A REVISTA "KARAS" VAI TER QUE ESPERAR MAIS UM POUCO...

A conselho médico, o editor da revista "Karas" reduziu a sua actividade nos últimos dias de modo a descansar a vista, a precisar de repouso. E a preparação da revista "Karas" é um pouco exigente nesse aspecto, pelo que naturalmente terão que aguardar mais algum tempo para ler as notícias do nosso último convívio.

Mas em breve poderão apreciar os slideshows das fotos disponibilizadas por três dos participantes - Miguel Pessoa, Manuel Kambuta Lopes e JERO.

Os editores

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

P739: COM BONS SERVIÇOS PRESTADOS

CONTRA OS MOSQUITOS

Recentemente, aproveitando uma confraternização das Mulheres Paraquedistas (o seu XI Encontro) em que eu e a Giselda costumamos estar presentes, deslocámo-nos para a zona de Aveiro, onde permanecemos dois dias. 


Do meu kit de viagem fazia parte o habitual aparelho mata-mosquitos eléctrico, uma das poucas peças sobreviventes dos meus tempos da Guiné. Acabei por não o utilizar porque as moscas, as melgas e os mosquitos não nos hostilizaram, mas o aparelho, esse, lá estava pronto como de costume para o que desse e viesse.

Este mata-mosquitos foi uma das minhas primeiras aquisições após a minha chegada a Bissau, um aparelho eléctrico que podia ligar-se à tomada da parede, coisa com que os recém-chegados da metrópole não estavam ainda habituados a lidar.

Claro que havia no mercado outras opções, nomeadamente o Lion Brand (ou Leão Brando, como muitos lhe chamavam…), a Marca do Leão, como se podia adivinhar pela figura do leão na embalagem. 

Mas, sendo para uso no meu quarto na Base Aérea, achei mais adequado o sistema eléctrico (menos poluente de fumo e cinzas), embora reconheça a maior polivalência do Lion Brand para quem, no mato, não dispunha (ou dispunha esporadicamente) de energia eléctrica nas suas instalações, ou para quem se fazia acompanhar do dito para ir comer sossegamente umas ostras à Casa Espada, sem ser atacado pelos mosquitos.

Passe a publicidade, aquele dispositivo da marca Vape-Mate prestou-me bons serviços durante toda a minha estadia na Guiné; no regresso, sabendo que na metrópole estas modernices ainda não estavam implementadas, municiei-me com uma série de recargas de pastilhas para assim poder continuar a dar-lhe bom uso, embora de forma mais esporádica.

Tal durou um par de anos até que, por se terem esgotado as munições, guardei o aparelho num armário e esperei por melhores dias… O que sucedeu alguns anos depois, com o aparecimento no mercado de máquinas do mesmo tipo e respectivas recargas. Penso que da Vape-Mate não surgiu nada no mercado, mas apareceram outras marcas que ainda hoje podemos encontrar nas prateleiras das lojas, pequenas ou grandes.
Claro que se iniciou aí uma segunda vida para o meu mata-mosquitos que, nas minhas mãos, irá comemorar o seu 43º aniversário sem quaisquer falhas, embora (por não haver necessidade) actualmente funcione a um ritmo muito inferior àquele que lhe era exigido nos meus tempos da Guiné.

E embora com um aspecto algo chamuscado (é do uso…) ele aqui continua pronto para despachar uma catrefada de recargas… e de mosquitos…


Miguel Pessoa

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

P727: UMA RECORDAÇÃO DA BA5

Pelas mãos do nosso camarada Paulo Moreno chegou-nos esta relíquia, uma história em Banda Desenhada incluída no Boletim da BA5, uma publicação editada periodicamente naquela Unidade, sendo este o nº 54, referente a Abril/Maio de 1984.

Esta BD tem a particularidade de ter sido desenhada pelo Sargento Agria, um militar da Unidade que estava colocado nas Operações do Grupo Operacional 51 (GO51) à data em que eu proprio desempenhei funcões na BA5 como Comandante do referido GO51.

Não tendo esta publicação no nosso blogue quaisquer intuitos comerciais, sinto-me à vontade para vos apresentar esta relíquia, com o que pretendo fazer uma modesta homenagem à Base de Monte Real, ao velhinho Sabre F-86 que ali operou durante muitos anos, e principalmente ao Sargento Agria, que lembro com saudade.

Onde quer que ele esteja, sei que apreciará esta singela recordação.


Miguel Pessoa





sexta-feira, 23 de outubro de 2015

P710: DICAS PARA PESQUISAR NO BLOGUE

Deixamo-vos aqui alguns conselhos que vos poderão ajudar a pesquisar assuntos no blogue. Este poste irá sendo actualizado quando tal se justificar. 

Poderás ter sempre acesso ao mesmo clicando na imagem que a partir de agora irá estar disponibilizada na coluna da direita. A imagem que mostramos aqui ao lado.

A Tabanca do Centro      



















quarta-feira, 24 de junho de 2015

P671: À CAUTELA...

NÃO COMPREM DESTE MATERIAL!

Recentemente estive envolvido em duas situações que resultaram em parte do meu gosto por usar acessórios perfeitamente vulgares, que passam completamente despercebidos no meio de outros semelhantes do pessoal que me rodeia. É o caso, por exemplo, da bolsa que no tempo mais quente uso a tiracolo (para compensar a falta de bolsos), onde guardo os meus documentos, cartões, agenda, chaves (do carro de da casa), comando da garagem e, para os meus almoços da Tabanca do Centro, a máquina fotográfica.

Este apetrecho, que alguns apelidam depreciativamente de mariconera (passe a expressão rasca…) faz parte dos meus hábitos há já bastantes anos e, como dizia atrás, é perfeitamente anónimo, de cor preta e formato e tamanho standard, passando completamente despercebido no meio de tanto outro idêntico à minha volta. Aliás, tenho 3 (!) bolsas destas, iguaizinhas, resultantes de ofertas de uma conhecida marca de perfume que em determinada época incluía essa bolsa como presente na compra do frasquinho de maior capacidade.

Asneira minha! Se por um lado não tentamos o “amigo do alheio” usando acessórios que não vale a pena desviar, por serem de marca desconhecida ou de qualidade mediana, também se presta a desvios (sem qualquer má intenção) por parte de um conhecido um pouco mais distraído, que até tem um material parecido…

O facto é que no nosso último convívio em Monte Real lá levei a minha bolsa (máquina fotográfica incluída). Tudo correu normalmente durante a concentração no Café Central, com bolsa a tiracolo e máquina fotográfica em punho para a reportagem habitual. Chegado ao local do almoço, bolsa pendurada na cadeira e máquina fotográfica em cima da mesa, para continuar a sessão fotográfica…

Tudo a correr normalmente. O convívio aproximava-se do fim, com alguns amigos já de partida devido a outros compromissos. Chega-se então o nosso camarigo Joaquim Mexia Alves com o seu telefone dizendo-me que alguém me queria falar. Confesso que da cena que se seguiu apenas fui apanhando alguns pormenores da situação completamente imprevista: “…Que por lapso tinha levado a minha bolsa… que só se apercebeu quando quis levantar dinheiro (vá lá que não sabia os códigos, digo eu…)… que podíamos combinar um encontro numa área de serviço para ele me devolver a bolsa… que depois me telefonava a confirmar a chegada…”

Argumentei que isso iria demorar algum tempo pois eu tinha que empurrar o carro até lá (o malandro tinha-me levado as chaves…) e que teria que ser ele a atender os telefonemas que me fizesse (o meu telefone também tinha ido na bolsa…)…

Enfim, este nosso amigo lá percebeu que tinha mesmo que voltar a Monte Real para me devolver a bolsa… o que aliás fez com alguma celeridade. E o caso ficou por aqui.

Dois dias depois, na minha casa, contava eu esta história algo caricata a um familiar que tinha ido almoçar comigo. E, durante a tarde, já esse familiar tinha partido, resolvi pôr em dia a conversa com um amigo. Procurei o meu telemóvel… e não havia sinal dele no local em que normalmente o deixo pousado. 

Devo referir que esse telemóvel é de uma marca finlandesa bem conhecida, de modelo perfeitamente vulgar, já com uns anos de tarimba, que recebe e faz chamadas e envia e recebe SMS – precisamente aquilo que preciso – e mais nada…

Resolvi pelo telefone fixo chamar o meu telemóvel para tentar descobrir a sua localização na casa… e fiquei baralhado quando, em vez de tocar em algum ponto da casa, o telemóvel atendeu a chamada…

Seguiu-se uma conversa surreal: “Quem fala? – perguntavam-me... É o dono do telemóvel, quem é que o tem?...”. Enfim, abreviando, tinha sido esse meu familiar que, com o seu telemóvel no bolso, tinha resolvido adesivar o meu, que era em tudo semelhante… “Mas já estou a caminho para to devolver…”.

Vêm estas duas histórias a propósito de um conselho que vos quero dar: Não comprem deste material! Se querem evitar usar material caro, por ser objecto de cobiça de algum malandro, então usem material vulgar mas peculiar, que facilmente seja distinguido dos outros – evitando assim um desvio por parte de um amigo mais aluado…

Deixo-vos algumas sugestões. Usem bolsas com formatos invulgares ou de cores garridas, facilmente referenciadas. Aqui ficam alguns modelos possíveis.



Quanto aos telemóveis, se querem continuar a usar o vosso velhinho, em que confiam, ao menos vistam-lhe uma capa que o torne perfeitamente identificável – alusiva ao Homem Aranha, Hello Kitty (evitem estas se tiverem netinhos com telemóveis – eles podem ter capas iguais…), ou de equipas de futebol como o SCP, FCP e o SLB (evitem também esta última se ficarem ao pé do Vasco da Gama – ele também pode ter uma capa igual…).



Enfim, com algumas destas medidas talvez consigam evitar o desaparecimento das vossas coisas quando estão num ambiente ilusoriamente seguro. E sempre podem recorrer às velhas correntes normalmente usadas para segurar as bicicletas e motocicletas… Que mais não seja, para prender os bracinhos desse pessoal mais buliçoso…


Miguel Pessoa

quinta-feira, 11 de junho de 2015

P665: O 10 DE JUNHO EM BELÉM

Diziam alguns dos presentes que estava mais gente este ano do que em anos anteriores. Pelo menos a zona estava bem composta de pessoal e o tempo, não exageradamente quente, proporcionou uma temperatura mais amena do que temos suportado noutras ocasiões.

É sempre tempo de rever alguns camaradas que anualmente encontramos nesta cerimónia, outros que, por via das reuniões/convívios das nossas pequenas tabancas, vamos encontrando em várias ocasiões ao longo do ano.


O Colaço e o Jorge Canhão são presença assídua no 10 de Junho em Belém. 
Mais uma vez disseram "presente".


Outros dois habituais nesta data. O Humberto Reis faz uma "selfie" partilhada com o Miguel Pessoa.


Duas figuras prestigiadas que podemos ver anualmente nesta cerimónia: o António Lobato, piloto da FAP que na sequência da queda do seu T-6. na ilha de Como passou 7 anos (!) prisioneiro do PAIGC, entre 1963 e 1970. O MGen. Avelar de Sousa fez duas comissões na Guiné tendo, entre outras funções, comandado a CCP 123, de boa memória para o Miguel Pessoa - Pessoal desta Companhia de Caçadores Paraquedistas recuperou-o das matas de Guileje, onde tinha ficado apeado...


Um aspecto da assistência à cerimónia. Nesta altura já se perfilavam as enfermeiras pára-quedistas junto ao púlpito - Uma homenagem que estava prevista no programa e que pretendeu homenagear a acção destas mulheres de armas durante os treze anos da guerra em África.


Um plano mais pormenorizado das enfermeiras pára-quedistas durante a homenagem que lhes foi prestada. Discursava então a propósito o Ten. Coronel Aparício, que tem dado nestes últimos meses total colaboração nas apresentações que têm sido feitas do livro "Nós, Enfermeiras Pára-quedistas".


Para vergonha do Miguel Pessoa, teve que ser o Humberto Reis a captar uma imagem da nossa camariga Giselda Pessoa, aqui ao lado do orador. Na verdade as condições para se obter uma foto decente não eram as melhores para a maioria dos presentes (boa desculpa...). E este escriba estava mais interessado em viver o momento do que em documentá-lo fotograficamente...

Mas, mesmo com essas condições desfavoráveis, não quisemos deixar de vos apresentar algumas das fotos disponíveis, para o que contámos neste caso com a colaboração do nosso camarigo Humberto Reis, a quem agradecemos.

Outros presentes que pudemos encontrar, mas que não chegámos a fotografar: Luís Graça e Alice Carneiro, José Luís Vacas de Carvalho, Marcelino da Mata, António Paiva, António Fernando Marques, Silvério Lobo e mais algum que eventualmente possa ter sido varrido momentaneamente da nossa memória... mas não da nossa estima. Pode ser que para o ano...


Reproduzimos aqui o louvor lido no decorrer da cerimónia de homenagem às nossas camaradas enfermeiras e que lhes foi atribuído pelo Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas. Louvor que, no parecer de vários dos presentes, é amplamente merecido. O que tem naturalmente a minha total concordância. Mas eu posso ser considerado parte interessada...
Miguel Pessoa