INESPERADAMENTE, A
MINHA PROFUNDA INVEJA DO AMIGO E CAMARADA MIGUEL PESSOA
| O Miguel Pessoa na ida para uma missão |
Hoje, ao começar o dia trocando alguns e-mails com o "Herr
Överste" (Senhor Coronel em sueco) Miguel Pessoa, surgiu bruscamente no
meu pensamento algo que até agora não tinha considerado com a devida atenção.
Nas conversas com antigos combatentes, sejam eles portugueses ou
norte-americanos (também por lá vivo!), surge sempre a referência às frustrações
sentidas quando se procura descrever aos familiares, amigos, ou simples conhecidos,
as experiências e sentimentos de cada um aquando da passagem por teatros de
guerra.
Sente-se sempre que este tipo de comunicação, na procura de explicações, sejam
elas geográficas, sociais ou outras, é extremamente difícil de ser apreendido
em todas as suas "variantes" por quem nos escuta.
Muitas vezes sente-se que não escutam... aparentam escutar!
| A Giselda com a tripulação de alerta do AL-III |
Isto sem se entrar em referências a situações concretas de combate, estas
ultrapassam totalmente quem as não viveu.
Se a "comunicação" é difícil em Portugal, em famílias portuguesas,
os que formam família no estrangeiro, com filhos quase automaticamente estrangeiros
e com netos ainda mais estrangeiros que estes, torna as referências a uma
guerra colonial como algo de pré-histórico... no melhor dos casos!
É sempre necessária infindável introdução quanto aos enquadramentos
históricos e sociais, ao significado dos 400 anos de colonialismos vários, as consequências
do longo período da ditadura no tipo muito específico de formação que, aos
nascidos e educados nesses tempos, acabou por ser imbuída muito mais
profundamente do que muitos hoje gostam de reconhecer.
| Recuperação e evacuação do Miguel Pessoa, com o apoio da Giselda |
MAS... no caso do Miguel Pessoa tudo é... diferente!
Casado com uma nossa Camarada de armas.
| Uma evacuação atribulada da Giselda, com ida ao charco |
Alguém que com ele COMPARTILHOU, no conjunto de difíceis situações de guerra,
certamente inesquecíveis, mas (e principalmente!)... sem necessitarem das tais
infindáveis explicações quanto a factos, quando, porquê e quem!
Confesso, mais uma vez, nunca ter pensado neste pequeno-grande
"detalhe", em relação aos outros ex-combatentes.
Hoje em Portugal, em situação muito diferente quanto à paz e tipo de serviço
militar, casamentos entre camaradas de armas não serão invulgares.
Mas... compartilhando o pior teatro de guerra das guerras de África, como o
era a Guiné... ao mesmo tempo... nos mesmos locais... e em algumas situações
incríveis... não haverá muitos... se alguns houver!
Será que em relação aos outros (a nós), tanto a Giselda como o Miguel terão
consciência do privilégio que é esta não necessidade das tais tão limitativas
"explicações"?
Um grande abraço do
José Belo





















